Full transcript
0:00เฮ
0:15[música]
0:20[música]
0:26[música]
0:32[música]
0:40Bra.
0:42[música]
0:55[música]
1:16[música]
1:21[música]
1:27[música]
1:33[música]
1:38[música]
1:39Aqui tem luta, ó. Tem luta bem aqui.
1:43Muito antigo. Olha lá. Provavelmente tem
1:46mais de 8.000 anos. Ó lá. enorme. Olha o
1:49tamanho.
1:52[música]
2:05[música]
2:08Eu falei que estava na
2:11[música]
2:13Dinga a simpatia. Isso, diga entender
2:16que aquilo ali é uma luta. [música]
2:17Eu consigo te derrubar. Duvido tu me
2:19derrubares. Sabe como é que é,
2:25não [música] tá bom?
2:29[música]
2:36[música]
2:42[música]
2:44O ser humano luta desde que é ser
2:47humano.
2:48O ser humano luta desde que percebeu a
2:51necessidade de sobrevivência.
2:54A luta foi quem formou a humanidade.
2:58Os grupos lutavam para conquistar novas
3:01terras, impondo aí os seus costumes.
3:05Desde quando nós lutamos? [música]
3:09Estamos no Parque Nacional Ser da
3:11Capivara, onde foram encontrados os
3:13vestígios mais antigos da migração e da
3:17presença do homem nas Américas, [música]
3:19datados de 48.000 anos.
3:22O maior enclave arqueológico do mundo
3:24com mais de 1000 sítios [música]
3:25arqueológicos encontrados, sendo desses
3:28mais de 900 sítios arqueológicos com
3:30pinturas rupestres.
3:33Especificamente aqui houve uma pressão
3:36demográfica, muitas pessoas para o mesmo
3:38local e começaram [música]
3:40e as resoluções por meio de lutas para
3:42distinção social, ou seja, poder.
3:52[música]
3:53esse sistema de comunicação, uma
3:55pré-escrita humana, eles queriam
3:57materializar aspectos do cotidiano ou do
4:00simbólico imaginário, do que eles
4:01imaginavam sobre isso.
4:09Olha lá, foi o último sítio que eu tinha
4:11de visitar sem querer, quando eu olhei,
4:13eu reconheci pela minha expertise em
4:15lutas que isso não era uma coisa comum,
4:17não se comunicava com outros sítios
4:18arqueológicos. Soco, soco com domínio de
4:22uma mão e no final acaba com domínio. Tá
4:24vendo? A gente pode dizer que tá
4:26integrando técnicas porque não tinha
4:27como, naquela época não tinha regras,
4:29regulamentos como hoje. Olha, vocês aí,
4:31os primeiros, só pode fazer soco. A
4:33gente aqui de baixo vai só fazer
4:35domínio. Não, tá aí a diferença desse
4:37painel de todos os outros, de todos. Não
4:39tem outra cena, ou pelo menos não foi
4:42encontrada ainda, [música] em que no
4:44mesmo momento, na mesma matemática, a
4:47percussão, ou seja, socos com agarre,
4:50com domínio. Esses registros de lutas
4:53integradas, como existem hoje no MMA,
4:56mal falando, são muito mais antigas do
4:58que se pensa. Nesse caso aqui,
5:00possivelmente com mais de 6.000 anos.
5:07Não se sabe quando e nem em que época
5:10essas práticas de luta se disseminaram
5:12pelo [música] território brasileiro.
5:14A luta se desenvolve possivelmente
5:17quando os seres humanos mais primitivos
5:19começaram a acreditar na força da lua,
5:23na força do sol e começaram a observar
5:26os ciclos divinos da natureza.
5:30Surgiram aí os ritos religiosos.
5:33A luta [música] em si era um rito.
5:39[música]
6:17[tosse]
7:07[música]
7:29[música]
7:47Nós como lutadores, a gente não pode
7:50ficar sem fazer nada. A gente tem que se
7:52cuidar. É muito duro. A gente tem que
7:56raspar nosso corpo, passar a raiz, tomar
8:00eva pra gente poder sempre ficar com
8:04força, né? para não perder força.
8:07Tá mostrando o cara para vericônio.
8:22Aquele que querer ficar lutador, quando
8:25ele ficar rapaz novo, ele fica ficar
8:27preso tomando remédio, raízes, né?
8:31Continuando passando ranhadeira,
8:32passando remédio para ele ficar forte.
8:36A mãe tem que acompanhar ele,
8:39dá conselho para ele, né?
8:4112, 13, 14 anos a gente começa
8:45a reclus recluso dos jovem, dos meninos,
8:48né? Dessa forma que a gente prepara
8:51um jovem para serem, né, um homem,
8:55principalmente luta ruca ruca, né? esse
8:58objetivo que a gente mais prioriza, né?
9:02Vou dizer assim,
9:06[música]
9:14ó.
9:18Todo dia tem que treinar. Toda a tarde
9:20tem que treinar. De manhã à tarde, de
9:22manhã à tarde. Todo dia tem que treinar.
9:25Fomitando a direta também. Eu eu sofri,
9:29eu sofri, eu sofri mesmo sozinho. Não
9:34tem ninguém. Eu fiquei sozinho pensando
9:36na sua luta, pensando assim: "Poxa, será
9:38que eu vou conseguir? Será que eu vou
9:40conseguir lutar?" Ele ficou no
9:43recolução, ficou
9:46ficou 6 anos recolução.
9:506 anos.
9:51É se aqui muito coisa sério para nós.
9:55[música]
9:59A luta começa assim, chamar o seu
10:02adversário. Você escolhe, né? Você chama
10:04ele, ele vem e faz aquela roda de da
10:06onça, se ajoelha e pega na mão. Na hora
10:09que pegou na mão, tem que pegar aqui no
10:12pescoço, né? e tentar pegar na coxa. Tem
10:16que ser rápido, senão o cara vai tentar
10:18pegar só a coxa também, senão você
10:19perde. [música]
10:23Pera aí,
10:25golpe, né? De bate de costa, senão você
10:29levanta ele do chão ou senão você se vai
10:32por cima dele. Pá, pulou.
10:36Acabou a luta.
10:44Aqui no Camaiá tem oitos. O lutador
10:47profissional, né? Considerado
10:48profissional. Número um é ele. Segundo é
10:52meu cunhado. Terceiro sou eu. Quarto tem
10:55o quarto tem o meu cunhado também. O
10:57verê quinto. Assim vai. No ano de 2002,
11:01eu acho. 2003
11:04é o primeiro título que eu ganhei.
11:06Caríba chama título, né? Primeiro ganho
11:08que eu ganhei do meu adversário.
11:11Eu ganhei respeito aqui e fora. Porque
11:15quando acontece ritual com aup, vem todo
11:18mundo ali,
11:20o os outros aldei olham você ganhando.
11:24Então leva esse notícia pr da aldeia
11:28deles, para todo mundo, né?
11:35O Quarupe é um ritual de homenagem aos
11:38mortos ilustres celebrados pelos povos
11:41indígenas da região do Xingu. A luta
11:44marcial Ruca Ruca é praticada entre as
11:47tribos durante o Quarupe, [música] onde
11:49a força e a virilidade dos jovens é
11:52testada.
11:56Eu gostava lutar,
11:58lutar, sair no centro, na festa. A
12:01mulher também participa. Mulherata tem
12:03que lutar também. que vai igual o luta
12:08do homem também para ir pro igual luta.
12:11Hum.
12:56[música]
13:04[música]
13:43Cada dia tem uns pagé, né? Às vezes o
13:46pagé joga alguns rezas pras contra os
13:50contra os lutadores. Assim que você
13:53passar aonde o pé rezou, aí você sente
13:57algo estranho em você, né? Um você treme
14:01um pouco ou seu coração bate muito
14:03forte, né? Você sente medo, aí você não
14:06vai mais desafiar. Aí o medo fala mais
14:09alto do que você, né?
14:15Campeão, lutador,
14:18não vai casar agora não, só depois. A
14:21gente tem que se preparar
14:25muito, muito bem, né? Né? Não pode ter
14:27relacionamento, sexual com os outros,
14:30né? Tem essas coisas, nessas regras, né?
14:40[música]
14:54[música]
15:02A comunidade indígena se fortalece
15:04através de ritos coletivos, como a
15:07dança, a luta e o banho matinal que
15:11acontece todos os dias antes [música] do
15:13sol nascer.
15:18[música]
15:22[música]
15:25A luta é a expressão da força e saúde
15:29social da comunidade junto às outras
15:31aldeias. A preparação é intensa.
16:31Ol.
16:55[música]
17:04Não há um tempo determinado para cada
17:06luta. Alguns golpes encerram o [música]
17:09combate. Ou os antigos lutadores decidem
17:12pelo empate ou pelo vencedor.
17:19O vencedor tem poder.
17:27Quando eu conheci Ruca Ruca, eu vi o
17:31cara campeão ganhando.
17:33Eu vi pessoa tão [música] feliz. Ele
17:36feliz. Aí fiquei imaginando, pensando,
17:40sonhando,
17:41[ __ ] eu também posso ser. Então foi
17:45muitos trabalhadeira, né? sofrido
17:50até ser nomeado representante do povo.
17:53[música]
18:04[música]
18:33[música]
18:41A luta Marajoa, ela na verdade é uma
18:43modalidade de combate corporal típica da
18:45Ilha de Marajó, praticada inicialmente
18:47pelos cabôclos da ilha hoje em estado de
18:50expansão. Uma prática simples de lazer.
18:53No final do dia de trabalho para aquecer
18:55o corpo antes do banho no engarapé, num
18:57açute, na beira de uma praia. Isso eles
19:01passaram a chamar de agarrada,
19:03derrubada, lambuzada, cabeçada. Era os
19:05nomes que os cabôlos davam.
19:11[ __ ]
19:12na ilha de Marajoá não existe mais
19:13indígenas. Esses indígenas que moraram
19:15aqui e que foram os introdutórios da
19:17população marajoara foram dizimados no
19:19período da colonização portuguesa, sendo
19:21o ruahu como uma prática dessas dessas
19:23tribos podem ter deixado isso como
19:25herança já no período eh colonial.
19:31É uma bruta de projeção pura, é única e
19:34exclusivamente o desequilíbrio do
19:36adversário. Ou seja, não há golpes
19:38contundentes, [música] não há chaves,
19:40não há estrangulamentos, entende?
19:42Derrubou, sujou a costa, acabou o
19:44combate.
19:59É um esporte que eu gosto mesmo. É, é
20:01desde criança mesmo que meu pai lá já
20:04colocava a gente para lutar a troca até
20:06de bombom.
20:07Eu trabalho num bote. Eu tenho um bote
20:09que eu faço a travessia de passageiros.
20:11Tudo para mim diariamente é um
20:13exercício, porque se parar em ferruja,
20:21eu pensei que eu sabia lutar. Passei
20:24morar aqui para e teve um torneio lá no
20:28anfiteatro lá na praça, teve lá um
20:29torneio. Aí eu fui lutar, quando eu
20:32cheguei lá, o cara pegou na minha perna,
20:34eu peguei no meio do cara, o cara me
20:35carregou e bum, não deu nem eu acho que
20:37nem 20 segundos, entendeu? Aí, mas com
20:40aquilo ali eu fui treinando, fui
20:41aprimorando, fui pegando as que era
20:43bacana, eu aprendi e nunca mais
20:44aconteceu aquilo.
20:49[música]
20:54[música]
20:55Quando a gente luta, a gente força muita
20:57perna, abdômen também força muito o
21:00abdômen. Aí vem duas vezes por [música]
21:02semana, a gente vem aqui e faz um
21:05exercícios desse aqui. [música]
21:14É bem sugado. É treino para sugar. Para
21:17sugar [música] mesmo. É para sugar para
21:19ficar bem resistente.
21:22A luta maisada é defesa e ataque todo o
21:24tempo. Defender e atacar todo tempo.
21:28Todo o tempo, entendeu? Então tem que
21:30treinar bastante parte física.
21:33Aí, aí, aí. Tá bom.
21:36[risadas]
21:39Cadê o outro? Cadê o outro?
21:42Ainda tem isso aqui. Com a boca pega na
21:44perna do outro aqui. Se o cara, ó lá, se
21:47o cara puder. Olha, esse é meio ruinzão,
21:50[risadas] sabe? Por quê? Ele não tá
21:52olhando para mim. Ele tem que olhar é
21:54aqui
21:56no meu rosto. É aqui, ó. A nossa
21:57família, como todo mundo sabe, começou
22:00de dois, né? Né? [risadas]
22:03Começou de dois.
22:09Foi eu e ela aqui, né? Não tinha
22:11televisão na época, na lamp, na época da
22:13lamparina, quando acabava a pagava a
22:16luz, daí tinha outro serviço.
22:20[risadas]
22:21Tá errado? Não, eu acho que não, né,
22:23mano?
22:25Para umas eu acho que é diversão, né?
22:27Para mim era esporte. Quando eu era
22:28novo, lutava por esporte. Eu ficava era
22:31bravo quando meu filho apanhava. Quando
22:34meu filho perdia, eu ficava bravo.
22:36Para, filha da [ __ ] [música]
22:39Para, [ __ ]
22:42Abaixa, [ __ ] Leva essa [ __ ]
22:43Torcida
22:46para o primeiro desafio [música] de luta
22:48marajoara em Sour. Dia 10 de setembro,
22:52sábado, no anfiteiado da Praça na
22:54Independência, confrontos [música] entre
22:56os grandes nomes da luta marquara na
22:57região. No c principal Imperial versus
23:00[música] T. Gabriel, gladiador versus
23:03Nabé, Lúcio versus Sombra e Daniel
23:07versus.
23:09Minha morena cheira do amarel.
23:19[aplausos]
23:22Na noite antes do evento, eu fico à vez
23:26não consigo nem dormir direito porque eu
23:28fico pensando no tamanho do cara que vou
23:30lutar se eu vou tombar ou não. Esse
23:33[música] esse principalmente que eu vou
23:34lutar agora é um cara muito grande, deve
23:37ter mais dos 90 kg, mas eu já tô
23:39estudando já ele já tô fazendo minhas
23:41técnicas bacana lá.
23:42E o cara é grande. [música]
23:44E já tomei gente já de 90, 130, 100 kg
23:56adversário. A decisão de vitória nesse
23:59combate é paraão.
24:03[aplausos]
24:07Eu torço para mim não ser o primeiro,
24:09porque eu gosto de observar os caras lá
24:11que estão lutando. Aí eu tô aqui com
24:13nervoso antes de os caras lutar. Tô com
24:15nervoso porque os cara mais ou menos os
24:17caras são sempre maior do que mim. Eu
24:19sou sou menor sempre da turma. Agora
24:21quando eu já entro lá que começa a luta,
24:23aí passo nervoso, aí eu vou fazendo as
24:25minhas estratégia. Se o cada for grande,
24:27eu tenho uma estratégia. Se for pequeno,
24:28eu tenho uma outra estratégia. É, é
24:30porque é para isso que eu treino, para
24:32poder ganhar um um um torneio desse daí.
24:36Posição de pé casada é tradicional.
24:38Todas as vezes que eu tocar em vocês
24:40paralisa o combate imediatamente. A luta
24:42marajoara, não preciso lembrar, é um
24:44combate em pé. Portanto, a luta de chão
24:46que não tiver progressão, eu vou parar.
24:48Nós vamos retornar a a luta em pé, OK?
24:50Ao sair do círculo, toquei em vocês para
24:53para retornar o combate ao centro. Tudo
24:55bem? Casem o pé. Casem o pé. Pé casado.
24:58Posição inicial. Tempo. Lutem.
25:03[aplausos]
25:06Regra básica, projeção do adversário
25:08para sujar a costa dele no chão. Por
25:10isso que ela tem que ser praticada em
25:12ambiente de solo arenoso, com lama ou
25:15com grama, no mínimo. A partir do que o
25:17oponente tem pelo menos 3/4 da sua costa
25:20suja no solo nessas condições.
25:27Parou, parou, parou. Vitória
25:31Lúcio.
25:33A arena nós chamamos de curral. Na
25:34verdade é um círculo desenhado no chão
25:36em que nós chamamos de área de
25:38competição ali é que os atletas devem
25:40permanecer. Nós utilizamos três
25:42árbitros. Um árbitro central que tem a
25:44responsabilidade de administrar o
25:45combate dentro do curral. Caso durante
25:47os 5 minutos do único assalto não se
25:49decida por finalização, ou seja, um
25:51atleta sujando a costa do outro, os três
25:53árbitros reunidos, os dois observadores
25:55e o árbitro central possam decidir pelo
25:57voto quem vai ser o grande vencedor.
25:59Assalto único. Acabou só a prorrogação
26:01de 2 minutos para poder definir.
26:03Gravação pela equipe do canal combate.
26:06Vem a prestigiar premiação e dinheiro
26:08para cada categoria.
26:09Porque o búfalo ele [música] é um animal
26:12traçado. Ele é um animal como fala 4x4.
26:16Então quer dizer, se tiver um carro
26:18atolado, pode botar na numa carroça,
26:21então botar na canga, botar num peito,
26:23ele vende e puxa mesmo.
26:26Todo policiamento aqui na nossa ilha,
26:28ele tem que estar preparado para montar
26:30num búfalo, porque tem locais aqui na
26:33nossa ilha que em partes alagadas já tem
26:35outros búfalos, nós tem que ficar
26:37preparado para montar em qualquer tipo
26:38de búfalo.
26:40A versão mais aceita para [música] a
26:42origem dos búfalos por aqui é que um
26:44navio vindo da Ásia naufragou perto da
26:47costa e alguns animais sobreviveram,
26:50nadaram até a ilha e se adaptaram muito
26:52bem ao clima local. Depois, outros foram
26:56importados.
27:02Então, eh eh os vaqueiros observando a
27:05posição da cabeça dos animais no
27:07confronto e o chifre também teriam
27:10iniciado as lutas com a posição inicial
27:13semelhante à posição da cabeça desses
27:15animais.
27:19Você vai cortar isso aí ou outro
27:21isso aí, né?
27:25A nossa alimentação aqui é normal.
27:36Oxe da búfula é muito bom, entendeu? É
27:39bom ter muita proteína, é é bom pros
27:42ossos também
27:47o leite de hoje aqui é é muita força
27:50para amanhã.
27:53O leite gostoso.
27:56Salve,
27:58meu amigo. Valeu aí para amanhã.
28:02[risadas]
28:03Bora imperião. Bora [grito] inferião.
28:07Ferião.
28:09Pro lado. Maril.
28:11Pro lado. Pro lado.
28:20Vira ela. Mar.
28:23Ch
28:27[música]
28:32[música]
28:40[aplausos]
28:40[música]
28:46[música]
28:51[música]
28:52[aplausos]
28:56[música]
29:05Já aconteceu de homens perderem a vida
29:08por conta, principalmente de fratura de
29:09cervical.
29:11Exatamente. [música] A defesa, ó, tá
29:13aqui na perna para impedir que ele seja
29:15jogado. Isso. Bom, muito bom. Muito bom.
29:18Caiu, virou. Isso. Isso na luta
29:21marajoara nós chamamos de boi
29:23laranjeira. Quem tá recebendo a queda
29:26pode sofrer um trauma grave. Devido a
29:28isso, nós proibimos dois golpes, que é
29:29enfincada e que é a recolhida. Essa aí é
29:33a recolhida. Gabriel meteu a cabeça,
29:34Gabriel. Isso. Imperial pegou,
29:38jogou para trás. Exatamente. Essa aí
29:41seria a recolhida. Qual é o grande
29:44perigo disso aí? Quando há a virada,
29:47essa cabeça acaba sendo pressionada
29:49aqui, ó. E aí na virada pode ocorrer a
29:53fratura, como já ocorreu, fratura de
29:55cervical em vários combates aqui na
29:57região. Outra é a enfincada. O Imperial
30:00vai fazer a defesa da cabeçada, só que o
30:02Gabriel vai pegar o Imperial e vai jogar
30:04para trás dele, que ele vai avançar como
30:07que uma flecha, ó. Se sentir que vai,
30:10Imperial,
30:12libera o braço, viu? Libera o braço. Tá
30:14bom, vamos lá. né? Ó, o braço tá preso
30:16atrás. Vem, Gabriel, devagar. Vem. Isso.
30:20Isso aí é que tá o risco. Se o atleta
30:24aqui foi projetado para trás, não tiver
30:25fazendo a defesa, ele vai com a cabeça
30:27de encontro ao solo e pode ocorrer a
30:30fratura de cervical, o que é muito
30:31perigoso. Mas no momento em que o
30:33árbitro ele percebe que uma enficada ou
30:35uma enriolhida podem ser aplicados, o
30:37que que eles fazem? Eles estão
30:38autorizados a se lançar contra o corpo
30:40dos dois dos dois lutadores para impedir
30:42que esses golpes sejam aplicados, porque
30:45eles levam um risco muito grande de
30:47lesão na cervical.
30:50[música]
30:51Combate finalizado aos 2 minutos. A
30:55vitória é de Lúcio, [grito]
31:01[aplausos]
31:02cara. Me carregou lá em cima, lá no
31:04segundo andar, me tombou e não me tombou
31:07de costa. Mas já tava muito desgastado.
31:10Vai daqui, defesa dali, cansei demais e
31:13perdi. Tá dois a do.
31:15Normalmente a gente abre inscrições pros
31:17atletas aqui. Quem quer, quem quer
31:19disputar, o cara vem, se inscreve. Esse
31:21torneio é um desafio por nós escolhemos
31:23atletas e confrontos que ele vão se
31:26casar no sentido de trazer pro público
31:28uma emoção a mais, que é a rivalidade
31:31entre atletas, porque ele já tem
31:33histórico de combates anteriores. E aí é
31:35o grande, é por isso que nós chamamos de
31:37desafio, porque é um desafiando o outro
31:39para descobrir quem vai ser o grande
31:40campeão. Tira cisma aí vai ser forte.
31:48[música]
31:57Aos 15 [música]
31:59segundos,
32:00a vitória de irã,
32:05[aplausos]
32:05o campeão que será entregue, campeão
32:07desse desafio. E ele foi complexeionado
32:10por um artista aqui de a cerâmica
32:13marajoara deixada pelos nossos índios.
32:16transforma-se nesta arte maravilhosa.
32:21Esses desenhos, essa cerâmica foi
32:23elaborado, né, para muitos e muitos anos
32:26e a gente hoje, na verdade, se se
32:28apropria dessa dessa técnica, dessa
32:30história, desse legado para também
32:32contar um pouco da atualidade, mas
32:34sempre com esse elo, respeitando essa
32:36tradição que a gente tem cerâmica
32:38marajoara feita pelos nossos ancestrais.
32:44Não foi florido para ter que te dar
32:47coluna. Prepara tempo.
32:54[música]
33:04[música][grito]
33:09[música]
33:14[aplausos]
33:15[música]
33:20[música][grito]
33:21[aplausos]
33:24O verdadeiro campeão da luta paraada é
33:27Lúcio.
33:34[música]
33:35Para mim o importante, como eu falei, é
33:36competir. Eu gosto de mostrar a nossa
33:40cultura, entendeu? Perder isso aí é do
33:44torneio. Um tem que ganhar, né? E viva a
33:47luta marajo!
33:49[aplausos]
33:52[música]
33:57[música]
34:06[música]
34:11Quando você fala em judô, você fala o
34:13quê? Japão, você fala de capoeira, você
34:16fala Bahia. Esse nome capoeira é uma uma
34:19palavra tupi guarani. Ka apuan era, quer
34:21dizer, mata que deixou de existir.
34:23Aquele capizinho alo que ficava ali era
34:25ideal para se jogar a capoeira. Algumas
34:27pessoas afirmam que a capoeira veio da
34:28África com os escravos, se desenvolveu
34:31aqui. E outras pessoas dizem: "Não, que
34:33é uma criação do negro escravo, dos
34:36descendentes dos escravos no Brasil". Eu
34:38acredito que ela foi desenvolvida aqui
34:39no Brasil, porque todas as pesquisas que
34:42se fez na África até hoje, não se
34:44encontrou capoeira nessa dessa maneira
34:47como a gente pratica aqui no Brasil.
34:51[música]
34:57Todas as tentativas de definir o que é
35:00capoeira na minha cabeça fracassaram.
35:03[música]
35:04Toda vez que alguém tenta fazer, não,
35:05agora a capoeira vai ser esporte, não
35:07sei de que lá das contas, não adianta,
35:08[música] porque aí vai aparecer também a
35:10força da capoeira como cultura. Ela é
35:12tão cheia de negaça, ela é tão cheia de
35:14rolês, que todas as vezes que tentam
35:16[música] prisionar ela, ela escapola de
35:18alguma forma.
35:18Não tem um pacote pronto, né? A arma do
35:21caprista é o corpo dele. Ele já é
35:23armado.
35:24É a única arte marcial que tem esse
35:26envolvimento com a parte da dança.
35:28Então, nós temos a musicalidade própria,
35:30nós temos os instrumentos próprios. Isso
35:33tudo de uma mesma raiz que é a raiz
35:34africana. [música]
35:43[música]
35:45Capura ela é dança, ela é luta, ela é
35:47guerra. Eu tô sempre preparado, eu sou
35:49do amor, mas se tiver preparado pra
35:51guerra também, a gente tá preparado aí.
35:52O capo tá desse jeito, entendeu? E aí,
35:54cuca? [música]
35:56E aí, brother? Qual é?
35:59Essa aqui é a comunidade Cosmo de
36:01Farias, lugar onde eu vivo. Aqui tem
36:02tudo. Aqui tem muita capoeira, aqui tem
36:04[música] música, aqui tem rap, tem hip
36:06hop, tem malandro também, mas aí tem que
36:08ser capoeira para poder não tá no meio,
36:10tem que ter o gigado, né? Sempre tá na
36:12esquiva. Aí tá esperto.
36:14Dia dia é esse, é andar pela comunidade,
36:16falar com a galera e ensino capor é
36:18tudo, muito projeto social, ensino para
36:20bacana também. Felipe tá faltando
36:22demais, Felipe. Você a bora meu filho.
36:26Tá na fila meu filho. No final atrás de
36:27Davi e Lorena aí, ó. Vamos lá. Rapaz,
36:30volta pra terra.
36:31Cai paralelo, cai filme de frente pro
36:33pai. Vai lá. Isso de novo.
36:35Uma coisa mais coletiva é isso, é dar
36:37continuidade ao que eu aprendi com a
36:38capoeira e devolver de volta pra
36:40comunidade, entendeu? Fazer com que de
36:42repente eu tenho no trabalho social 40,
36:4450 crianças, de repente salvasse cinco.
36:46Não tem envolvimento com droga, não tá
36:48misturado em coisa errada. Então, a
36:49ideia do capox no dia a dia é que cada
36:51dia a gente pense em coisa melhor para
36:53todo mundo, entende? A gente tá sempre
36:54pensando junto, né?
36:57[música]
37:07[música]
37:11[aplausos]
37:12Nós estamos aqui no Forte da Capoeira em
37:14Salvador para fazer um torneio de
37:16capoeira. E como é que vai funcionar
37:17esse torneio? Qual a essência desse
37:19torneio? Vai pontuar o jogo, tá? A
37:21harmonia do jogo, a cadência do jogo.
37:24Quem recebe a pontuação é a dupla.
37:26Depois, esses pontos vão sendo
37:28individualizados para cada competidor,
37:31[música] competidor. O vencedor ou a
37:33vencedora vão ser os capoeiristas que
37:37conseguirem passar por essas fases todas
37:39com harmonia nos jogos e no final mostra
37:42a sua melhor destreza. [música]
37:49[música]
38:03[música]
38:09[música]
38:16Ei, ei, ei, lançar bem o seu corpo e
38:20fazer parte do
38:26com toda essa dimensão da capoeira, as
38:28vertentes de capoeira que tem hoje em
38:30dia, né? A gente tá fazendo um torneio
38:32hoje, mas o fator mais importante hoje é
38:36a confraternização,
38:39porque a gente tem que fazer uma
38:40distinção entre o que é capoeira e o que
38:42é o capoeirista. Capoeirista, rapaz. É,
38:45é, é toda, não é só você aplicar os
38:48movimentos. Eu entro num restaurante, eu
38:50tenho que sentar numa mesa que seja de
38:52cacha pra parede, eu não dobro esquina.
38:55Às vezes eu vou com minha mulher aqui,
38:56eu abro assim, ela tá maluco,
38:58mais ou menos. Aí para poder ver quem é
39:01que vem na esquina, porque ele falava.
39:02Então,
39:03a sociedade
39:05reage diferente ao capoirista. O
39:07capoeoirista tem uma maneira especial de
39:09ser. É uma luta totalmente democrática.
39:11Por exemplo, quando eu entro numa roda
39:12que eu baixo no pé do birimbau, eu não
39:14pergunto aquela pessoa que tá do lado se
39:17ele é dentista, se ele é médico,
39:19advogado, se ele é um marginal. Não
39:21pergunto, não interessa isso. Qual a
39:23religião dele não interessa. Naquele
39:25momento ali, ele é apenas um capoeirista
39:26como eu.
39:27Como aqui passa a gente do mundo
39:29inteiro, fica muito claro que no momento
39:32que você tá dentro de uma roda de
39:34capoeira, você esquece se você é branco,
39:36se você é preto, se você é pobre. E aqui
39:38nessa casa vem toda a capoeira do mundo
39:40inteiro, diante de todo canto, do Japão,
39:42da Alemanha, da Itália, da América do
39:44Norte, central. E todo mundo aqui se
39:46sente como gente, se sente como
39:48capoeira. Isso é muito legal para nós.
39:50Antes da roda dizer eu sou bom, eu não,
39:52isso não existe. O departamento do
39:54capoirista na roda. [música]
40:02[música]
40:06O mestre Bimba. Eh, eu tenho o maior
40:08orgulho de de ser filho dele, tanto de
40:12sangue como de capoeira. Meu pai teve
40:14milhares e milhares de alunos e se
40:16espalharam pelo mundo afora.
40:18Recebemos uma das grandes figuras
40:20folclóricas, uma das grandes figuras da
40:22Raça Neiro aqui na Bahia. O que ele
40:24dizia para mim era era o que era certo,
40:26era o que era lei, era o que era que
40:28valia. O mestre B dizia lá, pulo de
40:30cabeça na parede e a gente pulava sem
40:33reclamar, sem nada.
40:34Ele ensinava a gente não só a jogar, mas
40:37ele ensinava a gente a respeitar, ele
40:40ensinava a gente os nossos limites, ele
40:42ensinava a gente a ser capoeira.
40:45[música]
40:55[música]
41:00Fui vendido aquele morto [música]
41:03por apenas um temp.
41:11O meu corpo não tem brilho, [música] só
41:15tem marca de chicote.
41:18Eu vou jogar capoeira
41:20só a Deus. Eu peço só
41:24e
41:27viva meu Deus. [música]
41:29E
41:31viva meu Deus, camarade.
41:35Vamos embora. [música][canto]
41:37E
41:40vamos embora, camarada. Chega no cantor.
41:44[música]
41:48Galo cantor camarada
41:51é o [música]
41:53e
41:55é o
42:01samar.
42:06Meu nome é Felipe Santiago, conhecido e
42:09tratado na capoeira como mestre Felipe.
42:12Eh, sou o mais velho da cidade que estou
42:16ainda na Temovia, né?
42:19Um filho quando pedia ao pai, meu pai,
42:22me bote na capoeira.
42:25É o que, menino? Você tá ficando doido?
42:27É,
42:30capoeira. Coisa de vagabundo, coisa de
42:31moleque, coisa de malandro.
42:35[música]
42:38Esse é o toque da cavalaria.
42:41Quando a polícia chegava, ele tocava
42:43para dar de abiro. Então aí ele largava
42:47o birimbau, escondia os birimbau, bem
42:49escondido, pegava os tambor e começava
42:52fazendo samba.
42:54Por isso quando chegava via eles fazendo
42:56[limpando a garganta] samba, corria,
42:57olhava, não via nada, ia embora. Ele
43:00tornava
43:02o birimbau e começava a capoeira de
43:04novo.
43:05Você era preso jogando capoeira, você ia
43:06para Fernando Noronha, pegava de se
43:08meses só por estar jogando capoeira, não
43:10precisava estar brigando nem nada. A lei
43:13dizia fazer nas ruas e praças públicas
43:16exercícios de agilidade corporal
43:19conhecido como capoeiragem e pena, pa
43:21dos vadios e capoeiras. O nome do
43:24artigo.
43:24A capoeira foi proibida no Brasil por
43:27lei de 1890 a 1937.
43:31Os jornais do começo do século XX,
43:33porém, fizeram [música] campanha com
43:35humor para ela substituir o Gil Gitsu
43:37nas aulas de defesa pessoal na marinha
43:40brasileira. A capoeira resistiu. Na
43:42década de 50, [música] o mestre Bimba
43:44chegou a fazer uma apresentação para o
43:47presidente Getúlio Vargas, que teria
43:49[música] dito que a capoeira é um
43:50esporte verdadeiramente nacional.
43:53Capoeira sempre será um símbolo [música]
43:55de resistência, porque sempre alguém tá
43:57querendo controlar ela de alguma forma.
44:00[música]
44:05เฮ
44:06[música]
44:11[música]
44:18[música]
44:28[música]
44:37[música]
44:45[música]
44:54Estamos juntos de novo.
44:55Tem pessoas que pensam que capeira é só
44:57brincadeira, mas não é só brincadeira.
44:58Capoeira é luta, é defesa e ataque.
45:01Porque dentro da capoeira tem o gingado
45:02que é a dança da capoeira. é a base
45:05principal para um capo aprender gingar.
45:08Do gingar nasce os golpes e esses golpes
45:10tem golpe até fatal, que a pessoa até
45:13morre.
45:13Sempre foi luta de defesa pessoal.
45:16Depois, com a folclorização da Bahia,
45:19por exemplo, a capoeira se folclorizou
45:21muito, passou a se dar mais valor às
45:24pantomimas, quer dizer, aquela
45:27articulação toda do jogo, porque não
45:30havia mais necessidade de se utilizar
45:32ela como arma de defesa, né?
45:34Tinha estados como Brasília, os caras
45:36eram bombado e muita porrada. Hoje em
45:39dia essa eles começaram a se respeitar
45:42dentro da roda. Fora da roda também não
45:43existe mais porrada. Que antigamente
45:44existia porrada fora da roda de grupos
45:47de maltas, de ganges.
45:48As maltas eram grupos de capoeiristas
45:50que se davam nomes, né? O que hoje
45:53chamamos de grupo de capoeira, eles
45:54chamavam de maltas. Os Gaiaamuns e os
45:56Nagas, eles dividiam a cidade em duas e
45:58ali eles mandavam e faziam o que eles
46:00queriam. Em Pernambuco tinha os brabos
46:03que saiam com os cacetes na mão, batendo
46:05em todo mundo na frente das bandas. E
46:07isso era um desordem total. A literatura
46:10brasileira tá cheia desses episódios de
46:13de desordem feito por capoista, né?
46:15[música]
46:16Olha a quebra gerba quebra, quebra gerba
46:20quebra quebra quebra quebra quebra
46:25quebra. [música]
46:27Quer dizer que el tá mandando o carro
46:28quebrar o outro, né? P quebrar aí vou
46:32bater para que vai bater no carro o
46:33carro cair e negócio danado, né? Mas é
46:35assim mesmo. O capoeiro é coisa gostosa,
46:37mas também tem essas horas de
46:38perseguição.
46:40[música]
46:42É aquela coisa, capo é pergunta e
46:44resposta. Se a pergunta for tranquila, a
46:46gente responde com tranquilidade. Se a
46:47pergunta for tensa, provavelmente vai
46:49volotar a resposta com mais intensidade
46:51na coisa, né? A gente tá sempre
46:53preparado. Então a gente comer, a gente
46:54pede a Deus, pede os orixás, pede tudo
46:55para abençoar a gente. A gente vai lá,
46:57joga do jeito que a coisa tem que
46:58funcionar.
47:02Uma
47:03[música]
47:07roda de capoeira, ela é composta com
47:09três grimbau, dois pandeiros e uma
47:11tabaque.
47:14A música é um incentivo pra capoeira e
47:16uma mulher gostosa.
47:20[música]
47:27Eu já fazia birimor, mas eu fazia um
47:29birimbau com qualquer badeira ou
47:32qualquer cabaça. Para mim vergou
47:34era um birimbau. Mas quando eu cheguei
47:36aqui, fui me aperfeiçoando, como se faz
47:38um birimbau bom para tocar ele é coisa
47:40fácil. Pode ser assim uma pedra ou uma
47:44moeda, mas eu prefiro a pedra. Pega
47:46sucar xixi por dentro da mão, uma
47:50vareta.
47:52[música]
47:56Yeah.
48:00[música]
48:09[música]
48:14[música]
48:20Essa coisa da capoeira com a música, com
48:23birimbau, com instrumentos, com canto,
48:25com brincadeira. Ah, o que é isso aí?
48:26Uma luta não. Isso aqui é uma variação
48:28dos angolas. O negro sempre teve essa
48:30capacidade de disfarçar a luta [música]
48:32em dança, em brincadeira, em vadiação.
48:35Foi o que salvou a capoeira.
48:36E aí cada um tem sua música, tem sua
48:38musicalidade própria, tem uma coisa
48:39legal que toca no ritmo, outro toca em
48:41outro e aí [música] ajuda pro atleta, o
48:43atleta capoeira fica mais estimulado.
48:45Ele tem um orgulho de dizer que eu sou
48:46capoeirista. Eu tenho um, eu sou
48:48engenheiro civil. Eu larguei tudo para
48:50viver de capoeira há muitos anos,
48:51[música] entendeu? Então eu tenho
48:53orgulho de dizer que eu sou capoeirista,
48:54entendeu? Trabalho com capoeira,
48:56que a capoeira também tá influenciando o
48:58mundo de algumas formas, né? Todas as
49:00classes sociais, vários países que tem
49:02uma outra cultura totalmente diferente
49:04da nossa. E a capoeira tá lá invadindo
49:07esses espaços e ajudando as pessoas.
49:10Bahia, velah, [música]
49:14terra de
49:16visourar.
49:18O escravo sofria muito e a tendência
49:22natural era se defender sem armas, né? A
49:25capoeira primitiva, por exemplo, era uma
49:27capoeira poucos movimentos, mas que
49:30tinham que ser movimentos decisivos.
49:32Então, o capitão do mato, por exemplo,
49:34quando saía atrás de um escravo, ele ia
49:35no cavalo e armado. Então, o capoeirist
49:38tinha que ter movimentos que conseguisse
49:40derrubar o cara e vencer o cara numa
49:42desvantagem terrível. Um capoeirista que
49:45não tem uma jinga boa, ele não é um bom
49:47capoeirista. Todo bom capoeirista tem
49:49uma jinga legal. Se ele se ele não tem
49:51uma jinga boa, ele tá fazendo um karatê
49:53mal feito. [música]
50:01[música]
50:03Nós trabalhamos com três tipos de
50:06golpes, né? Eh, os golpes de linha, os
50:09golpes frontais circulares e os golpes
50:12giratórios, tá? Nós vamos começar com um
50:15martelo, que é um golpe de linha. É um
50:18golpe frontal e é um golpe
50:19traumatizante. Muito legal. Você vê que
50:21ele tem a trocada de braço, a mecânica
50:24de trocada de braço é importante. Ele
50:26vai fazer agora um golpe frontal
50:28circular, que é a meia lua de frente.
50:31Ele vai fazer agora um golpe giratório,
50:33que é armada. Pinaúa vai saindo,
50:36esquivando e já vai batendo uma chapa de
50:38frente. Abusado esquivou, cobriu e
50:42chutou.
50:44Entrou na queixada. Eu fui esquivando e
50:47entrando em chapa giratória. E a
50:50capoeira, ela tem um fenômeno muito
50:52diferente de muitas outras lutas que são
50:54as quedas. É chamado tesoura de cintura,
50:57tá? Ele desponta um golpe, eu vou
51:00esquivando e já vou entrando no golpe
51:03dele, mas já despontando uma queda.
51:05Entrou e fez a projeção da tesoura de
51:08joelho.
51:10[música]
51:11Eu entrei na cruz e fiz a banda. em cima
51:15dele, entrou na ponteira, eu esquivei,
51:18entrei na branda taçada em cima dela.
51:21[música] Ele entrou, eu fui, já puxei e
51:25já entrei direto com a Vingativa
51:26[música] com boca de calça.
51:31[música]
51:38[música]
51:44E agora, pessoal, anunciar a grande
51:48final do torneio Forte da Capoeira.
51:52Girazol do [aplausos]
51:55Ilane do Guerreiro.
51:59[música]
52:03[música]
52:10[música]
52:14Bah
52:18[música]
52:23Maria,
52:29eu sou Bahia [música]
52:39[música]
52:40agora anunciar aqui Girassol.
52:43[aplausos]
52:44Ilane
52:48[música]
52:49tá. E essa vencedora é giraçol, galera.
52:54[aplausos]
52:55Girol, tu é girassol. Tu é girassol. Tu
53:00é girassol. Tu é girol. [música]
53:06Baianinho do Engenho, [música]
53:09Jurac do Guerreiro.
53:19[música]
53:28[música]
53:34[música]
53:39[música]
53:40لا
53:43E agora, pessoal, anunciar o vencedor da
53:48categoria masculina. E esse vencedor
53:52foi baianinho, galera.
53:59Éinho, [aplausos] é barinho, éinho.
54:03Éinho,
54:05éinho. [música]
54:11[música]
54:12Muito antes de alguém apostar uma
54:14corrida ou jogar uma bola numa cesta,
54:17[música]
54:18já existiam duas pessoas nesse planeta
54:20que lutavam e uma outra [música] que
54:23assistia.
54:24Não importa sua cor, que língua você
54:27fale ou de onde você é. Nós somos
54:31[música] todos humanos e a luta está no
54:33nosso DNA. A luta é o esporte [música]
54:37mais antigo da Terra e ela ainda cruza
54:40todas as fronteiras para emocionar o
54:43mundo todo.
54:54[música]
55:05[música]
55:19[música]
55:28[música]
55:36[música]
55:42[música]
55:49[música]