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Da Fenomenologia à Clínica (Minidocumentário com Feijoo, Larissa Abrão e Gabi Franco)

Nosso Gabinete · 5,229 words · 24 min read

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Full transcript

0:14[Música]

0:18[Aplausos]

0:23[Música]

0:33[Aplausos]

0:45triação preparar para o pouso o que que

0:48eu falo o título do documentário é a

0:51chamada do documentário a chamada do

0:54documentário fala sobre existencialismo

0:57humanismo eu já começaria

1:00uma operação já a princípio a chamada do

1:03documentário já me provoca uma certa

1:07inquietação porque humanismo

1:10existencialismo tudo isso já para mim já

1:13implica nenuma crítica né todo ismo é o

1:17reducionismo é a redução de um

1:20determinado saber aqueles princípios

1:24aqueles fundamentos por isso que

1:26normalmente eu falo psicologia

1:28existencial e não existencial

1:30psicologia humanista e não humanismo

1:33porque eu compreendo que essas

1:37psicologias que nós chamamos de bases

1:40fenomenológicas eh já tal como a própria

1:44fenomenologia nos encaminha é muito mais

1:48uma abertura e não uma redução Então o

1:52que a gente quer é abrir o pensamento

1:55abrir a ideia para muitas possibilidades

2:00tal como é a própria existência humana

2:02existência é o próprio possível para os

2:06possíveis né existência é a liberdade é

2:09angústia como Liberdade da possibilidade

2:12para as possibilidades por abertura

2:15fenologia

2:17é entender então A

2:20fenomenologia que que é A

2:23fenomenologia se a gente olhar A

2:25fenomenologia pelo viés da filosofia

2:30a gente vai pensar na fenomenologia como

2:32uma

2:33epistemologia ou seja como um modo ou um

2:37caminho de

2:39conhecimento do modo como se dá o

2:42conhecer então toda a epistemologia quer

2:46saber de onde vem o conhecimento e de

2:49que modo se pode conhecer então A

2:51fenomenologia é como filosofia ela

2:55aparece para de alguma forma rebater o

3:00empirismo e o o idealismo e com os seus

3:05dobramentos

3:06idealismo que vai que pode ser visto

3:10como racionalismo ou seja de um

3:12desdobramento do racionalismo e eh um

3:16empirismo como um dos desdobramentos do

3:19Realismo

3:20então cada uma delas vai dizer que se

3:25conhece por exemplo no idealismo a

3:27partir da ideia então a origem todo

3:30conhecimento está na ideia e o realismo

3:32diz que tudo que se conhece se dá a

3:35partir do Real então nós temos aí duas

3:39perspectivas que são dicotômicas ou seja

3:42eh isso não quer dizer que se abandone a

3:46outra parte ou seja o empirismo NS está

3:50dizendo que não precisa da Razão nem a

3:53razão não tá dizendo que não precisa do

3:54empírico só que no idealismo a a a razão

4:00tem soberania e no empirismo a soberania

4:03do Real quando A fenomenologia surge o

4:07objetivo da da fenomenologia em Russel é

4:10justamente romper com essa dicotomia que

4:14privilegia um dos modos ao outro então o

4:18que rúsia tá dizendo é essa soberania

4:22não está nem na razão nem no real ela

4:26está naquele lugar onde razão e real se

4:30encontra eu meio eu tento dizer assim na

4:33fenomenologia Se você retirar uma das

4:36partes ou se você tirar a potência de

4:38uma das partes a outra desaparece porque

4:41uma só pode se eh existir com a outra é

4:46cor originária é isso que a gente chama

4:48cor originária ou seja aparecem juntas

4:51então no empirismo Não há nada é qu

4:54originário tudo nasce de uma das partes

4:57no no racionalismo não é nada com

4:59originário tudo nasce a partir da outra

5:02parte e rússio então precisa romper com

5:05essa dicotomia e rompendo com essa

5:08decodom des todo

5:11conhecimento nasce do encontro relação

5:15relação relação isso aí bom isso

5:19interessa pra

5:21psicologia interessa muito então vamos

5:25ver nós podemos falar agora de três

5:28psicologias uma psicologia que abraça

5:33esse pensamento racionalista e que vai

5:36colocar toda a a

5:39sua o seu saber psicológico no sujeito

5:43na consciência e vai dizer tudo nasce

5:46aqui eh isso é a origem de tudo ou então

5:49vai dar mais valor mais prevalência a

5:53razão ao sujeito e o empirismo vai dizer

5:56não a mente é uma tábula rasa tudo na

5:59nasce da tudo nasce do meio do mundo do

6:03das eu não vou chamar de experiência

6:05porque experiência para mim é outra

6:06coisa mas do empírico do real e A

6:09fenomenologia vai dizer assim bom e os

6:12dois sem dúvida eh criam possibilidades

6:16para que apareça uma psicologia Sem

6:18dúvida nenhuma eu preciso dessa ideia

6:21racionalista para dizer existe uma

6:23consciência existe um psiquismo existe

6:26um sujeito que tem determinados

6:29elementos e que esses elementos têm uma

6:32estrutura e uma dinâmica própria que é

6:34justamente a estrutura e dinâmica que

6:36dão bases para que surge o psiquismo

6:38como se o psiquismo fosse algo também

6:42naturalmente dado e aprioristicamente

6:44dado mas existem psicologias que se

6:47apoiam no empirismo e dizem que a mente

6:49é uma tábula rasa e que a partir do

6:51mundo que esse psiquismo se constitui e

6:55há algumas leis que

6:57eh cadenciando a formação desse

7:00psiquismo que a gente vai chamar de

7:02comportamento também existe o que A

7:04fenomenologia tá dizendo é que não

7:07existe nada nesses polos tudo só vai se

7:12constituir nesse encontro isso é relação

7:15é existência por isso que psicologia

7:18existencial é a psicologia que vai pegar

7:22o modo de ser na própria existência

7:24nesse próprio encontro né então a

7:28psicologia bebe dessa essas Fontes

7:30evidentemente senão a psicologia não se

7:33constituiria tal como se constituiu né

7:36ela não existiria eh do mesmo jeito que

7:39a Sociologia né não existiria nem a

7:44antropologia porque elas partem desses

7:47pensamentos filosóficos de Base ok

7:50depois elas ganham autonomia porque

7:52depois depois que eu construí o

7:54psiquismo por exemplo a psicanálise

7:56depois que ela constrói o psiquismo ela

7:58não precisa nem mais falar que a a

8:01epistemologia de Base é cant mas é óbvio

8:04que a psicanálise é canana como base do

8:07pensamento é cant Ok então o que que a

8:11gente vai dizer como base desse

8:12pensamento é A fenomenologia e A

8:15fenomenologia é base por quê E é base de

8:18quê das psicologias que priorizam a

8:23relação prioriza a relação ao sujeito e

8:27ao mundo não Tá negando que eles não

8:30existam só tá dizendo que tudo nasce

8:32desse encontro dessa relação né a gente

8:35até podia falar assim as

8:37psicologias com ênfase na relação uhum

8:41né e a gente fala psicologias de base

8:44fenomenológica O que que a gente tá

8:46querendo dizer com isso é de base

8:49fenomenológica porque a base do

8:51pensamento filosófico não é por exemplo

8:54nem o empirismo nem o racionalismo quer

8:56dizer de onde a gente pensa de onde vem

8:59o o pensamento pra gente

9:01eh pensar na existência e não no homem

9:05que a gente nem vai usar mais a palavra

9:08homem e por que que a gente Evita usar

9:10essa palavra homem embora as filosofias

9:12usem muito

9:13eh porque homem te remete a algo da

9:18Ordem do biológico e a evolução né da da

9:23coisa é e do biológico né que a gente

9:26sabe que o que domina o pensamento hoje

9:28é o biologismo quase tudo a gente tenta

9:32mostrar que é biológico eu não tô

9:34negando que o biológico tenha seu lugar

9:36mas o lugar que me interessa é o da

9:38existência eu não sou médica eu não vou

9:41atuar no biológico Onde eu posso atuar é

9:44no modo como uma pessoa articula

9:46existência é isso então que dá bases

9:50condições para que a gente fale de

9:52Psicologia de bases

9:54fenomenológicas E aí a gente vai pensar

9:57né mas então Quais são as psicologias

10:00de base fenomenológicas propriamente

10:02ditas né as psicologias de bases

10:05fenomenológicas propriamente ditas são

10:08aquelas que priorizam a relação

10:12e não prioriza nenhum dos polos A

10:16questão não é negar que os polos

10:19existam a questão é qual é a

10:22prioridade vamos lá aquelas que

10:25priorizam o Polo do do idealismo elas

10:31partem da ideia de que existe uma

10:33estrutura psíquica Prior aquelas que

10:37partem da do do do empirismo elas

10:41participam da ideia de que a priori O

10:43que é existe é o mundo e aquelas que

10:47partem da ideia de que essas duas coisas

10:50não é prioridade que a prioridade é a

10:53relação nós podemos chamar de Psicologia

10:56de bases

10:58fenomenológicas ou até encontrar um

11:00outro nome né que é muito difícil

11:02encontrar

11:49aqui você tem os cocos de

11:53Guariroba e aqui uma Guariroba

11:57Menor Ela vai abrindo algumas folhas as

12:01folhas vão se

12:02diferenciando E aí quando ela tá média

12:07digamos assim um bom momento para cortar

12:10para

12:28comer ah

13:11já se perdeu já peru

13:19[Música]

13:58l eu tô preparando agora uma

14:02apresentação em que eu vou falar sobre a

14:05terceira margem do rio do Guimarães Rosa

14:08eh é óbvio que eu vou falar do entry né

14:12para poder falar da da Clínica né porque

14:15tudo que se dá por exemplo numa relação

14:17Clínica é no entre não é em uma um dos

14:20polos quer dizer embora algumas

14:23psicologias né Eh considerem que é um

14:27dos polos um do um do os polos é o que

14:30observa e o outro Polo é observado e o

14:34que observa observa a partir do que ele

14:37chama evidência por exemplo então ele

14:40meio que retira aquilo que ele vê do

14:44fluxo e com isso ele consegue dizer você

14:47é Uhum você tem essa característica como

14:52se a característica pudesse existir fora

14:54da existência bom mas por que que eu tô

14:57falando da ideia do Rio o próprio

15:00Guimarães Rosa quando ele fala do pai né

15:04que vai morar na terceira margem do rio

15:06com a sua canoinha que ele

15:08construiu o que que para mim o que que

15:11Guimarães Rosa tá falando né que existem

15:13as duas margens vamos lá continuando a

15:16conversa Realismo por um lado e pirismo

15:19pro outro existem as duas margens mas

15:22existem existe também uma margem que a

15:25gente não considera margem que é a do

15:26fluxo é a do fluxo

15:29espacial e temporal uhum eh e esse fluxo

15:33especial espacial e temporal mesmo

15:36porque é fluxo não é evidente nunca uhum

15:40nem apreensível nem descritível exato É

15:44fal áu falando em Água né de um

15:47pouquinho da água aí ó essa água veio do

15:48rio ó

15:52é mas não é mais rio mas não é mais Rio

15:55é água né ou seja a ideia do Rio é

16:00exatamente isso né Ou seja a ideia da

16:02existência por exemplo por que que uma

16:05Psicologia de base existencial não vai

16:07trabalhar em

16:08laboratório porque trabalhar em

16:10laboratório implica em tirar aquilo que

16:13você quer estudar do fluxo uhum

16:16exatamente aí eu tirei do fluxo eu não

16:18tenho mais a

16:20existência eu tenho um

16:23comportamento dado sobre determinadas

16:26condições como é que eu vou alcançar a

16:28existência

16:29se eu tiro as as variáveis com as quais

16:33a existência acontece o acontecimento da

16:36existência desapareceu Agora sim agora

16:39quando eu retiro eu posso falar das

16:41evidências eu digo assim a pessoa

16:43resolve determinado problema com o

16:46pensamento abstrato mas eu tô vendo a

16:49pessoa eh n um quadro eu limitei eu

16:53tirei a pessoa do fluxo igual como eu

16:56tirei esse essa água do rio Hum e o que

16:59eu estou vendo mais não é o rio é a água

17:02n um copo do mesmo jeito na existência

17:05se eu levo pro laboratório o que eu tô

17:07vendo mais não é existência Mas é uma

17:10pessoa que resolve um determinado

17:13problema em determinadas

17:15condições em condições controladas algo

17:19que a existência nunca é existência

17:21humana ela é

17:23surpreendente e ela tal como um rio ela

17:27não pode ser a analisada fora do seu

17:30fluxo porque aí eu tô analisando outra

17:32coisa eu tô vendo outra coisa mas o

17:36acontecimento da vida ele desaparece né

17:40Vamos chamar de acontecimento

17:41existencial para não confundir vida com

17:43biológico

17:44[Música]

17:50né acho que a psicologia existencial se

17:53baseia principalmente naquilo que é

17:56trazido pela pelo sujeito a partir da

17:59experiência né então tem um foco grande

18:03aí a Ana falou não é empirismo Não é

18:07esse tipo de experiência mas é a

18:08experiência de vida então eu diria que a

18:13psicologia existencial tem também como

18:15marca

18:17eh o modo de olhar pra angústia né essa

18:21esse esse foi um ponto de discussão eu

18:25acho que comum a todos os grandes

18:28filósofos da existência se a gente pegar

18:30desde o Kirk depois niet depois Sartre

18:33ah depois alber cami depois bube então

18:37essas pessoas estão falando da angústia

18:39primeiro como parte da condição humana

18:42né depois a angústia como parte do

18:45movimento existencial então a angústia é

18:48aquilo que nos coloca em movimento e a

18:51psicoterapia existencial nas suas

18:53variações todas Traz essa angústia pra

18:56cena terapêutica primeiro porque que é

18:59algo que a gente contemporaneamente acho

19:02que tende a evitar muito né a angústia

19:04passou a ser vista na sua valoração

19:07negativa e a gente vai ter em heidegger

19:10eh em Kirk gard em sre eh essa angústia

19:15sendo olhada Como peça fundamental de

19:19incômodo que a gente tem de perturbação

19:21que a gente tem E que nos coloca sempre

19:24em movimento que nos coloca para andar

19:26né e e para buscar buscar as novidades

19:30do mundo para buscar o novo na nossa

19:32existência Então acho que esse olhar

19:34sobre a angústia né é algo que dentro da

19:38psicoterapia A gente ajuda a pessoa a se

19:41aproximar dessa angústia numa outra

19:43conotação que não seja eminentemente

19:45negativa

19:46eh e a gente dá muito valor para aquilo

19:50que a pessoa experiencia pro modo como

19:52ela vivencia eh afetos como ela vivencia

19:58mundo pro modo como ela vivencia as

20:01relações então Eh eu diria que isso é o

20:07que é o que dentro da psicoterapia

20:10existencial

20:12combate as prescrições do mundo né então

20:15é colocar a pessoa em contato com aquilo

20:18que ela tá

20:19experienciando e tentando ver como

20:22aquilo é importante para ela

20:24independente do que está prescrito

20:26independente do que se espera até para

20:29ela ter a liberdade de fazer o que se

20:32espera se for essa a decisão né acho que

20:35também se trabalha muito dentro da

20:38proposta existencialista a

20:40responsabilidade que a pessoa tem com a

20:43própria existência Isso tá muito

20:44presente por exemplo no Sartre né ele

20:47vai dizer que a gente não pode se

20:49esconder da liberdade então a gente tem

20:52que assumir a liberdade porque até o

20:54esconder-se até o negar a liberdade é o

20:58uma escolha que demanda responsabilidade

21:00pelos efeitos Então acho que essa também

21:03é uma temática importante né a gente às

21:06vezes recebe muito no consultório aquela

21:08pessoa que tem um olhar pro mundo meio

21:11vitimista o mundo é mal comigo Ah o

21:14mundo me tornou alguma coisa que eu não

21:17quero que eu não gosto então a gente

21:20traz paraa cena também essa

21:23responsabilidade pela mudança pelo

21:25movimento que você faz dentro da sua

21:28existência

21:29e Pelo modo como as suas relações são

21:31constituídas né então acho que essa é

21:34uma questão essas todas são questões

21:36muito caras a psicoterapia existencial e

21:40no modo como ela influencia outras

21:42psicoterapias acho que também essa é uma

21:44marca importante essas né são marcas

21:47importantes por exemplo na gestão de

21:49terapia a gente vê muito do

21:52existencialismo da proposta

21:54existencialista Nessas questões

21:56responsabilidade

21:59experiência sobretudo N E aí eh eu diria

22:03que o existencialismo se

22:05espalha por outras áreas da arte

22:09ah do da filosofia da sociologia do

22:14cinema exatamente todas as suas formas

22:17artísticas eu acho que a gente tem ali a

22:20marcação do existencialismo

22:24e seja no cinema alemão por exemplo né

22:27seja na pintura na literatura como você

22:31tá dizendo o existencialismo tem tem

22:35influências amplas porque ele nos coloca

22:39para

22:40pensar questões que vinham sendo

22:42pensadas de um jeito muito influenciado

22:45pela psicanálise principalmente né como

22:47se só pela psicanálise se pudesse

22:50alcançar alguma reflexão profunda e daí

22:53o existencialismo vai nos mostrar que

22:56não é bem assim

23:03então a psicologia humanista eu acho que

23:05aí fazendo um contraponto né com o que a

23:07gente falava

23:08eh sobre a influência do do

23:12existencialismo acho que a psicologia

23:14humanista psicoterapia humanista tem

23:16como marca

23:17principal o otimismo né se a gente pega

23:20o Rogers especialmente no primeiro

23:22momento do Rogers a gente ainda tem

23:25muito a ideia de que e é possível

23:31eh quase que extrair da pessoa a melhor

23:34versão dela se você for capaz de amá-la

23:38então Rogers vai acreditar que o

23:40terapeuta teria Esta função esta tarefa

23:44de amar o seu cliente para

23:48assim fazer com que ele sinta que esse

23:52amor é transformador né E que esse amor

23:55representa de certa maneira o amor que a

23:58humanidade

23:59também pode sentir por ele então eu

24:01diria que o humanismo

24:03Eh aí falando do humanismo na psicologia

24:06ele vem com a característica de retomar

24:10né Isso tá inclusive na carta do Maslow

24:13quando ele se dirige a comunidade de

24:16pesquisadores né ele vai dizer eu eu

24:18gostaria de retomar coisas que se

24:21perderam Porque estávamos aí num século

24:26entre guerras né o momento em que o

24:28movimento humanista em em psicologia

24:31aparece a gente tá ali entre a segunda

24:33guerra entre a Primeira Guerra desculpa

24:35e a segunda guerra mundial então de

24:38maneira geral o clima no ocidente era um

24:41clima

24:43pessimista então o Maslow tinha a

24:47preocupação de congregar pessoas que

24:51estivessem interessadas em Pesquisar

24:54temas que ele considerava mais elevados

24:56então amor amizade os altos valores ele

25:01chamava assim né por isso que ele

25:03convida pessoas para compor a chamada

25:06rede eupsiquiana Então se o Rogers tem

25:10um papel fundamental na popularização do

25:12movimento o Maslow tem um papel

25:15fundamental na organização do movimento

25:18na sistematização na proposta de ter um

25:21um lugar um espaço de escoamento dessa

25:25produção né Essa produção não era aceita

25:29nas revistas que circulavam tanto que

25:31Rogers e Maslow vão fundar um jornal de

25:34Psicologia uma um periódico específico

25:37de psicologia humanista exatamente para

25:40trabalhar com isso que eles achavam que

25:43poderia traduzir o potencial da

25:46humanidade que tava se perdendo pelo

25:48clima pessimista geral então eu entendo

25:52que isso ficou

25:54reverberante na psicologia humanista na

25:57na psicoterapia humanista especialmente

25:59sobre a influência desses fundadores aí

26:02né esses fundadores do Movimento em

26:05psicologia Então entendo que o otimismo

26:09a preocupação em mostrar pro cliente e

26:13colocar na relação terapêutica uma noção

26:16de amor né uma noção de aceitação

26:20Incondicional

26:21eh e aí no caso do Rogers né

26:25Especialmente na primeira parte da sua

26:28obra a tendência atualizante que depois

26:30eh isso isso vai perseguir a a a a

26:35teoria do Rogers mas e ele vai mudando

26:39de de ênfase né ele vai deixando de

26:43enfatizar isso para ir enfatizando a

26:45questão da experiência ele também eh mas

26:48eu diria que a psicoterapia humanista

26:51tem para mim essas duas características

26:54mais marcadas a de acreditar nesse

26:58potencial humano de entender que

27:01ah a gente tem um potencial de

27:04crescimento paraa realizar e que a

27:07principal tarefa da terapia é essa né de

27:11colaborar para que o cliente para

27:13facilitar

27:14ah a vida do cliente no sentido de que

27:19ele alcance o seu potencial Total seu

27:22potencial pleno de crescimento e aí pro

27:25Rogers uma das Ferramentas para se fazer

27:27isso é o

27:34amor bom eu trabalho com Guess de

27:37terapia né e é interessante porque acho

27:41que a abordagem também escolhe a gente é

27:44quase inescapável né já contei essa

27:46história várias vezes mas eu fiz

27:48estágios em psicanálise

27:51e eu fui

27:53desencorajada a seguir pelas

27:57supervisoras porque eu falava muito né

27:59fazia muitas intervenções

28:01eh então na gestalte terapia eu achei o

28:07espaço para me apresentar também como

28:10instrumento terapia né Não só pela

28:14projeção Mas pela criação também pela

28:17criação da relação né entendendo que ali

28:20eu represento uma parte desse Campo eh

28:25que produz a relação terapêutica e ainda

28:28interessante dizer G terapia é uma

28:30terapia de base fenomenológica de base

28:33existencialista de base humanista né são

28:36muitas as influências E isso também me

28:38faz admirar a guest terapia porque ela

28:42admite as influências que ela teve e de

28:46certa maneira eh todas essas influências

28:49se juntam para formar uma teoria própria

28:51né formar uma proposta interventiva

28:54própria e que sinaliza para para esse

28:59campo entre terapeuta e cliente ou

29:02paciente ou consulente

29:05eh um campo de cocriação né Não no

29:09sentido que essa palavra ganhou

29:11aí meio banalizada mas no sentido de

29:14entender que criamos juntos na relação

29:18terapêutica e só naquela relação naquele

29:21espaço criamos juntos né terapeuta e

29:25cliente eh

29:28não só a relação mas os afetos o que

29:31circula ali o que aparece ali e e que

29:35vem do estar no mundo do cliente é uma

29:39criação em que o terapeuta também

29:41participa da qual o terapeuta participa

29:44ativamente então

29:46Eh como uma psicoterapia que tem como

29:49base humanismo

29:51fenomenologia existencialismo e não é só

29:56cada uma dessas me sinto muito

29:58satisfeita na gestalte

30:05terapia a gente pode começar por aí acho

30:09que vai ficar legal

30:10e eu recebo muito essa pergunta se se A

30:14fenomenologia existencial trata

30:17transtorno de Déficit de Atenção se

30:19trata depressão se trata e

30:23esquizofrenia Eu costumo dizer não nós

30:25não tratamos transtornos mentais nós

30:28cuidamos de pessoas e o que que isso

30:30significa na prática não é porque parece

30:33bonito não tratamos transtornos mentais

30:37cuidamos de pessoas parece slogan de

30:40campanha

30:41né mas na verdade nós estamos procurando

30:46singularidade então o que que existe

30:48para além de um nome o que que existe eh

30:53nesse sofrimento que nem tem nome nesse

30:56sofrimento que nem tem tem nome e eu e

30:59Larissa tivemos trigêmeos agora e muito

31:03interessante que realmente né nós

31:07tivemos que assim nos valer e sou muito

31:11agradecida por isso aos recursos da

31:16Medicina das pesquisas o que tinha de de

31:20melhor ao nosso alcance né aqui na nossa

31:23na nossa cidade na nossa região e assim

31:27tem tem caminhos muito bem definidos

31:30para coisa né mas quando a gente tá

31:32falando em Saúde Mental Não é assim que

31:35se dá porque tem elementos que só

31:41aparecerão nesse encontro clínico e

31:44quando quando eu faço algo que parece

31:47assim absurdo que é abrir mão do meu

31:49saber que é abrir mão desses aspectos

31:54então Gerais para fazer um mergulho

31:57nesse fluxo né para ir pra terceira

32:01margem do rio e encontrar aquilo que só

32:07se mostra ali dentro dessa

32:21singularidade vivemos tempos em que

32:24nomes são importantes nós vivemos os

32:28tempos em que

32:29diagnósticos são importantes e o foco de

32:33interesse então é buscar aquilo que tá

32:36para além do diagnóstico buscar para

32:38aquilo aquilo que tá além do nome que

32:41muitas vezes nem tem

32:48nome quando o nosso gabinete surgiu

32:51surgiu para pensarmos o nosso fazer

32:53clínico e para ensinar mesmo da teoria a

32:57prática prática Clínica quando eu fiz o

32:59convite para Feijó para fazermos o

33:01clínica da existência e foi uma grata

33:04surpresa ela se

33:06aceitar foi um encontro muito bacana né

33:09nós três Larissa eu e ela para falarmos

33:12mesmo de prática Clínica é isso que eu

33:14queria levar o aluno para esse encontro

33:17com o fazer Clínico para responder

33:20dúvidas do tipo como é que é isso que eu

33:25Oli lá no livro Como é que eu uso ali no

33:28consultório ali com o meu

33:35paciente se você tem um paciente que

33:38chega e diz eu tô muito cansado do meu

33:41trabalho tô pensando em sair nesse

33:43trabalho Nós temos muitas coisas para

33:45explorar aí por exemplo a palavra

33:49cansado ele usa essa palavra cansado

33:52então você vai com ele até esse cansaço

33:56você vai com ele el até essa palavra

34:00cansado você mergulha com ele nesse

34:04cansaço você acompanha esse fluxo queria

34:07te ouvir me contando mais de como é esse

34:11cansaço queria que você me Contasse e

34:15como é o seu dia no trabalho e me me

34:18conta uma cena em que você se sente

34:20muito cansado ou quando você tá vivendo

34:24o seu dia de trabalho você tá pensando

34:26lá sobre isso sobre estar cansado Isso é

34:29uma consciência que vem depois quando

34:32você finaliza quando você tá em casa

34:34quando você faz uma comparação então

34:37mergulha com ele nesse cansaço tentar

34:40entender eh o que que esse cansaço

34:42convida essa pessoa a fazer quando você

34:46me diz que tá cansado tirar férias te

34:49parece algo

34:51que levaria alguma solução para isso o

34:55que que seria uma

34:58solução E aí é muito interessante Olha a

35:01palavra solução aqui né O que que te

35:04parece uma possível Solução Não É o

35:07terapeuta que vai apontar essa mudança

35:10esse caminho de mudança mas eu vou

35:15abrindo com ele de modo que ele consiga

35:20pensar

35:21experienciar ou seja sentir mais coisas

35:25ele consiga também enxergar ver né ver

35:30parece uma palavra até um pouco

35:33mais completa para cá

35:36e que que ele vai ver ali De repente

35:40nessa conversa ele vai dizer sabia que

35:42eu nem queria ter seguido essa profissão

35:45E aí ele vai te contar alguma coisa que

35:48aconteceu em âmbito familiar e você pode

35:51explorar algo para nós fundamental que é

35:55a relação desse paciente consigo mesmo

35:58num segundo momento você vai pode de

36:01repente explorar a relação desse

36:03paciente com os outros explorar um um

36:08terceiro aspecto que é a relação dele

36:10com o mundo e aí ele de repente vai te

36:13contar que sente que

36:16eh seria importante para ele ter pegado

36:19esse caminho profissional porque nesse

36:21caminho profissional por exemplo tem uma

36:24remuneração maior do que um outro

36:27caminho profissional que ele pensava em

36:30seguir então quando a gente tá falando

36:33em perspectivas de base fenomenológico

36:35existencial nós não perdemos de vista eh

36:39essa esse essa questão relacional né ou

36:42seja como esse paciente se articula com

36:46a vida se articula com esses elementos

36:50em questão que estão surgindo no diálogo

36:53que estão surgindo nessa história que

36:55ele tá contando para você na psicologia

36:58humanista tem a palavra autenticidade e

37:01autenticidade não é uma volta para um eu

37:06essencial a gente não acredita em eu

37:10essencial então quando eu tô falando de

37:12autenticidade eu tô falando de encontrar

37:14o que naquele momento parece mais

37:17legítimo mais honesto para esse paciente

37:21né não você encontrar por ele mas

37:25ouvindo sustentando esse espaço do

37:28encontro terapêutico com

37:30ele desse modo então entendemos que ele

37:34pode ter esse encontro consigo próprio e

37:38com aquilo que é mais legítimo para ele

37:40então o trabalho da terapia é um

37:42trabalho em que nós estamos fazendo esse

37:44mergulho com o paciente ou limpando né

37:50tirando essas prescrições do mundo para

37:53que ele consiga encontrar o que é mais

37:56honesto para si tomar o seu caminho

37:58eh quando eu falo tomar o seu caminho

38:02não pense que ele vai fazer isso de um

38:05modo leviano ou de um modo em que ele

38:09não tenha o mundo contrastando com ele

38:13né mas é justamente uma tensão entre

38:17entre esse eu entre ser alguém entre ser

38:20quem ele é e estar no mundo onde ele

38:23vive então acho que é muito interessante

38:26o terapeuta

38:28chegar e

38:30ou procurar caminhos para que a gente

38:33consiga chegar nesse lugar do eu quero

38:37eu quero e às vezes sustentar o eu quero

38:41mas eu não devo e quem é que disse que

38:44não deve e poder colocar isso sempre no

38:47jogo ali na conversa então a gente tá

38:50falando de liberdade a gente tá falando

38:53de

38:53responsabilidade a gente tá falando de

38:56autenticidade a gente tá falando de

38:59angústia nós estamos falando de escolhas

39:02de finitude né e e tudo mais e essas

39:08psicologias levantaram como questões

39:12principais quando eu vou explicar para

39:14um paciente o que eu faço ou até em

39:16aulas eu costumo dizer que o terapeuta é

39:21alguém

39:22que tá junto com esse paciente para

39:26repensar relações pressas e certezas

39:31então relações como esse paciente

39:33relaciona consigo com os outros e com o

39:36mundo todas as pressas tem pressa para

39:39alcançar tal coisa e por quê

39:42E o que isso vai mudar e aí quando

39:46quando você alcançar isso que você tava

39:48imaginando eh o que que vai sobrar será

39:52que vai ter chegado de fato lá porque é

39:56muito interessante n como a gente vai

39:57procurando determinadas seguranças assim

40:00o que que sobra depois que você chegou

40:02nesse lugar de

40:04segurança então a relação com o mundo né

40:08a relação com as pessoas ão relações

40:11pressas e certezas às vezes esse

40:14paciente chega muito certo de que algo é

40:17aquilo aquilo mesmo e não é que ele

40:20esteja errado mas é que aquilo é aquilo

40:24mesmo e pode ser mais um monte de outras

40:27coisas ou eu posso inaugurar um novo

40:29jeito de olhar para aquilo se eu vou

40:33construindo boas perguntas e se eu vou

40:35sustentando com esse paciente não só a

40:38partir das perguntas mas

40:40Inclusive a partir do silêncio ou de até

40:45afirmações eu vou sustentando com esse

40:48paciente uma uma curiosidade uma

40:52descoberta e eu diria que esse terapeuta

40:55existencial humanista tá trabalhando

40:58Então elementos da liberdade e do

41:00conflito dessa Liberdade voltando para

41:03esse exemplo de um paciente que diz eu

41:05tô cansado do meu trabalho nós falamos

41:08de explorar essa palavra cansado de de

41:12explorar a palavra trabalho com ele

41:16significado dessa palavra trabalho

41:19daquele trabalho em específico também né

41:22daquele trabalho que foi escolhido por

41:24ele em algum momento e aí ele pode

41:29chegar à conclusão por exemplo de que na

41:32verdade não é saindo do

41:34trabalho porque o mais rápido o mais

41:38prático ali De repente é você ficar

41:41aprisionado com esse paciente numa

41:43conversa que é sobre sair ou não sair do

41:47trabalho mudar ou não mudar de carreira

41:50enquanto na verdade você pode ter outros

41:53elementos para

41:54explorar que é por exemplo voltando para

42:00como esse paciente se enxerga então ele

42:02pode te dizer eu me sinto um um fraco eu

42:06me sinto um um burro eu me sinto um sei

42:09lá né E de você deixar isso né de

42:13visitar também isso com ele Olha como

42:16essa conversa que parecia ser sobre sair

42:19ou não sair do trabalho ela na verdade é

42:21uma conversa muito mais profunda carrega

42:25muit muitos elementos aí da relação

42:28desse paciente consigo próprio Engraçado

42:31que quando eu falo Desse exemplo do

42:33trabalho eh me lembrei aqui de uma

42:36história em que você tem uma pessoa que

42:40quer por

42:42exemplo se separar mas não se separa que

42:45tem ali uma relação de interesse e às

42:48vezes esse psicólogo vai para um lugar

42:50que é assim nossa mas ela não pode estar

42:53numa relação de interesse uma relação

42:57ista E aí a pergunta é também pro

43:00psicólogo Por que que ela não poderia T

43:02falando da autenticidade de chegar a um

43:04lugar mais honesto é essa pessoa poder

43:08reconhecer para si própria que ela tá

43:11numa relação de

43:13interesse e que aquilo

43:17então parece ser o mais importante para

43:21ela naquele momento não é terminar um

43:24casamento e encontrar o grande amor amor

43:27da vida dela a solução ou o caminho o

43:31melhor caminho mas é de repente ela ter

43:35esse encontro consigo e puxa eu tô numa

43:38relação de interesse e o que que isso

43:40conta sobre

43:46mim ele tá ali ao mesmo tempo nesse

43:50caráter de ser com de ser esse outro

43:53para que esse paciente Esteja também

43:55consigo próprio

43:57eu preciso do outro e eu preciso também

44:01dessa honestidade comigo e às vezes vai

44:05ser para me ouvir ouvir o mais legítimo

44:09de mim mesma e às vezes vai ser para

44:14Olha acho que você tá Às vezes muito um

44:18bigado Você tá muito fechado em si e aí

44:23terapeuta vai fazendo esse convite do

44:26fora é preciso a gente abrir um pouco

44:29mais essa essa janela e olhar para algo

44:33que não seja só esse espelho

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