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Documentário - Brasil - Terra de Lutas

Wanderson Portilho · 5,527 words · 26 min read

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0:00เฮ

0:15[música]

0:20[música]

0:26[música]

0:32[música]

0:40Bra.

0:42[música]

0:55[música]

1:16[música]

1:21[música]

1:27[música]

1:33[música]

1:38[música]

1:39Aqui tem luta, ó. Tem luta bem aqui.

1:43Muito antigo. Olha lá. Provavelmente tem

1:46mais de 8.000 anos. Ó lá. enorme. Olha o

1:49tamanho.

1:52[música]

2:05[música]

2:08Eu falei que estava na

2:11[música]

2:13Dinga a simpatia. Isso, diga entender

2:16que aquilo ali é uma luta. [música]

2:17Eu consigo te derrubar. Duvido tu me

2:19derrubares. Sabe como é que é,

2:25não [música] tá bom?

2:29[música]

2:36[música]

2:42[música]

2:44O ser humano luta desde que é ser

2:47humano.

2:48O ser humano luta desde que percebeu a

2:51necessidade de sobrevivência.

2:54A luta foi quem formou a humanidade.

2:58Os grupos lutavam para conquistar novas

3:01terras, impondo aí os seus costumes.

3:05Desde quando nós lutamos? [música]

3:09Estamos no Parque Nacional Ser da

3:11Capivara, onde foram encontrados os

3:13vestígios mais antigos da migração e da

3:17presença do homem nas Américas, [música]

3:19datados de 48.000 anos.

3:22O maior enclave arqueológico do mundo

3:24com mais de 1000 sítios [música]

3:25arqueológicos encontrados, sendo desses

3:28mais de 900 sítios arqueológicos com

3:30pinturas rupestres.

3:33Especificamente aqui houve uma pressão

3:36demográfica, muitas pessoas para o mesmo

3:38local e começaram [música]

3:40e as resoluções por meio de lutas para

3:42distinção social, ou seja, poder.

3:52[música]

3:53esse sistema de comunicação, uma

3:55pré-escrita humana, eles queriam

3:57materializar aspectos do cotidiano ou do

4:00simbólico imaginário, do que eles

4:01imaginavam sobre isso.

4:09Olha lá, foi o último sítio que eu tinha

4:11de visitar sem querer, quando eu olhei,

4:13eu reconheci pela minha expertise em

4:15lutas que isso não era uma coisa comum,

4:17não se comunicava com outros sítios

4:18arqueológicos. Soco, soco com domínio de

4:22uma mão e no final acaba com domínio. Tá

4:24vendo? A gente pode dizer que tá

4:26integrando técnicas porque não tinha

4:27como, naquela época não tinha regras,

4:29regulamentos como hoje. Olha, vocês aí,

4:31os primeiros, só pode fazer soco. A

4:33gente aqui de baixo vai só fazer

4:35domínio. Não, tá aí a diferença desse

4:37painel de todos os outros, de todos. Não

4:39tem outra cena, ou pelo menos não foi

4:42encontrada ainda, [música] em que no

4:44mesmo momento, na mesma matemática, a

4:47percussão, ou seja, socos com agarre,

4:50com domínio. Esses registros de lutas

4:53integradas, como existem hoje no MMA,

4:56mal falando, são muito mais antigas do

4:58que se pensa. Nesse caso aqui,

5:00possivelmente com mais de 6.000 anos.

5:07Não se sabe quando e nem em que época

5:10essas práticas de luta se disseminaram

5:12pelo [música] território brasileiro.

5:14A luta se desenvolve possivelmente

5:17quando os seres humanos mais primitivos

5:19começaram a acreditar na força da lua,

5:23na força do sol e começaram a observar

5:26os ciclos divinos da natureza.

5:30Surgiram aí os ritos religiosos.

5:33A luta [música] em si era um rito.

5:39[música]

6:17[tosse]

7:07[música]

7:29[música]

7:47Nós como lutadores, a gente não pode

7:50ficar sem fazer nada. A gente tem que se

7:52cuidar. É muito duro. A gente tem que

7:56raspar nosso corpo, passar a raiz, tomar

8:00eva pra gente poder sempre ficar com

8:04força, né? para não perder força.

8:07Tá mostrando o cara para vericônio.

8:22Aquele que querer ficar lutador, quando

8:25ele ficar rapaz novo, ele fica ficar

8:27preso tomando remédio, raízes, né?

8:31Continuando passando ranhadeira,

8:32passando remédio para ele ficar forte.

8:36A mãe tem que acompanhar ele,

8:39dá conselho para ele, né?

8:4112, 13, 14 anos a gente começa

8:45a reclus recluso dos jovem, dos meninos,

8:48né? Dessa forma que a gente prepara

8:51um jovem para serem, né, um homem,

8:55principalmente luta ruca ruca, né? esse

8:58objetivo que a gente mais prioriza, né?

9:02Vou dizer assim,

9:06[música]

9:14ó.

9:18Todo dia tem que treinar. Toda a tarde

9:20tem que treinar. De manhã à tarde, de

9:22manhã à tarde. Todo dia tem que treinar.

9:25Fomitando a direta também. Eu eu sofri,

9:29eu sofri, eu sofri mesmo sozinho. Não

9:34tem ninguém. Eu fiquei sozinho pensando

9:36na sua luta, pensando assim: "Poxa, será

9:38que eu vou conseguir? Será que eu vou

9:40conseguir lutar?" Ele ficou no

9:43recolução, ficou

9:46ficou 6 anos recolução.

9:506 anos.

9:51É se aqui muito coisa sério para nós.

9:55[música]

9:59A luta começa assim, chamar o seu

10:02adversário. Você escolhe, né? Você chama

10:04ele, ele vem e faz aquela roda de da

10:06onça, se ajoelha e pega na mão. Na hora

10:09que pegou na mão, tem que pegar aqui no

10:12pescoço, né? e tentar pegar na coxa. Tem

10:16que ser rápido, senão o cara vai tentar

10:18pegar só a coxa também, senão você

10:19perde. [música]

10:23Pera aí,

10:25golpe, né? De bate de costa, senão você

10:29levanta ele do chão ou senão você se vai

10:32por cima dele. Pá, pulou.

10:36Acabou a luta.

10:44Aqui no Camaiá tem oitos. O lutador

10:47profissional, né? Considerado

10:48profissional. Número um é ele. Segundo é

10:52meu cunhado. Terceiro sou eu. Quarto tem

10:55o quarto tem o meu cunhado também. O

10:57verê quinto. Assim vai. No ano de 2002,

11:01eu acho. 2003

11:04é o primeiro título que eu ganhei.

11:06Caríba chama título, né? Primeiro ganho

11:08que eu ganhei do meu adversário.

11:11Eu ganhei respeito aqui e fora. Porque

11:15quando acontece ritual com aup, vem todo

11:18mundo ali,

11:20o os outros aldei olham você ganhando.

11:24Então leva esse notícia pr da aldeia

11:28deles, para todo mundo, né?

11:35O Quarupe é um ritual de homenagem aos

11:38mortos ilustres celebrados pelos povos

11:41indígenas da região do Xingu. A luta

11:44marcial Ruca Ruca é praticada entre as

11:47tribos durante o Quarupe, [música] onde

11:49a força e a virilidade dos jovens é

11:52testada.

11:56Eu gostava lutar,

11:58lutar, sair no centro, na festa. A

12:01mulher também participa. Mulherata tem

12:03que lutar também. que vai igual o luta

12:08do homem também para ir pro igual luta.

12:11Hum.

12:56[música]

13:04[música]

13:43Cada dia tem uns pagé, né? Às vezes o

13:46pagé joga alguns rezas pras contra os

13:50contra os lutadores. Assim que você

13:53passar aonde o pé rezou, aí você sente

13:57algo estranho em você, né? Um você treme

14:01um pouco ou seu coração bate muito

14:03forte, né? Você sente medo, aí você não

14:06vai mais desafiar. Aí o medo fala mais

14:09alto do que você, né?

14:15Campeão, lutador,

14:18não vai casar agora não, só depois. A

14:21gente tem que se preparar

14:25muito, muito bem, né? Né? Não pode ter

14:27relacionamento, sexual com os outros,

14:30né? Tem essas coisas, nessas regras, né?

14:40[música]

14:54[música]

15:02A comunidade indígena se fortalece

15:04através de ritos coletivos, como a

15:07dança, a luta e o banho matinal que

15:11acontece todos os dias antes [música] do

15:13sol nascer.

15:18[música]

15:22[música]

15:25A luta é a expressão da força e saúde

15:29social da comunidade junto às outras

15:31aldeias. A preparação é intensa.

16:31Ol.

16:55[música]

17:04Não há um tempo determinado para cada

17:06luta. Alguns golpes encerram o [música]

17:09combate. Ou os antigos lutadores decidem

17:12pelo empate ou pelo vencedor.

17:19O vencedor tem poder.

17:27Quando eu conheci Ruca Ruca, eu vi o

17:31cara campeão ganhando.

17:33Eu vi pessoa tão [música] feliz. Ele

17:36feliz. Aí fiquei imaginando, pensando,

17:40sonhando,

17:41[ __ ] eu também posso ser. Então foi

17:45muitos trabalhadeira, né? sofrido

17:50até ser nomeado representante do povo.

17:53[música]

18:04[música]

18:33[música]

18:41A luta Marajoa, ela na verdade é uma

18:43modalidade de combate corporal típica da

18:45Ilha de Marajó, praticada inicialmente

18:47pelos cabôclos da ilha hoje em estado de

18:50expansão. Uma prática simples de lazer.

18:53No final do dia de trabalho para aquecer

18:55o corpo antes do banho no engarapé, num

18:57açute, na beira de uma praia. Isso eles

19:01passaram a chamar de agarrada,

19:03derrubada, lambuzada, cabeçada. Era os

19:05nomes que os cabôlos davam.

19:11[ __ ]

19:12na ilha de Marajoá não existe mais

19:13indígenas. Esses indígenas que moraram

19:15aqui e que foram os introdutórios da

19:17população marajoara foram dizimados no

19:19período da colonização portuguesa, sendo

19:21o ruahu como uma prática dessas dessas

19:23tribos podem ter deixado isso como

19:25herança já no período eh colonial.

19:31É uma bruta de projeção pura, é única e

19:34exclusivamente o desequilíbrio do

19:36adversário. Ou seja, não há golpes

19:38contundentes, [música] não há chaves,

19:40não há estrangulamentos, entende?

19:42Derrubou, sujou a costa, acabou o

19:44combate.

19:59É um esporte que eu gosto mesmo. É, é

20:01desde criança mesmo que meu pai lá já

20:04colocava a gente para lutar a troca até

20:06de bombom.

20:07Eu trabalho num bote. Eu tenho um bote

20:09que eu faço a travessia de passageiros.

20:11Tudo para mim diariamente é um

20:13exercício, porque se parar em ferruja,

20:21eu pensei que eu sabia lutar. Passei

20:24morar aqui para e teve um torneio lá no

20:28anfiteatro lá na praça, teve lá um

20:29torneio. Aí eu fui lutar, quando eu

20:32cheguei lá, o cara pegou na minha perna,

20:34eu peguei no meio do cara, o cara me

20:35carregou e bum, não deu nem eu acho que

20:37nem 20 segundos, entendeu? Aí, mas com

20:40aquilo ali eu fui treinando, fui

20:41aprimorando, fui pegando as que era

20:43bacana, eu aprendi e nunca mais

20:44aconteceu aquilo.

20:49[música]

20:54[música]

20:55Quando a gente luta, a gente força muita

20:57perna, abdômen também força muito o

21:00abdômen. Aí vem duas vezes por [música]

21:02semana, a gente vem aqui e faz um

21:05exercícios desse aqui. [música]

21:14É bem sugado. É treino para sugar. Para

21:17sugar [música] mesmo. É para sugar para

21:19ficar bem resistente.

21:22A luta maisada é defesa e ataque todo o

21:24tempo. Defender e atacar todo tempo.

21:28Todo o tempo, entendeu? Então tem que

21:30treinar bastante parte física.

21:33Aí, aí, aí. Tá bom.

21:36[risadas]

21:39Cadê o outro? Cadê o outro?

21:42Ainda tem isso aqui. Com a boca pega na

21:44perna do outro aqui. Se o cara, ó lá, se

21:47o cara puder. Olha, esse é meio ruinzão,

21:50[risadas] sabe? Por quê? Ele não tá

21:52olhando para mim. Ele tem que olhar é

21:54aqui

21:56no meu rosto. É aqui, ó. A nossa

21:57família, como todo mundo sabe, começou

22:00de dois, né? Né? [risadas]

22:03Começou de dois.

22:09Foi eu e ela aqui, né? Não tinha

22:11televisão na época, na lamp, na época da

22:13lamparina, quando acabava a pagava a

22:16luz, daí tinha outro serviço.

22:20[risadas]

22:21Tá errado? Não, eu acho que não, né,

22:23mano?

22:25Para umas eu acho que é diversão, né?

22:27Para mim era esporte. Quando eu era

22:28novo, lutava por esporte. Eu ficava era

22:31bravo quando meu filho apanhava. Quando

22:34meu filho perdia, eu ficava bravo.

22:36Para, filha da [ __ ] [música]

22:39Para, [ __ ]

22:42Abaixa, [ __ ] Leva essa [ __ ]

22:43Torcida

22:46para o primeiro desafio [música] de luta

22:48marajoara em Sour. Dia 10 de setembro,

22:52sábado, no anfiteiado da Praça na

22:54Independência, confrontos [música] entre

22:56os grandes nomes da luta marquara na

22:57região. No c principal Imperial versus

23:00[música] T. Gabriel, gladiador versus

23:03Nabé, Lúcio versus Sombra e Daniel

23:07versus.

23:09Minha morena cheira do amarel.

23:19[aplausos]

23:22Na noite antes do evento, eu fico à vez

23:26não consigo nem dormir direito porque eu

23:28fico pensando no tamanho do cara que vou

23:30lutar se eu vou tombar ou não. Esse

23:33[música] esse principalmente que eu vou

23:34lutar agora é um cara muito grande, deve

23:37ter mais dos 90 kg, mas eu já tô

23:39estudando já ele já tô fazendo minhas

23:41técnicas bacana lá.

23:42E o cara é grande. [música]

23:44E já tomei gente já de 90, 130, 100 kg

23:56adversário. A decisão de vitória nesse

23:59combate é paraão.

24:03[aplausos]

24:07Eu torço para mim não ser o primeiro,

24:09porque eu gosto de observar os caras lá

24:11que estão lutando. Aí eu tô aqui com

24:13nervoso antes de os caras lutar. Tô com

24:15nervoso porque os cara mais ou menos os

24:17caras são sempre maior do que mim. Eu

24:19sou sou menor sempre da turma. Agora

24:21quando eu já entro lá que começa a luta,

24:23aí passo nervoso, aí eu vou fazendo as

24:25minhas estratégia. Se o cada for grande,

24:27eu tenho uma estratégia. Se for pequeno,

24:28eu tenho uma outra estratégia. É, é

24:30porque é para isso que eu treino, para

24:32poder ganhar um um um torneio desse daí.

24:36Posição de pé casada é tradicional.

24:38Todas as vezes que eu tocar em vocês

24:40paralisa o combate imediatamente. A luta

24:42marajoara, não preciso lembrar, é um

24:44combate em pé. Portanto, a luta de chão

24:46que não tiver progressão, eu vou parar.

24:48Nós vamos retornar a a luta em pé, OK?

24:50Ao sair do círculo, toquei em vocês para

24:53para retornar o combate ao centro. Tudo

24:55bem? Casem o pé. Casem o pé. Pé casado.

24:58Posição inicial. Tempo. Lutem.

25:03[aplausos]

25:06Regra básica, projeção do adversário

25:08para sujar a costa dele no chão. Por

25:10isso que ela tem que ser praticada em

25:12ambiente de solo arenoso, com lama ou

25:15com grama, no mínimo. A partir do que o

25:17oponente tem pelo menos 3/4 da sua costa

25:20suja no solo nessas condições.

25:27Parou, parou, parou. Vitória

25:31Lúcio.

25:33A arena nós chamamos de curral. Na

25:34verdade é um círculo desenhado no chão

25:36em que nós chamamos de área de

25:38competição ali é que os atletas devem

25:40permanecer. Nós utilizamos três

25:42árbitros. Um árbitro central que tem a

25:44responsabilidade de administrar o

25:45combate dentro do curral. Caso durante

25:47os 5 minutos do único assalto não se

25:49decida por finalização, ou seja, um

25:51atleta sujando a costa do outro, os três

25:53árbitros reunidos, os dois observadores

25:55e o árbitro central possam decidir pelo

25:57voto quem vai ser o grande vencedor.

25:59Assalto único. Acabou só a prorrogação

26:01de 2 minutos para poder definir.

26:03Gravação pela equipe do canal combate.

26:06Vem a prestigiar premiação e dinheiro

26:08para cada categoria.

26:09Porque o búfalo ele [música] é um animal

26:12traçado. Ele é um animal como fala 4x4.

26:16Então quer dizer, se tiver um carro

26:18atolado, pode botar na numa carroça,

26:21então botar na canga, botar num peito,

26:23ele vende e puxa mesmo.

26:26Todo policiamento aqui na nossa ilha,

26:28ele tem que estar preparado para montar

26:30num búfalo, porque tem locais aqui na

26:33nossa ilha que em partes alagadas já tem

26:35outros búfalos, nós tem que ficar

26:37preparado para montar em qualquer tipo

26:38de búfalo.

26:40A versão mais aceita para [música] a

26:42origem dos búfalos por aqui é que um

26:44navio vindo da Ásia naufragou perto da

26:47costa e alguns animais sobreviveram,

26:50nadaram até a ilha e se adaptaram muito

26:52bem ao clima local. Depois, outros foram

26:56importados.

27:02Então, eh eh os vaqueiros observando a

27:05posição da cabeça dos animais no

27:07confronto e o chifre também teriam

27:10iniciado as lutas com a posição inicial

27:13semelhante à posição da cabeça desses

27:15animais.

27:19Você vai cortar isso aí ou outro

27:21isso aí, né?

27:25A nossa alimentação aqui é normal.

27:36Oxe da búfula é muito bom, entendeu? É

27:39bom ter muita proteína, é é bom pros

27:42ossos também

27:47o leite de hoje aqui é é muita força

27:50para amanhã.

27:53O leite gostoso.

27:56Salve,

27:58meu amigo. Valeu aí para amanhã.

28:02[risadas]

28:03Bora imperião. Bora [grito] inferião.

28:07Ferião.

28:09Pro lado. Maril.

28:11Pro lado. Pro lado.

28:20Vira ela. Mar.

28:23Ch

28:27[música]

28:32[música]

28:40[aplausos]

28:40[música]

28:46[música]

28:51[música]

28:52[aplausos]

28:56[música]

29:05Já aconteceu de homens perderem a vida

29:08por conta, principalmente de fratura de

29:09cervical.

29:11Exatamente. [música] A defesa, ó, tá

29:13aqui na perna para impedir que ele seja

29:15jogado. Isso. Bom, muito bom. Muito bom.

29:18Caiu, virou. Isso. Isso na luta

29:21marajoara nós chamamos de boi

29:23laranjeira. Quem tá recebendo a queda

29:26pode sofrer um trauma grave. Devido a

29:28isso, nós proibimos dois golpes, que é

29:29enfincada e que é a recolhida. Essa aí é

29:33a recolhida. Gabriel meteu a cabeça,

29:34Gabriel. Isso. Imperial pegou,

29:38jogou para trás. Exatamente. Essa aí

29:41seria a recolhida. Qual é o grande

29:44perigo disso aí? Quando há a virada,

29:47essa cabeça acaba sendo pressionada

29:49aqui, ó. E aí na virada pode ocorrer a

29:53fratura, como já ocorreu, fratura de

29:55cervical em vários combates aqui na

29:57região. Outra é a enfincada. O Imperial

30:00vai fazer a defesa da cabeçada, só que o

30:02Gabriel vai pegar o Imperial e vai jogar

30:04para trás dele, que ele vai avançar como

30:07que uma flecha, ó. Se sentir que vai,

30:10Imperial,

30:12libera o braço, viu? Libera o braço. Tá

30:14bom, vamos lá. né? Ó, o braço tá preso

30:16atrás. Vem, Gabriel, devagar. Vem. Isso.

30:20Isso aí é que tá o risco. Se o atleta

30:24aqui foi projetado para trás, não tiver

30:25fazendo a defesa, ele vai com a cabeça

30:27de encontro ao solo e pode ocorrer a

30:30fratura de cervical, o que é muito

30:31perigoso. Mas no momento em que o

30:33árbitro ele percebe que uma enficada ou

30:35uma enriolhida podem ser aplicados, o

30:37que que eles fazem? Eles estão

30:38autorizados a se lançar contra o corpo

30:40dos dois dos dois lutadores para impedir

30:42que esses golpes sejam aplicados, porque

30:45eles levam um risco muito grande de

30:47lesão na cervical.

30:50[música]

30:51Combate finalizado aos 2 minutos. A

30:55vitória é de Lúcio, [grito]

31:01[aplausos]

31:02cara. Me carregou lá em cima, lá no

31:04segundo andar, me tombou e não me tombou

31:07de costa. Mas já tava muito desgastado.

31:10Vai daqui, defesa dali, cansei demais e

31:13perdi. Tá dois a do.

31:15Normalmente a gente abre inscrições pros

31:17atletas aqui. Quem quer, quem quer

31:19disputar, o cara vem, se inscreve. Esse

31:21torneio é um desafio por nós escolhemos

31:23atletas e confrontos que ele vão se

31:26casar no sentido de trazer pro público

31:28uma emoção a mais, que é a rivalidade

31:31entre atletas, porque ele já tem

31:33histórico de combates anteriores. E aí é

31:35o grande, é por isso que nós chamamos de

31:37desafio, porque é um desafiando o outro

31:39para descobrir quem vai ser o grande

31:40campeão. Tira cisma aí vai ser forte.

31:48[música]

31:57Aos 15 [música]

31:59segundos,

32:00a vitória de irã,

32:05[aplausos]

32:05o campeão que será entregue, campeão

32:07desse desafio. E ele foi complexeionado

32:10por um artista aqui de a cerâmica

32:13marajoara deixada pelos nossos índios.

32:16transforma-se nesta arte maravilhosa.

32:21Esses desenhos, essa cerâmica foi

32:23elaborado, né, para muitos e muitos anos

32:26e a gente hoje, na verdade, se se

32:28apropria dessa dessa técnica, dessa

32:30história, desse legado para também

32:32contar um pouco da atualidade, mas

32:34sempre com esse elo, respeitando essa

32:36tradição que a gente tem cerâmica

32:38marajoara feita pelos nossos ancestrais.

32:44Não foi florido para ter que te dar

32:47coluna. Prepara tempo.

32:54[música]

33:04[música][grito]

33:09[música]

33:14[aplausos]

33:15[música]

33:20[música][grito]

33:21[aplausos]

33:24O verdadeiro campeão da luta paraada é

33:27Lúcio.

33:34[música]

33:35Para mim o importante, como eu falei, é

33:36competir. Eu gosto de mostrar a nossa

33:40cultura, entendeu? Perder isso aí é do

33:44torneio. Um tem que ganhar, né? E viva a

33:47luta marajo!

33:49[aplausos]

33:52[música]

33:57[música]

34:06[música]

34:11Quando você fala em judô, você fala o

34:13quê? Japão, você fala de capoeira, você

34:16fala Bahia. Esse nome capoeira é uma uma

34:19palavra tupi guarani. Ka apuan era, quer

34:21dizer, mata que deixou de existir.

34:23Aquele capizinho alo que ficava ali era

34:25ideal para se jogar a capoeira. Algumas

34:27pessoas afirmam que a capoeira veio da

34:28África com os escravos, se desenvolveu

34:31aqui. E outras pessoas dizem: "Não, que

34:33é uma criação do negro escravo, dos

34:36descendentes dos escravos no Brasil". Eu

34:38acredito que ela foi desenvolvida aqui

34:39no Brasil, porque todas as pesquisas que

34:42se fez na África até hoje, não se

34:44encontrou capoeira nessa dessa maneira

34:47como a gente pratica aqui no Brasil.

34:51[música]

34:57Todas as tentativas de definir o que é

35:00capoeira na minha cabeça fracassaram.

35:03[música]

35:04Toda vez que alguém tenta fazer, não,

35:05agora a capoeira vai ser esporte, não

35:07sei de que lá das contas, não adianta,

35:08[música] porque aí vai aparecer também a

35:10força da capoeira como cultura. Ela é

35:12tão cheia de negaça, ela é tão cheia de

35:14rolês, que todas as vezes que tentam

35:16[música] prisionar ela, ela escapola de

35:18alguma forma.

35:18Não tem um pacote pronto, né? A arma do

35:21caprista é o corpo dele. Ele já é

35:23armado.

35:24É a única arte marcial que tem esse

35:26envolvimento com a parte da dança.

35:28Então, nós temos a musicalidade própria,

35:30nós temos os instrumentos próprios. Isso

35:33tudo de uma mesma raiz que é a raiz

35:34africana. [música]

35:43[música]

35:45Capura ela é dança, ela é luta, ela é

35:47guerra. Eu tô sempre preparado, eu sou

35:49do amor, mas se tiver preparado pra

35:51guerra também, a gente tá preparado aí.

35:52O capo tá desse jeito, entendeu? E aí,

35:54cuca? [música]

35:56E aí, brother? Qual é?

35:59Essa aqui é a comunidade Cosmo de

36:01Farias, lugar onde eu vivo. Aqui tem

36:02tudo. Aqui tem muita capoeira, aqui tem

36:04[música] música, aqui tem rap, tem hip

36:06hop, tem malandro também, mas aí tem que

36:08ser capoeira para poder não tá no meio,

36:10tem que ter o gigado, né? Sempre tá na

36:12esquiva. Aí tá esperto.

36:14Dia dia é esse, é andar pela comunidade,

36:16falar com a galera e ensino capor é

36:18tudo, muito projeto social, ensino para

36:20bacana também. Felipe tá faltando

36:22demais, Felipe. Você a bora meu filho.

36:26Tá na fila meu filho. No final atrás de

36:27Davi e Lorena aí, ó. Vamos lá. Rapaz,

36:30volta pra terra.

36:31Cai paralelo, cai filme de frente pro

36:33pai. Vai lá. Isso de novo.

36:35Uma coisa mais coletiva é isso, é dar

36:37continuidade ao que eu aprendi com a

36:38capoeira e devolver de volta pra

36:40comunidade, entendeu? Fazer com que de

36:42repente eu tenho no trabalho social 40,

36:4450 crianças, de repente salvasse cinco.

36:46Não tem envolvimento com droga, não tá

36:48misturado em coisa errada. Então, a

36:49ideia do capox no dia a dia é que cada

36:51dia a gente pense em coisa melhor para

36:53todo mundo, entende? A gente tá sempre

36:54pensando junto, né?

36:57[música]

37:07[música]

37:11[aplausos]

37:12Nós estamos aqui no Forte da Capoeira em

37:14Salvador para fazer um torneio de

37:16capoeira. E como é que vai funcionar

37:17esse torneio? Qual a essência desse

37:19torneio? Vai pontuar o jogo, tá? A

37:21harmonia do jogo, a cadência do jogo.

37:24Quem recebe a pontuação é a dupla.

37:26Depois, esses pontos vão sendo

37:28individualizados para cada competidor,

37:31[música] competidor. O vencedor ou a

37:33vencedora vão ser os capoeiristas que

37:37conseguirem passar por essas fases todas

37:39com harmonia nos jogos e no final mostra

37:42a sua melhor destreza. [música]

37:49[música]

38:03[música]

38:09[música]

38:16Ei, ei, ei, lançar bem o seu corpo e

38:20fazer parte do

38:26com toda essa dimensão da capoeira, as

38:28vertentes de capoeira que tem hoje em

38:30dia, né? A gente tá fazendo um torneio

38:32hoje, mas o fator mais importante hoje é

38:36a confraternização,

38:39porque a gente tem que fazer uma

38:40distinção entre o que é capoeira e o que

38:42é o capoeirista. Capoeirista, rapaz. É,

38:45é, é toda, não é só você aplicar os

38:48movimentos. Eu entro num restaurante, eu

38:50tenho que sentar numa mesa que seja de

38:52cacha pra parede, eu não dobro esquina.

38:55Às vezes eu vou com minha mulher aqui,

38:56eu abro assim, ela tá maluco,

38:58mais ou menos. Aí para poder ver quem é

39:01que vem na esquina, porque ele falava.

39:02Então,

39:03a sociedade

39:05reage diferente ao capoirista. O

39:07capoeoirista tem uma maneira especial de

39:09ser. É uma luta totalmente democrática.

39:11Por exemplo, quando eu entro numa roda

39:12que eu baixo no pé do birimbau, eu não

39:14pergunto aquela pessoa que tá do lado se

39:17ele é dentista, se ele é médico,

39:19advogado, se ele é um marginal. Não

39:21pergunto, não interessa isso. Qual a

39:23religião dele não interessa. Naquele

39:25momento ali, ele é apenas um capoeirista

39:26como eu.

39:27Como aqui passa a gente do mundo

39:29inteiro, fica muito claro que no momento

39:32que você tá dentro de uma roda de

39:34capoeira, você esquece se você é branco,

39:36se você é preto, se você é pobre. E aqui

39:38nessa casa vem toda a capoeira do mundo

39:40inteiro, diante de todo canto, do Japão,

39:42da Alemanha, da Itália, da América do

39:44Norte, central. E todo mundo aqui se

39:46sente como gente, se sente como

39:48capoeira. Isso é muito legal para nós.

39:50Antes da roda dizer eu sou bom, eu não,

39:52isso não existe. O departamento do

39:54capoirista na roda. [música]

40:02[música]

40:06O mestre Bimba. Eh, eu tenho o maior

40:08orgulho de de ser filho dele, tanto de

40:12sangue como de capoeira. Meu pai teve

40:14milhares e milhares de alunos e se

40:16espalharam pelo mundo afora.

40:18Recebemos uma das grandes figuras

40:20folclóricas, uma das grandes figuras da

40:22Raça Neiro aqui na Bahia. O que ele

40:24dizia para mim era era o que era certo,

40:26era o que era lei, era o que era que

40:28valia. O mestre B dizia lá, pulo de

40:30cabeça na parede e a gente pulava sem

40:33reclamar, sem nada.

40:34Ele ensinava a gente não só a jogar, mas

40:37ele ensinava a gente a respeitar, ele

40:40ensinava a gente os nossos limites, ele

40:42ensinava a gente a ser capoeira.

40:45[música]

40:55[música]

41:00Fui vendido aquele morto [música]

41:03por apenas um temp.

41:11O meu corpo não tem brilho, [música] só

41:15tem marca de chicote.

41:18Eu vou jogar capoeira

41:20só a Deus. Eu peço só

41:24e

41:27viva meu Deus. [música]

41:29E

41:31viva meu Deus, camarade.

41:35Vamos embora. [música][canto]

41:37E

41:40vamos embora, camarada. Chega no cantor.

41:44[música]

41:48Galo cantor camarada

41:51é o [música]

41:53e

41:55é o

42:01samar.

42:06Meu nome é Felipe Santiago, conhecido e

42:09tratado na capoeira como mestre Felipe.

42:12Eh, sou o mais velho da cidade que estou

42:16ainda na Temovia, né?

42:19Um filho quando pedia ao pai, meu pai,

42:22me bote na capoeira.

42:25É o que, menino? Você tá ficando doido?

42:27É,

42:30capoeira. Coisa de vagabundo, coisa de

42:31moleque, coisa de malandro.

42:35[música]

42:38Esse é o toque da cavalaria.

42:41Quando a polícia chegava, ele tocava

42:43para dar de abiro. Então aí ele largava

42:47o birimbau, escondia os birimbau, bem

42:49escondido, pegava os tambor e começava

42:52fazendo samba.

42:54Por isso quando chegava via eles fazendo

42:56[limpando a garganta] samba, corria,

42:57olhava, não via nada, ia embora. Ele

43:00tornava

43:02o birimbau e começava a capoeira de

43:04novo.

43:05Você era preso jogando capoeira, você ia

43:06para Fernando Noronha, pegava de se

43:08meses só por estar jogando capoeira, não

43:10precisava estar brigando nem nada. A lei

43:13dizia fazer nas ruas e praças públicas

43:16exercícios de agilidade corporal

43:19conhecido como capoeiragem e pena, pa

43:21dos vadios e capoeiras. O nome do

43:24artigo.

43:24A capoeira foi proibida no Brasil por

43:27lei de 1890 a 1937.

43:31Os jornais do começo do século XX,

43:33porém, fizeram [música] campanha com

43:35humor para ela substituir o Gil Gitsu

43:37nas aulas de defesa pessoal na marinha

43:40brasileira. A capoeira resistiu. Na

43:42década de 50, [música] o mestre Bimba

43:44chegou a fazer uma apresentação para o

43:47presidente Getúlio Vargas, que teria

43:49[música] dito que a capoeira é um

43:50esporte verdadeiramente nacional.

43:53Capoeira sempre será um símbolo [música]

43:55de resistência, porque sempre alguém tá

43:57querendo controlar ela de alguma forma.

44:00[música]

44:05เฮ

44:06[música]

44:11[música]

44:18[música]

44:28[música]

44:37[música]

44:45[música]

44:54Estamos juntos de novo.

44:55Tem pessoas que pensam que capeira é só

44:57brincadeira, mas não é só brincadeira.

44:58Capoeira é luta, é defesa e ataque.

45:01Porque dentro da capoeira tem o gingado

45:02que é a dança da capoeira. é a base

45:05principal para um capo aprender gingar.

45:08Do gingar nasce os golpes e esses golpes

45:10tem golpe até fatal, que a pessoa até

45:13morre.

45:13Sempre foi luta de defesa pessoal.

45:16Depois, com a folclorização da Bahia,

45:19por exemplo, a capoeira se folclorizou

45:21muito, passou a se dar mais valor às

45:24pantomimas, quer dizer, aquela

45:27articulação toda do jogo, porque não

45:30havia mais necessidade de se utilizar

45:32ela como arma de defesa, né?

45:34Tinha estados como Brasília, os caras

45:36eram bombado e muita porrada. Hoje em

45:39dia essa eles começaram a se respeitar

45:42dentro da roda. Fora da roda também não

45:43existe mais porrada. Que antigamente

45:44existia porrada fora da roda de grupos

45:47de maltas, de ganges.

45:48As maltas eram grupos de capoeiristas

45:50que se davam nomes, né? O que hoje

45:53chamamos de grupo de capoeira, eles

45:54chamavam de maltas. Os Gaiaamuns e os

45:56Nagas, eles dividiam a cidade em duas e

45:58ali eles mandavam e faziam o que eles

46:00queriam. Em Pernambuco tinha os brabos

46:03que saiam com os cacetes na mão, batendo

46:05em todo mundo na frente das bandas. E

46:07isso era um desordem total. A literatura

46:10brasileira tá cheia desses episódios de

46:13de desordem feito por capoista, né?

46:15[música]

46:16Olha a quebra gerba quebra, quebra gerba

46:20quebra quebra quebra quebra quebra

46:25quebra. [música]

46:27Quer dizer que el tá mandando o carro

46:28quebrar o outro, né? P quebrar aí vou

46:32bater para que vai bater no carro o

46:33carro cair e negócio danado, né? Mas é

46:35assim mesmo. O capoeiro é coisa gostosa,

46:37mas também tem essas horas de

46:38perseguição.

46:40[música]

46:42É aquela coisa, capo é pergunta e

46:44resposta. Se a pergunta for tranquila, a

46:46gente responde com tranquilidade. Se a

46:47pergunta for tensa, provavelmente vai

46:49volotar a resposta com mais intensidade

46:51na coisa, né? A gente tá sempre

46:53preparado. Então a gente comer, a gente

46:54pede a Deus, pede os orixás, pede tudo

46:55para abençoar a gente. A gente vai lá,

46:57joga do jeito que a coisa tem que

46:58funcionar.

47:02Uma

47:03[música]

47:07roda de capoeira, ela é composta com

47:09três grimbau, dois pandeiros e uma

47:11tabaque.

47:14A música é um incentivo pra capoeira e

47:16uma mulher gostosa.

47:20[música]

47:27Eu já fazia birimor, mas eu fazia um

47:29birimbau com qualquer badeira ou

47:32qualquer cabaça. Para mim vergou

47:34era um birimbau. Mas quando eu cheguei

47:36aqui, fui me aperfeiçoando, como se faz

47:38um birimbau bom para tocar ele é coisa

47:40fácil. Pode ser assim uma pedra ou uma

47:44moeda, mas eu prefiro a pedra. Pega

47:46sucar xixi por dentro da mão, uma

47:50vareta.

47:52[música]

47:56Yeah.

48:00[música]

48:09[música]

48:14[música]

48:20Essa coisa da capoeira com a música, com

48:23birimbau, com instrumentos, com canto,

48:25com brincadeira. Ah, o que é isso aí?

48:26Uma luta não. Isso aqui é uma variação

48:28dos angolas. O negro sempre teve essa

48:30capacidade de disfarçar a luta [música]

48:32em dança, em brincadeira, em vadiação.

48:35Foi o que salvou a capoeira.

48:36E aí cada um tem sua música, tem sua

48:38musicalidade própria, tem uma coisa

48:39legal que toca no ritmo, outro toca em

48:41outro e aí [música] ajuda pro atleta, o

48:43atleta capoeira fica mais estimulado.

48:45Ele tem um orgulho de dizer que eu sou

48:46capoeirista. Eu tenho um, eu sou

48:48engenheiro civil. Eu larguei tudo para

48:50viver de capoeira há muitos anos,

48:51[música] entendeu? Então eu tenho

48:53orgulho de dizer que eu sou capoeirista,

48:54entendeu? Trabalho com capoeira,

48:56que a capoeira também tá influenciando o

48:58mundo de algumas formas, né? Todas as

49:00classes sociais, vários países que tem

49:02uma outra cultura totalmente diferente

49:04da nossa. E a capoeira tá lá invadindo

49:07esses espaços e ajudando as pessoas.

49:10Bahia, velah, [música]

49:14terra de

49:16visourar.

49:18O escravo sofria muito e a tendência

49:22natural era se defender sem armas, né? A

49:25capoeira primitiva, por exemplo, era uma

49:27capoeira poucos movimentos, mas que

49:30tinham que ser movimentos decisivos.

49:32Então, o capitão do mato, por exemplo,

49:34quando saía atrás de um escravo, ele ia

49:35no cavalo e armado. Então, o capoeirist

49:38tinha que ter movimentos que conseguisse

49:40derrubar o cara e vencer o cara numa

49:42desvantagem terrível. Um capoeirista que

49:45não tem uma jinga boa, ele não é um bom

49:47capoeirista. Todo bom capoeirista tem

49:49uma jinga legal. Se ele se ele não tem

49:51uma jinga boa, ele tá fazendo um karatê

49:53mal feito. [música]

50:01[música]

50:03Nós trabalhamos com três tipos de

50:06golpes, né? Eh, os golpes de linha, os

50:09golpes frontais circulares e os golpes

50:12giratórios, tá? Nós vamos começar com um

50:15martelo, que é um golpe de linha. É um

50:18golpe frontal e é um golpe

50:19traumatizante. Muito legal. Você vê que

50:21ele tem a trocada de braço, a mecânica

50:24de trocada de braço é importante. Ele

50:26vai fazer agora um golpe frontal

50:28circular, que é a meia lua de frente.

50:31Ele vai fazer agora um golpe giratório,

50:33que é armada. Pinaúa vai saindo,

50:36esquivando e já vai batendo uma chapa de

50:38frente. Abusado esquivou, cobriu e

50:42chutou.

50:44Entrou na queixada. Eu fui esquivando e

50:47entrando em chapa giratória. E a

50:50capoeira, ela tem um fenômeno muito

50:52diferente de muitas outras lutas que são

50:54as quedas. É chamado tesoura de cintura,

50:57tá? Ele desponta um golpe, eu vou

51:00esquivando e já vou entrando no golpe

51:03dele, mas já despontando uma queda.

51:05Entrou e fez a projeção da tesoura de

51:08joelho.

51:10[música]

51:11Eu entrei na cruz e fiz a banda. em cima

51:15dele, entrou na ponteira, eu esquivei,

51:18entrei na branda taçada em cima dela.

51:21[música] Ele entrou, eu fui, já puxei e

51:25já entrei direto com a Vingativa

51:26[música] com boca de calça.

51:31[música]

51:38[música]

51:44E agora, pessoal, anunciar a grande

51:48final do torneio Forte da Capoeira.

51:52Girazol do [aplausos]

51:55Ilane do Guerreiro.

51:59[música]

52:03[música]

52:10[música]

52:14Bah

52:18[música]

52:23Maria,

52:29eu sou Bahia [música]

52:39[música]

52:40agora anunciar aqui Girassol.

52:43[aplausos]

52:44Ilane

52:48[música]

52:49tá. E essa vencedora é giraçol, galera.

52:54[aplausos]

52:55Girol, tu é girassol. Tu é girassol. Tu

53:00é girassol. Tu é girol. [música]

53:06Baianinho do Engenho, [música]

53:09Jurac do Guerreiro.

53:19[música]

53:28[música]

53:34[música]

53:39[música]

53:40لا

53:43E agora, pessoal, anunciar o vencedor da

53:48categoria masculina. E esse vencedor

53:52foi baianinho, galera.

53:59Éinho, [aplausos] é barinho, éinho.

54:03Éinho,

54:05éinho. [música]

54:11[música]

54:12Muito antes de alguém apostar uma

54:14corrida ou jogar uma bola numa cesta,

54:17[música]

54:18já existiam duas pessoas nesse planeta

54:20que lutavam e uma outra [música] que

54:23assistia.

54:24Não importa sua cor, que língua você

54:27fale ou de onde você é. Nós somos

54:31[música] todos humanos e a luta está no

54:33nosso DNA. A luta é o esporte [música]

54:37mais antigo da Terra e ela ainda cruza

54:40todas as fronteiras para emocionar o

54:43mundo todo.

54:54[música]

55:05[música]

55:19[música]

55:28[música]

55:36[música]

55:42[música]

55:49[música]

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