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99: A entropia das horas

Rádio Escafandro · 11,170 words · 51 min read

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0:00Oi este podcast é uma produção da Rádio

0:04guarda-chuva jornalismo para quem gosta

0:06de

0:09ouvir o Episódio de hoje começa com uma

0:12conversa entre pai e filho na verdade

0:14começa com uma proposta do Lucas que na

0:17época tinha 8 anos pro pai dele o

0:19professor jornalista e cientista social

0:22luí Mauro Sam Martino papai por você não

0:26escreve um livro sobre o tempo podia

0:28inclusive se chamar depois do futuro e

0:31aí você poderia falar tudo sobre o tempo

0:33a proposta ainda que um tanto ambiciosa

0:35não era totalmente descabida além de dar

0:38aulas no curso de pós-graduação em

0:39comunicação da Casper Líbero na PUC e na

0:42casa do saber o luí Mauro Sam Martino

0:45tem uma boa porção de livros publicados

0:47eu achei a ideia muito legal porque de

0:51alguma maneira essa perspectiva de falar

0:53sobre o tempo já vinha meio que se

0:55ensaiando em algumas leituras que eu

0:57tava fazendo alguns textos que eu

0:59escrevia e na verdade até antes disso

1:02aspas para um trechinho do livro Sem

1:04tempo para nada publicado em 2022 pela

1:07editora Vozes e que foi basicamente a

1:10resposta para aquele desafio do Lucas Eu

1:12sempre tive uma nostalgia infinita do

1:14tempo desde criança às vezes quando

1:17estava brincando parava olhava ao redor

1:20e pensava que aquele instante nunca ia

1:22se repetir era único e não estaria de

1:24volta Nessas horas me imaginava no

1:27futuro lembrando daquele momento então

1:30irremediavelmente transformado em

1:31passado distante pensando que ele havia

1:34terminado e estava perdido exceto por

1:36aquela lembrança imaginária essa

1:39percepção me fazia sentir próximo da

1:41natureza do tempo na qual cada fragmento

1:44trazia em si a potência do infinito nada

1:47era

1:48insignificante instantes moldam a vida e

1:51era quase um dever aproveitar cada um

1:53deles tempos fugite o tempo foge segundo

1:58o antigo poema Latino

2:00[Música]

2:03e comecei aí atrás de pensar o que

2:06escrever sobre o

2:08[Música]

2:11tempo pensar o tempo de a partir de

2:14quais perspectivas Existem várias e duas

2:17Eu já descartei logo de saída primeira

2:19delas seria tratar do tempo a partir da

2:21física que é uma das Áreas que mais

2:23estudo o tempo porque é uma questão de

2:25capacidade eu não entendo lhufas de

2:28física e a outra que eu pensei de também

2:31não trabalhar seria a partir da

2:33filosofia já tem muita coisa boa eu não

2:36tenho o que dizer não tenho o que

2:37contribuir a partir dessas balizas eu

2:40fui planejando o conteúdo do livro

2:43pensando o que que a gente poderia falar

2:45do tempo a partir das Ciências Sociais a

2:47partir da comunicação a partir desses

2:50usos mais cotidianos do tempo agora é Um

2:53Desafio em tanto né se não viesse de uma

2:55criança talvez você não tivesse coragem

2:57para se lançar nisso assim nossa bom um

2:59ponto hein pegou um aspecto que eu não

3:01imaginava quase um momento terapia aqui

3:04o olha Eh certamente ter vindo um

3:08incentivo do Lucas foi decisivo foi

3:11fundamental assim como o incentivo da An

3:13a hora que eu falei com o Lucas me deu

3:15uma ideia para um livro tal e a Ana

3:16enfim e encarou e a gente tava no meio

3:19da pandemia é isso que eu ia falar foi

3:20no meio da pandemia que é curiosamente

3:22um um momento que eu acho que a gente

3:23pensou muito sobre tempo né porque o

3:24tempo ficou todo alterado né nossa

3:27percepção do tempo né durante esse

3:28período eu não consigo separar esse

3:30livro do fato dele ter sido escrito na

3:32pandemia embora algumas das ideias já

3:34existissem antes foi uma época aonde

3:37realmente para quem pode ficar em casa o

3:40tempo ganhou uma dimensão completamente

3:43diferente Tomás em primeiro lugar porque

3:45alguns dos demarcadores de tempo mais

3:47importantes que são a a nossa

3:50movimentação o nosso trânsito entre

3:52espaços foram perdidos a gente saí do

3:54quarto para ir pra sala de volta pra

3:56cozinha e essas demarcações de espaço

3:59correspondem a demarcações de tempo que

4:01também começaram não só a serem perdidas

4:04como também a se misturar isso tem a ver

4:06com uma das características mais

4:08misteriosas e fascinantes do tempo aspas

4:10para mais um trechinho do livro Sem

4:12tempo para nada que tem um subtítulo

4:15como tudo ficou acelerado porque estamos

4:17tão cansados e as alternativas realistas

4:20para mudar pensar sobre o tempo leva oo

4:23ser humano até os limites de sua mente o

4:26motivo não é difícil de entender estamos

4:28lidando com algo que simplesmente não

4:30pode ser visto sentido cheirado provado

4:33ou escutado não conseguimos colocar o

4:35tempo sob as lentes do microscópio para

4:37estudar suas características e não temos

4:40sequer como capturá-lo para compreender

4:42a sua estrutura então eu tava

4:45trabalhando mas aí eu precisava e comer

4:48alguma coisa eu ia na cozinha eu tava na

4:51cozinha mas aí eu precisava voltar para

4:53trabalhar o tempo de trabalho começou a

4:56se alargar Porque como não tinha hora

4:59para ir ir embora eu começo a ficar o

5:02tempo todo conectado mas aí eu tenho

5:04outras conexões de família esses tempos

5:06começaram a se misturar e o dia começou

5:09a se alargar demais como é que nós

5:12vivemos o tempo no cotidiano como é que

5:15essa essas questões da falta de tempo da

5:18gente tá sempre atrasado sempre

5:20pressionado da gente tá sempre sentindo

5:23que está devendo alguma coisa então no

5:25início da semana a gente tem um

5:27planejamento muitas vezes maior do que a

5:29gente vai dar conta Chega no fim de

5:31semana a gente não conseguiu dar conta

5:33daquele planejamento Então a gente vai

5:36devendo paraa segunda-feira seguinte e

5:39também comecei a observar os efeitos que

5:42isso provocava a ansiedade por tentar

5:44fazer um monte de coisa ela era sucedida

5:47Em outro momento pela tristeza eu

5:50ousaria dizer depressão de você perceber

5:52que não conseguiu fazer por quê Porque a

5:55conta não é feita para fechar e a gente

5:59se se mantém nessa ansiedade constante

6:02de estar sempre correndo atrás do tempo

6:05tem até uma coisa que eu conto na

6:06introdução mas vez eu tava numa livraria

6:08aqui em São Paulo tava conversando com a

6:10dona da livraria E aí de repente tocou o

6:12celular quase o celular caiu no chão que

6:14ela foi atender com pressa tal olhou

6:16virou para mim Nossa pera aí Desculpa

6:17tenho que falar que é uma urgência não

6:19sei o quê ela falou nossa não consigo

6:21nem falar com um cliente a gente tá sem

6:23tempo para nada falei é isso quando eu

6:26lembrei dessa cena eu já tava no

6:27finalzinho do livro eu lembrei falei

6:29Nossa aquela cena na livraria sem tempo

6:32para nada Qual é o principal uso social

6:34do tempo o fato de estarmos sem tempo

6:36para

6:41[Música]

6:47nada eu sou Tomás kavine e o Episódio 99

6:51de escafandro já começou ele vai ser

6:54dividido em duas partes na primeira a

6:56gente vai falar de como a gente tá

6:57deixando a nossa vida cada vez mais

6:59complicada e de como isso afeta a

7:01percepção do tempo na segunda a gente

7:04vai falar de como tudo isso se relaciona

7:06com um dos conceitos mais interessantes

7:08mais importantes e mais incompreendidos

7:11da

7:12[Música]

7:14[Aplausos]

7:16física antes eu preciso te lembrar que a

7:19gente só chegou até aqui 99 episódios

7:22por conta do grupo de humanos Luminosos

7:24que apoiam o projeto financeiramente

7:26pessoas como a Angelina Aparecida

7:28tripode a Juliana pato o Jorge Miguel

7:31Acosta Soares e o Lucas de Lima

7:35Santana se você tá entre essas pessoas

7:38muito obrigado mas muito obrigado mesmo

7:40por isso se você não tá mas quer que o

7:43projeto cresça melhore e chega mais

7:44gente se tem uma sobrinha aí no seu

7:46orçamento mensal essa é uma boa hora

7:49para você se tornar um ouvinte

7:51financiador com r$ 5 o preço de dois

7:54Babalu banana Você já consegue

7:56participar ganha o direito de ouvir os

7:58Episódios um dia antes tem acesso a uma

8:00área com entrevistas completas e pode

8:02entrar na fila para gravar a ficha

8:04técnica de um episódio se você apoiar

8:06com R 30 tem direito a tudo isso mais

8:08uma caneca customizada com logotipo da

8:11rádio escafandro com r$ 50 eu te mando

8:14um livro com

8:18dedicatória e Para apoiar você sabe o

8:21caminho é rápido fácil e seguro só é lá

8:23em

8:24catarse.me bar escafandro e escolher o

8:27valor com o qual você quer ou pode

8:29apoiar

8:31catarse.me bar

8:35escafandro Se você quiser apoiar por

8:37outro caminho não tem problema também dá

8:40para fazer isso pelo picpay pelo PayPal

8:41pela aurelo ou por pix recorrente esses

8:44caminhos todos estão reunidos no nosso

8:46site que é radio

8:50escafandro.ea

8:53o podcast de outra forma espalhando no

8:56Boca a Boca compartilhando no grupão de

8:58zap post and no Instagram ou dando cinco

9:00estrelas no seu aplicativo de áudio

9:02Predileto fica aqui também o meu muito

9:05[Música]

9:08[Aplausos]

9:10[Música]

9:12obrigado a nossa relação com o tempo tá

9:15mudando rapidamente mas essas mudanças

9:17não são exatamente novas elas vêm desde

9:20a pré-história quando alguns ancestrais

9:22nossos começaram a entender que o

9:24movimento da lua no céu tinha um padrão

9:26que se repetia que a disposição da as

9:29estrelas mudava de forma cíclica que

9:31isso estava relacionado com dias mais

9:33quentes e dias mais frios com dias de

9:35chuva e dias de seca e que entender tudo

9:37isso ajudava a prever a hora certa de

9:40plantar de caçar ou de se recolher numa

9:42caverna ao redor da fogueira uma

9:44fogueira que só existia porque eles

9:46tinham usado dias mais quentes para

9:47armazenar lenha porque eles tinham sido

9:49capazes de entender e de certa forma de

9:52dominar o

9:53[Música]

9:56tempo mas o tempo é um Deus ardiloso

9:59Porque no momento em que a gente começou

10:01a achar que dominava ele ele começou a

10:04dominar a gente de volta quer dizer na

10:06verdade a gente sempre foi dominado por

10:08ele moldado por ele a gente dorme de 6 a

10:118 horas Quase sempre à noite porque o

10:14nosso corpo evoluiu para obedecer ao

10:15tempo do nosso planeta a gente nasce

10:18cresce e vive algumas décadas depois

10:20morre porque o movimento dentro das

10:22nossas células segue um caminho lógico e

10:25pré-determinado que é a própria tradução

10:27do tempo mas a aqui eu tô falando de um

10:30domínio diferente de um domínio que tem

10:32a ver com uma escolha dos humanos uma

10:34escolha que veio se insinuando ao longo

10:36dos séculos mas que deu um grande salto

10:38há uns 200 anos com a Revolução

10:40Industrial a partir daí o foco da

10:43humanidade mudou deixou de ser a

10:45subsistência e passou a ser a produção

10:47de mercadorias pro consumo como

10:50consequência o tempo cósmico que servia

10:52para prever os dias de seca e os dias de

10:54chuva a hora de caçar e a hora de se

10:56recolher foi substituído pelo tempo

10:59artificial do relógio e das fábricas não

11:02há mais diferença se é verão ou inverno

11:05frio ou calor O trabalho deve ser

11:08executado E para isso a jornada de

11:10trabalho é a mesma seja qual for a

11:12estação ou resistência de quem trabalha

11:15a questão da ligação entre tempo e

11:17mercadoria a meu ver é um ponto básico

11:20pra gente entender Por que Estamos

11:22correndo tanto a mercadoria é talvez o

11:25grande foco da nossa sociedade porque o

11:28que B move toda a engrenagem da economia

11:30é a ideia de que nós temos produtos para

11:33vender produtos que precisam ser

11:34produzidos produtos que precisam ser

11:36vendidos essa mercadoria no entanto tem

11:38um tempo específico por quê para gerar

11:41valor a mercadoria não pode ficar parada

11:44ela precisa estar sempre em circulação

11:47ela precisa ser produzida rápido vendida

11:49rápido consumida rápido para que exista

11:52uma nova demanda de produção criação

11:55consumo para que a roda ande aqui vale

11:58dizer que existe uma camada mais de

12:00aceleração aí que é a ideia capitalista

12:02de que é preciso Inovar e Inovar o mais

12:05rápido possível antes que o seu

12:07concorrente faça isso porque é a

12:10Inovação que vai abrir novos mercados

12:12que vão gerar mais lucro e assim a roda

12:15de aceleração do tempo tá girando no

12:17planeta inteiro numa velocidade

12:19crescente e bem parecida a própria

12:22mercadoria ela não tem e não consegue

12:25ter fronteiras O resultado é que essa

12:28lógica da mercadoria acaba sendo a

12:30lógica que vai reger o tempo da

12:33sociedade porque o tempo da mercadoria

12:36acaba sendo o elemento que vai

12:38influenciar a formação de todos os

12:41outros tempos do tempo de trabalho do

12:43tempo de descanso do tempo de lazer do

12:45próprio tempo livre uma primeira

12:48provocação que a gente pode fazer é se o

12:50tempo da mercadoria equivale ao tempo do

12:54humano e aí eu acho que tem uma coisa

12:57que decorre desse pensamento que é um

13:00dos causadores dessa aceleração no modo

13:03de produção capitalista é a busca pela

13:06inovação certo quanto mais rápido você

13:09desenvolve alguma coisa mais você inova

13:12mais dinheiro você ganha E aí ao mesmo

13:15tempo a gente pode pensar que essa

13:17mercadoria no final ela tem

13:19um objetivo de satisfazer um desejo uma

13:23necessidade ou até de criar momentos de

13:25felicidade certo as pessoas compram

13:27coisas e hom para serem felizes mas ao

13:31mesmo tempo essa busca

13:34Hum Depois você você pode falar tudo que

13:37eu tô falando errado à vontade tá luí

13:40essa entrevista com Luís Mauro samartino

13:42foi feita em áudio e vídeo Aliás se você

13:44quiser conferir tem um trechinho dela no

13:46nosso canal do YouTube mas o importante

13:49aqui é que enquanto eu falava sobre essa

13:50ideia das mercadorias serem vistas como

13:53degrauzinho brilhantes na escada pra

13:54felicidade Suprema o Luiz se contorcia

13:57do outro lado e essa busca a realização

14:00desse fim desse objetivo da mercadoria

14:04acaba sendo sabotada por essa aceleração

14:06certo a gente não consegue mais

14:07desfrutar das mercadorias porque o tempo

14:09tá tão acelerado as coisas estão vindo

14:11tão depressa que a gente não consegue

14:12desfrutar das próprias mercadorias que

14:14geram ess aceleração não é porque na

14:16verdade nós compramos uma ideia errada

14:19de que o consumo é um equivalente da

14:22felicidade filósofas e filósofos vão nos

14:24mostrar o contrário felicidade não pode

14:26ser igualada a consumo porque o consumo

14:29Como o próprio nome diz ele é efêmero um

14:32bem de consumo como o nome diz ele é

14:34feito para ser consumido e o que

14:36significa essa ideia do consumir

14:38significa em boa medida acabar com

14:40alguma coisa e quando eu coloco a minha

14:42felicidade em coisas que estão já

14:45destinadas a não existirem Mais Você

14:48concorda comigo que a minha felicidade

14:49vai ter o tempo de duração da mercadoria

14:52claro eu eu não eu não só queria fazer a

14:54ressalva aqui que eu não me coloco dessa

14:55forma eu acho que concordo exatamente

14:57com o que você falou mas essa Isso é o

14:59que é vendido pra gente certo a gente tá

15:00o tempo inteiro sendo bombardeado por

15:02essa Ótica e a gente no fim mesmo a

15:04gente se colocando e fazendo essas

15:06ressalvas é muito difícil ir contra essa

15:09quantidade de estímulo certo você mesmo

15:11fala a quantidade de celular que a gente

15:12tem por exemplo D esse exemplo no livro

15:15né quantidade de celulares que a gente

15:16tem ao longo de uma vida né A gente tá

15:18mergulhado nesse universo sendo

15:19bombardeado por esses estímulos né É

15:21muito difícil fugir não é É muito

15:23difícil fugir mas o preço é alto

15:27demais

15:31quando a gente separa nossas horas em

15:33tijolinhos de calendário Google cada uma

15:35devidamente vinculada uma série de

15:37tarefas a gente transforma o próprio

15:39tempo em

15:40[Música]

15:46mercadoria quando eu trato O tempo como

15:49mercadoria eu torno esse tempo

15:51quantificável

15:52[Música]

15:55se o tempo é um produto à venda eu posso

15:58posso colocar valor em cada hora e aí o

16:01valor atribuído a essa hora vai de

16:03acordo com qualificação com a sua

16:04profissão e tudo mais só tem a meu ver

16:07um erro nessa equação o tempo não é só

16:09quantidade o tempo ele tem uma outra

16:12coisa que transcende a ideia de

16:14quantidade o tempo tem intensidade a

16:17intensidade de um momento não pode ser

16:21quantificada quanto é que valeria o seu

16:24tempo com a pessoa que você ama não dá

16:27para você calcular porque o tempo tem

16:30uma característica que é de base para

16:32essa nossa discussão A linearidade e a

16:35finitude dele o tempo que eu perco eu

16:38não retomo nunca mais eu posso recuperar

16:41muitas coisas mas eu não posso recuperar

16:43o instante Então quando você perde um

16:46instante você perde alguma coisa de um

16:48valor incomensurável não há nada que

16:51possa voltar para trazer de volta o

16:53instante

16:57perdido

17:00essa é uma constatação das mais

17:06duras porque a gente sabe que o nosso

17:09tempo é finito e que ele só vai ficar

17:12menor a gente também sabe que entre os 8

17:16bilhões de humanos na Terra não existe

17:18nenhum que seja capaz de dominar todos

17:20os instantes da própria existência

17:22porque uma boa parte do nosso tempo não

17:24é de fato nosso e nunca vai

17:27ser

17:28[Música]

17:30porque eu preciso comer eu preciso pagar

17:32contas eu tenho boletos para pagar eu

17:34tenho um tempo que eu vou precisar

17:36alocar a pergunta é o que eu faço com o

17:38tempo que sobra assim a gente chega a

17:40dupla que tá entre os maiores

17:41devoradores de tempo da atualidade o

17:44celular e as redes sociais que permitem

17:47acesso instantâneo e restrito a eles os

17:50vídeos de filhotes eu sigo várias contas

17:52em redes sociais de filhotes filhote de

17:55bichinho eu gosto aliás uma dica para

17:56todo mundo sigam contas de filhote de

17:59tartaruga são uma das coisas mais

18:00lindinhas que tem e claro que não tem

18:02problema nenhum em gastar horas e mais

18:03horas vendo vídeos de filhotes de

18:05tartaruga O problema é que muitas vezes

18:07a gente não percebe que essas horas e

18:09mais horas estão de fato sendo gastas a

18:12pergunta que eu me faço quando eu penso

18:14n falar até que ponto isso aqui tá sendo

18:16legal para mim por quê Porque acho que

18:18como muita gente eu já caí na armadilha

18:21de 5 minutos antes de dormir eu vou ver

18:24se tem alguma coisa importante nas redes

18:25sociais porque é claro que meia-noite

18:28para m a noite é evidente que vai ter

18:29alguma coisa de toda importância nas

18:31minhas redes o Barack Obama vai querer

18:33falar comigo faltando 5 minutos para eu

18:35ir dormir e aí como muita gente falo ok

18:39vou ficar 5 minutos na rede e quando eu

18:41vejo eu já tô na mídia social há 1 hora

18:43e aí eu perdi uma hora de sono o

18:45problema é que às 6 da manhã eu não

18:47posso virar pro despertador e falar

18:49nossa eu fiquei vendo filhote de

18:50tartaruga até 1 da manhã você pode me

18:52dar mais meia hora você pode d latar o

18:54tempo de sono despertador não vai levar

18:56isso em consideração

19:00eu acho que tem dois conceitos que você

19:02coloca que são bem interessantes que eu

19:03gostaria da Gente Se a gente pudesse

19:05expandir eles primeiro que tem a ver com

19:09essa questão do celular das redes

19:10sociais que você fala se tudo é urgente

19:13nada urgente que que quer dizer isso

19:15Luiz isso tá ligado Tomás me parece a

19:18hierarquizar os valores do tempo quando

19:20eu coloco tudo como urgente eu quebro a

19:24hierarquia do que é importante e do que

19:27não é importante por isso que quando

19:29tudo é urgente simplesmente mais nada é

19:32urgente eu não consigo dar conta de nada

19:34e portanto eu me perco E aí vamos

19:37combinar que isso gera uma angústia

19:38enorme eu tenho tudo que fazer tudo é

19:41para ontem eu me sinto afogado Então por

19:44onde que eu começo daí que eu falo que

19:47hierarquizar o tempo voltar a

19:49hierarquizar o tempo é importante pra

19:51gente pensar como é que nós estamos

19:53usando esse tempo então vamos colocar

19:56numa hierarquia tempo de sono tá acima

19:58de tempo de diversão em rede social

20:01Vamos colocar outras hierarquias o tempo

20:03para brincar com o Lucas é mais

20:05importante do que o tempo de televisão e

20:08assim por diante e mesmo nos espaços de

20:10trabalho o que que é realmente urgente o

20:12que que eu preciso para agora o que que

20:14eu posso esperar um pouco para depois

20:16Será mesmo que eu preciso mandar uma

20:17mensagem de trabalho para alguém sei lá

20:20num sábado à tarde tem uma passagem que

20:22eu acho que tem a ver com isso que você

20:24fala que na verdade a gente tem que

20:26pensar que e são humanos do outro lado

20:30quer dizer quem tá mandando aquela

20:31mensagem de WhatsApp lá fora do

20:33expediente eu inclusive te mandei uma

20:35mensagem ontem fora do expediente que

20:38você sabiamente não respondeu mas eu

20:40acho que assim tem uma questão que

20:43também é importante da gente pensar que

20:46o nosso cérebro é extremamente elástico

20:48né E esse modo de comunicação e essa

20:52interação constante apesar de da gente

20:55não poder pôr a culpa no aparelho o

20:57aparelho também tá moldando a gente né

20:59tá moldando o nosso comportamento como

21:00espécie como sociedade né como toda a

21:03tecnologia ela se liga naquilo que nós

21:06já somos e ela transforma ela abre

21:08possibilidades e nós somos os

21:10responsáveis por usar essas

21:11possibilidades de uma maneira ou de

21:12outra então sim celulares abriram

21:15possibilidades maravilhosas redes

21:17sociais abriram possibilidades

21:18maravilhosas talvez justamente porque

21:21são possibilidades maravilhosas a gente

21:23precise trabalhar para ver o quanto isso

21:26é legal existe um conceito na filosofia

21:29quem trabalha aí S um filósofo francês

21:30chamado JAC de rid Ele trabalha a ideia

21:33do fármaco fármaco é uma palavra que vem

21:36lá do grego Da onde vem a nossa palavra

21:39farmácia tá na mesma Raiz e significa ao

21:41mesmo tempo remédio e veneno e derd usa

21:44para falar da ambiguidade que a gente

21:46vai encontrar e um dos espaços em que a

21:48gente encontra essa ambiguidade é no

21:50âmbito da tecnologia a tecnologia é um

21:52maravilhoso fármaco ela é um remédio mas

21:55ela também pode se tornar um veneno a

21:58que isso começa a me fazer mal a

22:00possibilidade que a tecnologia abre para

22:03nós é uma possibilidade da gente

22:05repensar e pensar o próprio uso dessa

22:08tecnologia é maravilhoso est usando um

22:10computador para conversar com você é

22:12maravilhoso usar uma rede social para

22:14divulgar rádio escafandro mas eu espero

22:17sinceramente que de madrugada as pessoas

22:19estejam dormindo e não ouvindo a

22:22gente só espero que elas não adormeçam

22:24ouvindo a gente espero que não não vamos

22:28começar a fazer alguma coisa aí V falar

22:30mal de alguém comentar o último bafão aí

22:33das

22:34redes tudo que elas continuam vindo na

22:36manhã seguinte tá tudo

22:39bem não Luiz eu queria que você falasse

22:42uma um outro outro conceito que eu

22:43queria falar que tem a ver com essa

22:44questão que a gente tá discutindo com os

22:46vídeos das das tartarugas essa ideia do

22:49máximo de atenção somado a uma coisa que

22:52parece paradoxal que é o máximo de

22:54dispersão né Fala um pouco sobre isso

22:56Luiz por favor olha quando o tempo tá

22:58muito fragmentado e o nosso tempo ele é

23:00muito fragmentado a gente cai nesse

23:03paradoxo de ter uma atenção super

23:06concentrada o máximo de atenção seguida

23:09pelo máximo de dispersão o que que é

23:11esse tempo fragmentado é um tempo a onde

23:14nenhuma experiência dura muito porque

23:17ela é interrompida por uma experiência

23:20nova exemplo mais típico eu tô comendo

23:23eu tô almoçando eu quero ter a

23:25experiência daquele almoço eu quero

23:28saborear a comida ainda que às vezes a

23:29gente não fica lá muito feliz mas eu

23:31quero olhar pro prato e saber o que eu

23:33tô comendo eu quero sentir a duração da

23:36experiência eu tô conversando com alguém

23:38eu quero sentir a duração da conversa eu

23:41tenho um envolvimento para ter

23:43envolvimento eu tenho que ter duração o

23:45que que é essa duração é o quanto uma

23:47experiência reverbera na gente a

23:50experiência tem que se converter em

23:51memória na hora quando a gente tem no

23:54entanto uma experiência ela é cortada

23:56por outra o tempo da da comida ou da

23:58conversa ele é quebrado ele é

24:00fragmentado pela mensagem Putz eu ainda

24:02tô com a mensagem reverberando na minha

24:04cabeça chega outra de outro lugar o

24:06grupo da família que tem uma demanda de

24:08um lado aí chega o grupo do trabalho tem

24:10uma demanda do outro aí o grupo dos

24:12amigos tem uma terceira demanda eu não

24:14consigo nem reverberar a experiência

24:17anterior eu já estou com uma outra então

24:19eu sinto essa

24:20fragmentação essa fragmentação ela me

24:23dispersa porque nenhum ser humano

24:25consegue dar conta de tanta coisa ao

24:26mesmo tempo mas naquele pequeno

24:29intervalo em que eu tô lendo a mensagem

24:31eu tô vendo a demanda eu tô mega focado

24:33eu tô lá com o máximo de

24:35concentração para tentar resolver o mais

24:38rápido possível antes que essa minha

24:40concentração seja cortada pela próxima

24:44demanda pela próxima notificação a gente

24:47vive numa dessas Tomás num estado de

24:49agitação constante porque eu não concluo

24:52nenhuma experiência eu começo a gente

24:55muda de chavinha com muita facilidade

24:57mas mas é complicado você lidar com 10

24:59assuntos ao mesmo tempo e dedicar

25:01atenção a cada um

25:11deles e aqui a gente volta para aquela

25:14ideia de plasticidade

25:19cerebral de que os nossos neurônios são

25:22moldados pela nossa experiência porque

25:24você não se sente cada vez mais

25:26fragmentado

25:30você não sente que a sua memória tá

25:31porosa quebradiça feita um fêmur com

25:33osteoporose que tá cada vez mais difícil

25:36lembrar de coisas básicas como O que

25:38você comeu ontem ou Há quantos anos você

25:40se formou ou porque mesmo você foi até o

25:44[Música]

25:50Supermercado Pois é essa sequência

25:52estroboscópica de informações às vezes é

25:55rápida demais PR os nossos neurônios

25:57pré-história absorverem E no fim quando

25:59a gente olha para trás a vida virou um

26:01borrão amorfo de

26:03[Música]

26:09esquecimento e um dos aspectos mais

26:12perversos desse fenômeno é que ele não

26:14tá mais só relacionado ao trabalho el

26:18estender os tentáculos para todos os

26:19setores da nossa

26:26vida

26:34o tempo do humano é um tempo de

26:36elaboração da experiência pra gente

26:38transformar as coisas em memória a gente

26:40precisa pensar nelas precisa ter tempo

26:42de duração e portanto se eu tiver uma

26:44experiência atrás da outra cada uma

26:46delas encadeada eu não consegui pensar

26:48em nada eu não tenho memória por isso

26:50que a gente vive num desespero tão

26:51grande de registrar porque de certo modo

26:54a gente registra rápido para esquecer de

26:55pressa Eu tenho aquela sensação de que

26:57quando eu registro eu tiro a foto eu

26:59faço o vídeo eu capturei aquele tempo só

27:01que eu nunca mais vou ver aquilo lá eu

27:03não conheço gente que com frequência

27:05veja as milhares milhões talvez de fotos

27:09que você produz todos os dias que nós

27:11como humanidade produzimos E aí eu acho

27:13que isso leva a gente naturalmente pra

27:15próxima pergunta que eu tinha para você

27:16que é a história do o paradoxo do tempo

27:19do descanso né porque como ele se torna

27:22cada vez mais raro porque a gente tem

27:25que trabalhar cada vez mais para

27:26conseguir as coisas que a gente acha que

27:28a gente precisa existe também uma um

27:32ímpeto nosso de planejar esse tempo de

27:34descanso ele acaba virando uma tarefa a

27:37mais ali né em linhas Gerais nós estamos

27:40aplicando ao tempo livre a mesma lógica

27:42do tempo de trabalho e assim como eu

27:43quero aproveitar ao máximo o meu tempo

27:45de trabalho eu tô tentando aproveitar

27:48cada vez mais o meu tempo livre na mesma

27:49lógica isso leva um paradoxo muito

27:52curioso que é a obrigação de ser feliz a

27:54obrigação de me divertir a obrigação de

27:57aproveitar o tempo livre do mesmo jeito

28:00que eu aproveito o tempo de trabalho

28:02então você tem o seu tempo livre como

28:04ele é curto você planeja vou fazer tal

28:06coisa vou fazer tal coisa vou daqui para

28:08lá dali para cá vou pegar a fila para

28:10isso depois vou fazer não sei o quê pera

28:12aí pera aí pera aí você tá agitado você

28:15está usando no tempo livre uma lógica de

28:18produção olha que coisa volta a ideia da

28:20mercadoria mas o que é que eu produzo no

28:22tempo livre é um tempo de produção de

28:24descanso é um tempo de produção de

28:26diversão de produção de recuperação E aí

28:29a gente pode se perguntar quando eu tô

28:31falando de produzir alguma coisa eu tô

28:33descansando ou eu tô apenas utilizando a

28:37mesma lógica para coisas que não são

28:39equivalentes quando a gente fala de

28:41tempo livre muitas vezes nós estamos

28:43falando de uma enorme ilusão prova é que

28:46talvez você que tá ouvindo a gente já

28:48tenha sentido que você voltou das férias

28:50precisando de

28:53férias quando Eu preencho o meu tempo

28:55livre com as mesmas obrigações do tempo

28:57de trabalho ele deixou de ser livre

28:59tempo livre é outra coisa é aquilo que

29:01os antigos chamavam de vida

29:04contemplativa que a gente poderia

29:06traduzir numa tradução meio grosseira aí

29:08né não fazer nada Lembrando que esse não

29:11fazer nada ele é assim entre muitas

29:15aspas tá porque tempo livre livre mesmo

29:18É muito raro E aí tem uma tem uma hora

29:21que você fala um pouco dessa coisa da

29:23percepção do tempo passando né e de como

29:26a gente tem

29:28medo do envelhecimento né e eu acho

29:30louco pensar que a gente tá sempre

29:33pensando no futuro semo bombardeado por

29:36a ideia de novas experiências a proposta

29:38de novas experiências Olha isso daqui

29:41compra isso daqui viaja para lá e ao

29:44mesmo tempo isso faz o tempo passar mais

29:46rápido e ao mesmo tempo a gente morre de

29:48medo que o tempo passe rápido e a gente

29:50fique velho e o medo da velice também tá

29:53dentro dessas coisas que estão sendo

29:54vendidas pra gente né demais demais

29:58porque na medida em que a gente busca o

30:01tempo todo alguma coisa nova primeiro a

30:05gente nem desfruta da experiência

30:07segundo a gente não presta atenção no

30:10que poderia ser uma passagem do tempo o

30:12tempo simplesmente ele é utilizado

30:13quando o tempo vira produto ele não

30:15passa ele é descartado e a gente perde a

30:18ideia de que o tempo que passa é um

30:21tempo de experiência o tempo que passa é

30:24um tempo de vivência que precisa ser

30:26cono amente acionado para nos ajudar a

30:29entender o presente isso tem um nome

30:31chama memória mas quando eu descarto

30:33tudo a primeira coisa que eu descarto é

30:35a memória porque para eu não saber que

30:38as coisas já aconteceram para ter a

30:40sensação do novo eu não posso ter a

30:42sensação de memória eu preciso ter

30:44sempre a ideia de que o passado já foi e

30:47precisa ser descartado O problema é que

30:49a vida humana não opera nessa chave e

30:51quando uma sociedade tem horror ao

30:53envelhecimento a gente acaba aplicando a

30:56nós você acaba acaba aplicando a você ao

30:58seu corpo à suas relações essa lógica de

31:02que qualquer coisa que não seja nova já

31:05não serve para

31:06nada o Luís Mauro samartino É um

31:09cientista social o que ele faz no livro

31:12é olhar para boa parte das estranhezas

31:14relacionadas à forma como a nossa

31:16sociedade tem lidado com o tempo ele

31:19tenta entender e explicar esses

31:20fenômenos e aqui importante dizer que

31:23ele usa uma vasta biografia de outros

31:25cientistas das humanidades que tem

31:27pensado no assunto tudo isso para dizer

31:29que o livro do luí Mauro não é um manual

31:32de autoajuda mas no último capítulo ele

31:34se arrisca a propor algumas soluções

31:36para que os indivíduos e não

31:38necessariamente a sociedade lidem melhor

31:40com o tempo pílulas paliativas para

31:43refecer aquela coceira aflitiva que

31:45decorre da sensação de que a gente não

31:47tem tempo para nada eu trabalharia cinco

31:51alternativas pensando que elas podem ser

31:53aplicadas tá que elas não demandam que

31:56você jogue todo da tecnologia pela

31:58janela e vá pra Cabana até porque a

32:00gente já entraria num paradoxo eu

32:01preciso pagar o aluguel da cabana

32:03primeiro ponto pensar quanto do meu

32:05tempo é meu e Manter o controle sobre

32:08ele porque quando eu honestamente chego

32:11à conclusão Olha eu tenho x horas por

32:13dia para mim não estão ligadas nem à

32:16sobrevivência nem ao cuidado essas horas

32:18são para mim então eu vou controlar

32:20então eu vou prestar atenção nesse tempo

32:23para usar da melhor maneira possível

32:25para mim é para fazer do o meu aliado e

32:28não do meu

32:29inimigo pensar que os ciclos do corpo

32:33não são os tempos da tecnologia não são

32:36os tempos do relógio o tempo do corpo é

32:38o tempo do corpo então nós temos hora

32:40para dormir biologicamente o nosso corpo

32:43ele é organizado para respeitar os

32:45ciclos de dia e de noite por quê Porque

32:48a nossa espécie evoluiu com ciclos de

32:50dia e de

32:51noite deixar de glamorizar o excesso de

32:54trabalho a gente desrespeita o ciclo do

32:56corpo e ainda apresenta isso como se

32:58fosse legal nossa trabalhei o final de

33:00semana inteiro Arrasei Nossa teve férias

33:03não fiquei trabalhando foi só teve final

33:05de semana não não não pera pera pera

33:07tenha pausas Ah tá na lei em última

33:13instância pensar o tempo livre como

33:16tempo livre mesmo então não ficar

33:19preenchendo o tempo livre com coisas que

33:21vão roubar de mim o pouco tempo livre

33:23que eu já tenho pensar o tempo livre

33:25como um tempo de conexão das coisas que

33:28me seguram das coisas que me cercam e

33:31que fazem com que o meu tempo não seja

33:34livre uma outra coisa ainda nessa

33:37questão de propostas realistas respeitar

33:39a ordem de importância das coisas

33:41colocar hierarquias no tempo lembra olha

33:43nem tudo é urgente porque se tudo é

33:46urgente acabou o jogo Eu não tenho mais

33:48nem como pensar nos no no circuitos de

33:51distribuição do próprio

33:53tempo e finalmente lembrar que isso daí

33:57não significa deixar de fazer as coisas

33:59não significa procrastinar deixar tudo

34:02para amanhã mas significa organizar

34:05melhor o tempo até se você quiser pensar

34:08dessa maneira pra gente ter uma lógica

34:11de produção que seja boa bacana legal

34:14Produza sem que o corpo daqui a pouco

34:17mande a

34:21conta o livro Sem tempo para nada como

34:24tudo ficou acelerado porque estamos tão

34:26cansados e as alternativas realistas

34:28para mudar escrito por luí Mauro

34:30samartino foi publicado em 2022 pela

34:33editora

34:35[Música]

34:43Vozes essa conversa que eu tive com luí

34:46Mauro meio que ordenou uma série de

34:47questões que eu tenho quando eu penso na

34:49forma como as coisas parecem acontecer e

34:52aqui eu não tô falando só de tempo

34:54porque essa aceleração das nossas horas

34:56parece vir junto com um aumento de

34:59complexidade o mundo não ficou só mais

35:01rápido ele ficou também mais complicado

35:03mais

35:05caótico quando a gente olha para trás e

35:07pensa no mundo mais simples isso não é

35:09só saudosismo o mundo era mesmo mais

35:12simples não era necessariamente melhor

35:14mas era certamente mais simples tinha

35:17menos gente menos coisas acontecendo

35:19menos processos interligados menos

35:21comunicações

35:25instantâneas e essa sensação tá em todo

35:28canto não tá você provavelmente tá

35:30pensando na política brasileira mas esse

35:33é só um dos exemplos pensa sei lá no

35:35cinema enquant os filmes eram lançados

35:37por ano há duas décadas pensa na

35:40quantidade de pessoas com que seu pai

35:41falava num dia de trabalho Pens na sua

35:44bisavó levando sua mãe na escola a pé e

35:46como ela não precisava ligar o waz para

35:48achar melhor rota pegar o elevador ligar

35:50o carro Ligar o rádio para ver as

35:51notícias responder a três mensagens

35:53urgentes de prender na cadeirinha abrir

35:55a porta da garagem em como ela não

35:57precisava considerar a estupenda

35:59quantidade de variáveis envolvidas no

36:00ato de dirigir uma máquina a combustão

36:02de uma tonelada e meia no trânsito de

36:04uma megalópole ou seja o mundo tá assim

36:07ficando mais complexo E isso tem a ver

36:10com o capitalismo tem a ver com a

36:11tecnologia mas às vezes sem querer tirar

36:14a nossa responsabilidade no caos lá de

36:16fora às vezes eu tenho a impressão de

36:18que tudo isso pode ser só um fenômeno

36:25natural

36:29e aqui vale o aviso eu não sou físico

36:31nem filósofo eu não tenho nenhum diploma

36:33de ciências humanas para chamar de meu A

36:35não ser que você seja caridoso bastante

36:37para chamar comunicação social de

36:39ciência então existem grandes chances

36:42dessa minha ideia ser só um devaneio de

36:44alguém que passou muito tempo vendo

36:45vídeos de filhote de tartaruga diante

36:47disso o meu melhor conselho para você

36:49que tá preocupada com seu tempo é que

36:51você pare o episódio aqui e vai cuidar

36:53da

36:55vida

36:57para você que tá com tempo de sobra Eu

36:59sugiro que você ajuste bem os fones de

37:01ouvido e que segure firme na minha mão

37:03sonora porque a gente vai mergulhar num

37:05dos conceitos mais complicados da física

37:08um conceito que pode explicar a

37:09existência da vida o futuro do universo

37:11a passagem do tempo e porque o seu café

37:15esfria sim caro ouvinte Eu tô falando de

37:19[Música]

37:21entropia para me ajudar a explicar esse

37:24conceito eu fui conversar com um

37:25engenheiro metalúrgico especialista em

37:27termodinâmica com pós-doutorado em

37:29física eu sou o professor luí Tadeu

37:31Fernandes Heleno Eu sou Professor na

37:33Escola de Engenharia de Lorena a Escola

37:35de Engenharia de Lorena pertence à

37:36Universidade de São Paulo e o luí tadel

37:38Fernandes Heleno resumiu os 20 anos que

37:40passou por lá da seguinte forma a minha

37:42carreira na verdade é basicamente dar

37:44aulas e explicar o que é entropia além

37:46da pesquisa todo de aplicação explicar

37:48entropia não é um treco exatamente fácil

37:50cada livro que você pega sobre

37:51termodinâmica vai te dar uma explicação

37:54diferente né ou vai te dar uma

37:55justificativa de diferente para as

37:57explicações que eles fornecem você acha

37:59que essa explicação ela é diferente

38:02porque você pode olhar para por fenômeno

38:05por vários prismas diferentes ou porque

38:08esse fenômeno varia mesmo de certa parte

38:10é por isso mesmo porque a aplicação da

38:12termodinâmica entropia em particular é

38:15multivariada né máquinas a vapor ou

38:18refrigeradores mas também para entender

38:20circulação atmosférica né para entender

38:23transformação de Grafita carbono Grafita

38:26em diamante an enfim você aplica a mesma

38:28termodinâmica para todas as áreas da

38:30física buraco negro origem da do

38:32universo enfim é a mesma termodinâmica

38:35mas ainda assim eu acho que esse não é o

38:37problema principal da definição de

38:38entropia e dessa incerteza Eu acho que o

38:41problema principal é que de fato pouca

38:43gente entende o que é entropia eh

38:46Geralmente as pessoas né os

38:48pesquisadores que não são especialistas

38:49de fato em termodinâmica tendem a dizer

38:52que a entropia é desordem entropia não é

38:55desordem ela tá intimamente ligada ao

38:57que a gente entende por desordem mas ela

38:59não é desordem desordem é um conceito

39:02subjetivo demais e tem uma carga

39:04pejorativa que não faz sentido no estudo

39:06de fenômenos físicos a entropia pode

39:08levar a desordem mas não significa que a

39:11entropia é desordem tá definir o que a

39:13entropia não é ainda que um pouquinho

39:15complexo parece possível agora Afinal

39:18como é que a gente faz para definir o

39:19que a entropia é entropia é a

39:23diversidade de opções há aqui um sistema

39:26tem acesso calma parece que a coisa ou

39:29de vez Mas calma vem comigo vamos

39:31começar definindo o que é um sistema

39:33quando eu falo sistema você pode pensar

39:36no que você quiser tá um copo de água

39:38que você acabou de beber aí por exemplo

39:39ou a atmosfera ou uma estrela ou uma

39:42máquina a vapor enfim o que você

39:44considerar o seu sistema tem uma dada

39:46entropia ou tem variações de entropia no

39:49nosso caso inicial a gente vai usar o

39:51copo d'água como um exemplo de sistema

39:54ou de forma mais precisa a gente vai

39:56considerar a água dentro do copo como um

39:58macrossistema copo da água tem tem mais

40:01de 6 x 10 a 23 moléculas circulando bem

40:05mais do que isso tá quer dizer dentro

40:06desse copo de água mesmo que ele esteja

40:08paradinho na sua mesa tem um monte de

40:11coisa acontecendo as moléculas de água

40:13estão circulando estão se chocando se

40:15chocando com as paredes existem trocas

40:18interações entre as várias moléculas e

40:21isso é um processo dinâmico né fica

40:23acontecendo o tempo inteiro essas

40:25variações de posição microscópico que

40:27estão acontecendo constantemente

40:29formando configurações diferentes na

40:31física ganham o nome de microestados e a

40:35o grau de opções a que essas moléculas

40:38têm é o que a gente chama de entropia

40:41uma forma simples de pensar sobre isso é

40:43imaginar a mesma água em diferentes

40:45temperaturas se a água tiver com uma

40:47temperatura negativa no formato de gelo

40:49as moléculas lá dentro vão estar se

40:51mexendo bem devagar se chocando bem

40:53pouco trocando pouca energia se a gente

40:56conseguirse fazer uma série de fótons

40:57dessas moléculas ao longo do tempo elas

40:59iam aparecer em lugares relativamente

41:01parecidos ou seja a opção de

41:04microssistemas de arranjos microscópicos

41:06que a água congelada tem é relativamente

41:09baixa se a gente aumentar a temperatura

41:11dessa água até ela ficar líquida a coisa

41:14vai mudar radicalmente porque as

41:16partículas de água líquida têm muito

41:18mais mobilidade então o tempo inteiro se

41:20mexendo e se chocando umas com as outras

41:22então se você conseguisse tirar várias

41:24fotos sequenciais microscópicas de um

41:26d'água você veria uma diversidade muito

41:28grande na posição e na configuração

41:30dessas mesmas moléculas Ou seja a opção

41:34de sistemas que a água líquida tem

41:35acesso é estatisticamente mais alta isso

41:39quer dizer que num copo com água líquida

41:40a entropia é maior do que num copo com

41:43água congelada o número de moléculas é

41:4610 elevado a 23 né seria um um seguido

41:50de 23 zer tá é um número que a gente não

41:52tem nem noção da ordem de grandeza

41:55escapa da nossa intuição completamente é

41:57muito grande ainda assim o número de

42:00opções a que essas moléculas têm acesso

42:03né o número de estados possíveis que

42:04elas podem estar é 10 a 23 vezes maior

42:08do que isso tá eu tô exagerando um pouco

42:10mas é como se fosse 10 a 23 xes 10 a 23

42:14maior do que o número de moléculas então

42:17assim é um número se o número de

42:19moléculas no copo já é absurdamente

42:21grande o número de microestados ou

42:24número de estados disponíveis para essas

42:26moléculas é ainda mais impensável o

42:29esquema do copo também pode ser bom para

42:30explicar o impasse da desordem porque se

42:33você comparar por exemplo um copo com

42:34gelo moído a um copo com água o copo com

42:37gelo moído vai parecer mais desordenado

42:39e caótico mas na verdade a nível

42:42microscópico o copo onde as partículas

42:44estão mudando mais ao longo do tempo é o

42:46copo com água e aqui a coisa começa a

42:48ficar interessante Porque pensa naquele

42:50copo de água congelada Se você deixar

42:53ele parado em cima da mesa você sabe

42:54exatamente o que vai aconte acontecer no

42:56futuro próximo o gelo vai derreter e vai

42:59virar líquido Se você esperar mais essa

43:01água vai aos poucos evaporar para um

43:03Estado de gás mais conhecido como vapor

43:06e se você fosse capaz de fotografar os

43:08vários microestados do vapor já sabe né

43:11as moléculas de gás estão muito rápidas

43:13e você não sabe exatamente onde está

43:14cada molécula porque a hora que você

43:16olhou ela já andou um pouquinho né Tá

43:18então ela é muito é muito mais entropia

43:21no gás Ou seja a entropia do vapor é

43:23maior do que a entropia da água que é

43:25maior do que entropia do Gelo e você

43:28sabe disso instintivamente e talvez você

43:30até achea essa constatação meio boba mas

43:33a verdade é que ela é a base da segunda

43:35lei da termodinâmica que talvez seja a

43:38lei mais importante da física essa lei

43:41diz que a entropia do universo tende

43:43sempre a aumentar é a frase original do

43:47clausius o físico e matemático alemão

43:50Rudolf clausius considerado o pai da

43:52termodinâmica a entropia do universo tem

43:56a um máximo a interpretação dessa frase

43:59né é um pouco ambígua porque a gente não

44:02sabe qual é esse máximo e se existe de

44:04fato o máximo talvez tenha sido só uma

44:06maneira de ele se expressar por isso o

44:08Luiz Heleno prefere formular a frase de

44:10um jeito um pouco diferente a entropia

44:12do universo tende a aumentar qualquer

44:15coisa que você faça vai aumentar a

44:17entropia do universo e mesmo se você não

44:19fizer nada a entropia vai aumentar o

44:21curso natural do Gelo é virar água o

44:24curso natural da água é virar P isso

44:27claro é mais fácil observar na água de

44:29um copo do que no que a gente chama de

44:31universo que é o conjunto de todas as

44:33coisas conhecidas se tiver um máximo ela

44:35vai tender ao máximo mas a gente não

44:37sabe se se de fato existe um máximo e

44:39uma das partes mais fascinantes de

44:41pensar sobre isso tem a ver com

44:43estatística entropia Afinal é

44:45estatística na sua melhor forma porque

44:48estatisticamente Existe sim uma

44:50probabilidade de o vapor de água se

44:52transformar espontaneamente em Água

44:54líquida e a água líquida em gelo mas

44:58essa probabilidade é estupidamente

45:00pequena tão pequena que ela simplesmente

45:03nunca

45:03[Música]

45:05acontece um bom jeito de entender isso é

45:08pensar numa caixa de papelão com seis

45:09bolinhas de ping-pong que vão servir

45:11como metáforas de átomos de um

45:14material três bolinhas vermelhas três

45:17bolinhas azuis as três vermelhas estão

45:19juntas de um lado as três azuis estão

45:21juntas do outro aí você fecha a caixa e

45:24chacalha a tendência é claro é que

45:27quando você abrir a caixa as bolinhas

45:29estejam embaralhadas o microssistema de

45:31baixa energia aparentemente organizado

45:34virou um microssistema de Alta Energia

45:36aparentemente mais caótico mas ainda que

45:38seja pouco provável dá para imaginar que

45:40se a gente ch olhar a caixa várias vezes

45:43em alguma delas as bolinhas vão acabar

45:45se arranjando naquele formato Inicial

45:47três azuis de um lado três vermelhas do

45:50outro a gente poderia dizer que nesse

45:52caso a entropia diminuiu o que como

45:54mostra segunda lei da termodinâmica

45:56nunca acontece e nunca acontece porque

45:59nada que a gente conhece é formado só

46:01por três bolinhas nem as três bolinhas

46:03que são compostas por átomos que são

46:05compostos por nêutrons elétrons e

46:07prótons que são compostos por quarks Mas

46:09enfim voltando pra nossa analogia da

46:12Caixa imagina aquele mesmo exercício com

46:1560 bolinhas 30 de cada cor 30 de cada

46:18lado você pode passar a vida

46:20chacoalhando a caixa que as bolinhas

46:22nunca mais vão se arranjar naquele

46:23estado inicial de baixa entropia

46:26Porque por mais que exista uma chance

46:27estatística dis isso acontecer ela é tão

46:30baixa que nunca acontece e se você fizer

46:32o mesmo exercício considerando Aquela

46:34quantidade estratosférica de um copo

46:36d'água então a probabilidade vai ser

46:38muito mas muito próxima mesmo de

46:43zero e você que nunca tinha ouvido falar

46:45nessa doideira toda Talvez esteja se

46:47perguntando Tá mas porque o entrevistado

46:50ideal para falar sobre entropia é um

46:51engenheiro Metalúrgico bom porque

46:54entender bem entropia é fund para

46:56entender a transformação de energia uma

46:58transformação que é fundamental para

47:00criar todo tipo de máquinas na verdade a

47:03entropia começou a ser estudada

47:05justamente naquela época em que a gente

47:06estava transformando o tempo cósmico no

47:08tempo das fábricas fábricas que

47:11dependiam de máquinas térmicas ou seja

47:14máquinas que funcionam com calor e

47:17entropia tem tudo a ver com calor para

47:20entender essa relação a gente pode

47:21imaginar que as bolinhas de ping-pong

47:23são átomos de Duas Barras de a uma

47:26quente com os átomos carregados de

47:28energia representados por bolinhas

47:30vermelhas outra fria com os átomos de

47:33baixa energia representados por bolinhas

47:35azuis quando a gente encosta essas duas

47:37barras de Aço seria o equivalente a

47:39chacoalhar a caixa a energia desses

47:42átomos vai começar a viajar da barra

47:43mais quente pra Barra mais fria

47:45aumentando a entropia do sistema até que

47:47tudo tenha a mesma temperatura bolinhas

47:50todas

47:52[Música]

47:54misturadas na Revolução Industrial as

47:57máquinas térmicas funcionavam quase

47:58todas com o mesmo

48:00combustível carvão a energia da do

48:03carvão ou da Madeira está num estado de

48:05baixa entropia ele está lá como na forma

48:08de energia potencial os átomos de

48:10carbono né e outros átomos do carvão

48:13estão organizados em um sólido ocupando

48:15posições cristalinas bem definidas

48:17quando você queima o carvão você gerou

48:19gás ele virou gás carbônico né E aí é um

48:22estado de altíssima entropia o carvão

48:25pode é considerado a caixa com bolinhas

48:27separadas por cor o vapor é a caixa

48:29devidamente chacoalhada por uma caldeira

48:31que move um Terra industrial ou uma

48:33locomotiva e o interessante um pouco

48:35assustador é que uma vez que você

48:37queimou o carvão esse processo é

48:39Irreversível ele nunca mais vai voltar a

48:42ser carvão as bolinhas não vão voltar a

48:45se organizar e nesse processo uma

48:47quantidade gigantesca de energia se

48:49espalhou e não vai mais poder ser usada

48:52a energia tende a se degradar isso faz

48:55por exemplo com que as nossas máquinas

48:57térmicas Incluindo aí o motor de última

48:59geração do seu carro sejam muito pouco

49:02eficientes a segunda lei da

49:03termodinâmica diz o seguinte que esse

49:06processo nunca é 100% eficiente sempre

49:09vai ter um rendimento que na verdade é

49:12bem pequeno tá então Digamos que você

49:15tenha uma máquina térmica onde você

49:17queima combustível aquece gerando vapor

49:19de água vapor de água há digamos 100º c

49:24e você rejeita o o excedente de calor

49:26para a atmosfera que vai tá a 25 GC

49:30nessa proporção tá o rendimento da

49:32máquina térmica é em torno de no máximo

49:35esse é o máximo teórico tá 20% significa

49:39que de cada caloria que você extrai do

49:41carvão só 02 calorias vão ser usadas de

49:46forma a Gerar O que você quer fazer o

49:49restante 80% vai ser desperdiçado para a

49:53atmosfera causando por exemplo

49:56aquecimento global poluição esse

49:59rendimento de 20% na prática é muito

50:01menor do que

50:03isso é a grande praga da tecnologia que

50:07envolve calor porque você não consegue

50:09evitar que isso

50:12[Música]

50:15aconteça aqui você me ouvinte malandra

50:18Talvez esteja com uma questão é quando

50:20nos neurônios porque o exemplo Inicial

50:22que a gente deu para essa constatação de

50:24que a entropia do universo sempre

50:25aumenta foi o da água a água nunca volta

50:28naturalmente a ser gelo aí você pode

50:31pensar por exemplo numa chuva de granizo

50:32aquela água onde dia foi vapor e agora é

50:35gelo para entender isso a gente precisa

50:37entender melhor o conceito de universo

50:40que é um sistema somado a vizinhança

50:41quando eu falo universo é a soma do

50:43sistema com o que está fora do sistema

50:46que a gente chama de Vizinhança ou seja

50:47né O meu carro é o meu sistema e a

50:50atmosfera é a vizinhança carro mais

50:52atmosfera é o

50:54universo um bom jeito de pensar nisso é

50:56Numa geladeira a geladeira é um sistema

50:59a sua cozinha é a vizinhança as duas

51:01juntas são o universo você consegue

51:04diminuir a entropia de um copo d'água

51:05colocando ele dentro da geladeira mas Em

51:08contrapartida a sua geladeira vai

51:09liberar calor aumentando a entropia da

51:11sua cozinha você pode de novo usar um ar

51:14condicionado para diminuir a entropia da

51:16cozinha Mas aí você vai ter de liberar

51:17calor na atmosfera aumentando a entropia

51:20do planeta a entropia do seu sistema

51:22pode aumentar ou diminuir mas a do

51:24universo sempre aumenta

51:26isso vale pra sua cozinha mas também

51:27vale pro planeta Planeta Terra é uma

51:29máquina térmica a fonte quente é o sol o

51:31sol fornece Nossa energia e nós

51:34consumimos essa energia por exemplo

51:36durante o ciclo da água o sol aquece a

51:39água ao nível do mar essa água evapora

51:42sobe forma nuvens ou seja tem um

51:44trabalho né a atmosfera tá exercendo um

51:47trabalho de levar a água às nuvens

51:51transformando energia da água térmica em

51:53energia

51:54potencial Quando chove essa água volta

51:57pro solo e se fecha o ciclo né e volta

52:00pros Rios mas esse sistema n essa esse

52:03circulação de água pela atmosfera só

52:06funciona Porque tem uma fonte de energia

52:08externa então a terra tem uma fonte

52:11externa de energia que faz com que a

52:14água quando precipite em forma de chuva

52:16líquido diminua a entropia da água na

52:19atmosfera na forma gasosa vapor de água

52:21a água está em alta entropia e quanto

52:24mais isso acontece Quanto mais a energia

52:26se transforma mais ela se espalha e

52:29quanto mais ela se espalha mais ela se

52:31degrada mais ela se torna difícil de ser

52:33usada e olha aqui eu não est nem falando

52:35do consumo de eletricidade envolvido

52:37nesses processos que também seguiu esse

52:39fluxo de transformar matéria de baixa

52:41entropia e matéria de alta entropia

52:44Agora imagina que isso está acontecendo

52:45o tempo inteiro nas mais diversas

52:47escalas esse cilhão de caixinhas com

52:50bolinhas dentro de caixinhas com

52:52bolinhas que é o mundo à nossa volta

52:56imagina o tanto de energia que tá se

52:58degradando o tempo

53:02inteiro como isso é

53:08possível a resposta caro ouvinte tá no

53:13sol essa grande massa de alta entropia

53:16que queima o tempo inteiro no espaço

53:18liberando uma quantidade absurda de

53:20energia que a gente consegue usar para

53:22diminuir a entropia de várias coisas

53:23aqui no nosso planetinha

53:27o carvão Vale lembrar a energia do sol

53:30que pelo milagre da fotossíntese foi

53:32transformada em

53:36planta como o Sol é um treco gigantesco

53:39a gente não precisa se preocupar muito

53:40com a finitude dessa energia ele vai S

53:43parar de queimar algum dia mas isso vai

53:45demorar vai demorar o suficiente pra

53:48gente não precisar se preocupar com isso

53:50por outro lado os processos entrópicos

53:52dentro do nosso planeta são mais

53:54complexos

53:55[Música]

53:57ainda que às vezes sejam tratados como

53:59se não

54:01fossem as indústrias muitas vezes tem

54:05aquela preocupação dentro da planta né

54:07então rejeita gases para atmosfera não

54:11só gases mas rejeita ar quente Isso já é

54:14poluição né ao invés de tratar resfriar

54:17esse ar esse ar lançado a a vizinhança

54:21que é a atmosfera né mas o louco de

54:23pensar dessa forma da

54:26termodinâmica como ela ocorre de fato é

54:29que a mitigação dos problemas é muito

54:31complexa certo porque sempre que você

54:33vai medicar muito complexa porque você

54:35vai sempre jogar a entropia para outro

54:37lugar certo exato É esse é o grande

54:39problema é porque isso custa né custa

54:41recursos custa dinheiro né investimento

54:44né E no fundo basicamente o que a gente

54:46tá dizendo é eu não posso mais

54:48considerar a a atmosfera ou os oceanos

54:51como vizinhança ou seja não posso

54:53rejeitar o que vem da da minha indústria

54:55ou do meu processo na atmosfera ou nos

54:57oceanos eles são parte do sistema porque

55:00são parte do do nosso sistema de

55:01interesse né eu tenho que achar uma

55:04outra maneira mas exatamente isso né a

55:05termodinâmica diz que vai alguma coisa

55:08vai ter que ficar mais desorganizada vai

55:11ter que aumentar o grau de caos digamos

55:14assim né aqui você me ouvinte ansiosa

55:17provavelmente tá achando que a gente foi

55:18longe demais que a gente nunca mais vai

55:20voltar a falar da nossa vidinha

55:21acelerada de todo dia mas calma que a

55:24gente Vai sim chegar lá e para começar a

55:27chegar lá eu preciso falar sobre o

55:28segundo motivo pelo qual fui procurar o

55:31luí Tadeu Fernandes Heleno porque em

55:332011 Ele publicou um artigo numa revista

55:36chamada Filosofia de uma coleção que se

55:38chamava conhecimento prático e era

55:40publicada pela Editora Escala o artigo

55:43se chamava entropia social uma

55:45termovisor do mundo deixava bem claro

55:48que a coisa toda era uma grande metáfora

55:50mas depois se arriscava a falar de um

55:51conjunto de fenômenos sociais que para

55:54ele podiam ser comparados a entropia um

55:56fenômeno que ele chamou de entropia

55:58social a entropia social é a soma de

56:01todas as ideias opiniões comportamentos

56:04e atitudes aceitas pela sociedade então

56:08essa foi a minha ideia de proposta

56:10entrando nessa ideia como eu te falei

56:12entropia como diversidade de opções que

56:14o sistema tem vou te dar um exemplo bem

56:17simples né um homossexual em um país

56:20muçulmano a gente poderia voltar ao

56:22exemplo da caixa com bolinhas bolinhas

56:24azuis são homens heterossexuais bolinhas

56:27vermelhas são homens homossexuais se a

56:30gente tiver só uma bolinha vermelha que

56:32pode se expressar a gente vai ter um

56:33sistema de baixa entropia se a gente

56:36aumentar a quantidade de bolinhas a

56:38gente vai aumentar a entropia do sistema

56:40se a gente tiver bolinhas lésbicas

56:42bissexuais e trans vai ter um belo

56:44arcoíris de bolinhas o que vai permitir

56:46várias configurações de microssistemas o

56:48que equivale à Alta entropia E aí se a

56:52gente usar a máxima da segunda lei da

56:53termodinâmica a gente pode dizer que

56:55assim como a entropia sempre aumenta no

56:57universo a diversidade sempre aumenta na

57:01sociedade Além disso como entropia e

57:03temperatura sempre andam juntas o Luiz

57:05Heleno achou interessante trazer também

57:07essa analogia pra sociedade a definição

57:09que eu que eu cheguei na época foi que a

57:11temperatura social mede a igualdade de

57:14direitos então você tem na entropia

57:18padrões aceitos padrões de comportamento

57:20ideias etc que são aceitos e por outro

57:24lado com mesmos direitos que seria a

57:26temperatura né na minha analogia na

57:28minha na minha metáfora né ou seja um

57:31comportamento só É de fato aceito se

57:34garante para aquele indivíduo igualdade

57:36de direitos com outros indivíduos que

57:38tenha um outro comportamento né ou seja

57:40um homossexual tem que ter os mesmos

57:43direitos de uma pessoa que não é

57:44homossexual essas ideias são bem

57:47interessantes Mas como você minha

57:49ouvinte ansiosa e arguta já percebeu

57:51elas não TM nada a ver com o tema do

57:53nosso Episódio eu sabia disso quando fui

57:56procurar o luí Heleno mas naquela época

57:58eu achava que estava em busca de uma

58:00metáfora Ou seja eu precisava de um cara

58:03que entendesse de entropia e fosse

58:05aberto a metáforas mas conforme fui

58:07pesquisando mais sobre o assunto e

58:09também no curso da minha entrevista com

58:11ele eu fui percebendo que eu tinha me

58:12enganado porque essa relação entre

58:15aumento de entropia e aceleração da vida

58:17não é uma metáfora é um fato Afinal o

58:21tempo só existe ou pelo menos a

58:22percepção do tempo só existe por causa

58:25da entropia todos os fenômenos que

58:27acontecem naturalmente né são

58:30espontâneos o que acontece é o caminho

58:33natural Eu solto uma maçã a maçã cai

58:35você nunca vê uma maçã naturalmente

58:38subir do chão ao pé essa queda da da da

58:41maçã da árvore é o caminho natural é o

58:44caminho que a gente pode falar aumenta a

58:46entropia do universo a maçã Pode parecer

58:49um exemplo desconectado mas ela não é

58:51porque a maçã só caiu da árvore porque

58:53um zigão de anos atrás um ponto com uma

58:56concentração absurda de matéria explodiu

58:58no que a gente chama de Big Bang A

59:02partir daí as coisas seguiram o rumo

59:03delas que é basicamente aumentar a

59:06entropia e dispersar aquela energia

59:08concentrada a maçã tá no meio desse

59:11caminho então você pode usar esse esse

59:13conceito de aumento de entropia do

59:14Universo para encontrar o que a gente

59:17chama de direção da seta do tempo o

59:20tempo não é uma variável como o espaço o

59:22espaço é fácil de ser medido você pode

59:25se mover nele você pode ir pra frente e

59:27ir para trás o tempo não o tempo flui

59:30apenas em um sentido não dá para voltar

59:32no tempo pelo menos em boa parte das

59:34teorias e a gente só percebe isso por

59:37causa da entropia porque a água derrete

59:40porque o dia vira noite porque tudo se

59:42move nesse processo infinito gigantesco

59:45de espalhamento de energia um processo

59:48que Muito provavelmente vai chegar a um

59:50fim e isso tá longe de ser uma certeza

59:53mas se a gente considerar o nosso

59:54universo como um universo fechado sem

59:56nada do lado de fora A gente pode

59:58considerar que a entropia vai aumentar e

1:00:01aumentar no fim a temperatura de todo o

1:00:04universo vai ser igual isso vai fazer

1:00:07com que todo movimento pare e aí sem

1:00:09movimento o tempo vai deixar de existir

1:00:12Ou pelo menos de ser percebido por tudo

1:00:15isso tem muita gente que acredita que o

1:00:16tempo é um fenômeno

1:00:20estatístico E aí a gente finalmente

1:00:22Volta pra nossa vida lembra que cada vez

1:00:25que a gente muda a energia de formato a

1:00:26gente aumenta a

1:00:28entropia a vida moderna Ela é bem mais

1:00:31complexa do que a vida há 100 anos atrás

1:00:34ou ou mais né você tem muito mais opções

1:00:38né a sociedade é menos estratificada

1:00:40Então você tem mais mobilidade social

1:00:43tecnologia enfim a gente tem muito mais

1:00:45hoje em dia então a nossa vida se tornou

1:00:47de fato mais complexa E cada vez que

1:00:49você desbloqueia o seu celular para

1:00:50olhar vídeos de tartaruga cada vez que

1:00:52você faz uma busca no Google cada vez

1:00:54que você liga a TV abre a geladeira

1:00:56chama o elevador liga o carro procura um

1:00:59Crush no bumble você tá aumentando a

1:01:01entropia do universo não tem metáfora aí

1:01:04a gente tá aumentando a entropia no

1:01:05sentido físico mesmo no sentido da

1:01:07física da termodinâmica de fato a gente

1:01:09tá criando entropia de verdade no

1:01:12universo não há metáfora mas ao mesmo

1:01:14tempo em termos de comunicação talvez a

1:01:17as coisas estejam acontecendo nos dois

1:01:18níveis de forma metafórica e de forma e

1:01:21de forma não metafórica não sei talvez

1:01:24eu acho que sim porque do ponto de vista

1:01:26a nossa vida é mais complexa hoje em dia

1:01:28do que alguém que vivia há 100 anos né a

1:01:30gente tem um alcance maior pode ir mais

1:01:33longe né pode ir mais rápido pode ir

1:01:35mais alto pode somos mais fortes né

1:01:38entre aspas a gente tem mais máquinas

1:01:41melhores a gente se conversa à distância

1:01:45muito mais rapidamente então a vida é

1:01:46mais complexa de Fato né E para tudo

1:01:49isso a gente precisa aumentar entropia

1:01:51sem analogia nenhuma mas usando uma

1:01:53analogia é isso a nossa vida é mais

1:01:55complexa existem mais estados

1:01:57disponíveis pra gente então a nossa

1:01:59entropia como sociedade também aumenta

1:02:02né claro que a nossa entropia humana em

1:02:04termos de universo não significa nada

1:02:07mas no nosso sistema planeta terra o

1:02:09aumento de entropia que a gente causa

1:02:11Faz sim diferença deixa as coisas mais

1:02:14complexas cria ruídos cria poluição cria

1:02:17uma série de caixinhas com bolinhas

1:02:19dentro de outras caixinhas com bolinhas

1:02:21dentro de outras caixinhas com bolinhas

1:02:23e se entropia é o que mostra pra gente a

1:02:25seta do tempo talvez a nossa percepção

1:02:27de que tá tudo acelerado tem a ver com

1:02:30ela lembra do que o luí Mauro Sam

1:02:33Martino falou sobre o máximo de

1:02:34concentração e o máximo de dispersão

1:02:38em como ISO está relacionado com o

1:02:40aumento de complexidade dos processos

1:02:42que cercam a nossa existência em como

1:02:44Isso dificulta o registro das

1:02:45experiências na forma de

1:02:47memória Pois é e isso no fim impacta a

1:02:51percepção que a gente tem da passagem do

1:02:52tempo na vida adulta muita coisa

1:02:55acontece mas são muitas coisas parecidas

1:02:57Esse é o psicólogo Doutor em

1:02:58neurofisiologia e professor adjunto da

1:03:00Universidade Federal da ABC André cravo

1:03:03O André é um estudioso da nossa

1:03:05percepção da passagem do tempo isso que

1:03:08você tá ouvindo é um trechinho da

1:03:09conversa que eu tive com ele para um

1:03:11outro episódio em que a gente também

1:03:13mergulhou na aceleração do tempo

1:03:16Episódio 43 corra humano corra E aí a

1:03:19gente não dá atenção ao tempo porque a

1:03:22gente tá lá pagando conta trabalhando

1:03:24cuidando da casa por causa disso durante

1:03:26a própria passagem do tempo a gente não

1:03:28vê o tempo passar quer dizer fazer

1:03:30muitas tarefas diferentes faz com que a

1:03:31gente esqueça do tempo e por isso ele

1:03:34parece estar passando mais rápido

1:03:35enquanto a gente tá fazendo essas coisas

1:03:37ou seja o aumento da complexidade do

1:03:39mundo ou o aumento da entropia do

1:03:41universo faz a gente perceber o tempo

1:03:43acelerado Mas essa é só uma parte da

1:03:46nossa percepção do tempo a outra parte

1:03:48tem a ver com a memória como a gente

1:03:50percebe a passagem do tempo quando

1:03:52lembra de algum período da nossa vida é

1:03:54o chamado paradoxo das

1:03:56férias quando você tá fazendo muita

1:03:59coisa diferente o preço que você paga

1:04:01que durante a passagem do tempo você não

1:04:03percebe mas na memória essas coisas

1:04:05parecem ser estendidas é o que a gente

1:04:07chama de paradoxo das férias então

1:04:09quando você tá em férias fazendo algo

1:04:11divertido o tempo passa voando e aí

1:04:14quando você olha para trás parece que

1:04:16aquela férias durou muito mais do que a

1:04:19sensação que você teve durante mas bom

1:04:21férias são férias né pelo menos deveriam

1:04:25ser mas enfim como muitas das nossas

1:04:27atividades são rotineiras responder

1:04:29mensagens se deslocar pro trabalho rolar

1:04:31o fío do Instagram assistir uma série

1:04:34antes de dormir parece que a gente não

1:04:35tem uma marcação tão explícita desses

1:04:38eventos e a gente tem dificuldade de

1:04:40lembrar de gravar aquelas experiências E

1:04:42aí parece também que o tempo passou

1:04:44muito

1:04:45rápido enfim a complexidade de tarefas

1:04:47da vida moderna faz a gente sentir que o

1:04:50tempo tá acelerado o aumento de entropia

1:04:52do universo aumenta idade da nossa vida

1:04:55e se a entropia sempre aumenta é natural

1:04:57a gente concluir que pra gente o tempo

1:04:59vai parecer passar cada vez mais

1:05:01depressa até que toda a energia esteja

1:05:03espalhada e que todos os cantos do

1:05:05universo alcancem a mesma temperatura e

1:05:07que tudo pare até o

1:05:23tempo

1:05:25[Música]

1:05:32terminar como de costume eu quero te

1:05:33falar da Rádio guarda-chuva nossa rede

1:05:35de podcasts jornalísticos que tem mais

1:05:38de uma dezena de podcasts sobre os mais

1:05:40diversos

1:05:42assuntos e hoje eu queria te convidar a

1:05:45escutar o pauta pública podcast de

1:05:47entrevistas dos nossos parceiros da

1:05:48agência pública que sempre traz

1:05:50reflexões atuais sobre o que tá

1:05:52acontecendo no país procura aí pelo

1:05:54pauta pública no seu aplicativo de áudio

1:05:57Favorito escuta que você não vai se

1:06:00[Música]

1:06:03arrepender termina aqui o Episódio 99 de

1:06:07escafandro Obrigado por escutar e até o

1:06:10próximo

1:06:12[Música]

1:06:17mergulho Oi aqui é a noria kem e eu falo

1:06:20de Londrina

1:06:22Paraná esse episódio contou com a

1:06:24locução adicional de Priscila pastre a

1:06:27edição é do Mateus Marcolino e o apoio

1:06:29de produção da Ana Carolina

1:06:31Maciel A mixagem de som foi feita pelo

1:06:34Vittor coroa a trilha sonora tema é do

1:06:36Paulo Gama o design das Capas dos

1:06:39aplicativos e do site foi criado pela

1:06:41Claudia

1:06:42furnari e a direção o roteiro e a

1:06:45sonorização são do tomá

1:06:47[Música]

1:06:50[Risadas]

1:06:51[Música]

1:06:53kavine

1:06:55[Música]

1:07:09tiar esse podcast apresentado por

1:07:14b9.com.br

1:07:19[Música]

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