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0:00[Música]
0:06Boa tarde, pessoal. Estamos aqui em mais
0:08um episódio do podcast, o nosso podjogo,
0:11um podcast que foi criado para falar
0:13sobre o jogo legal, o jogo responsável.
0:16No último episódio, nós trouxemos um
0:18tema muito interessante com os
0:20representantes da loteria do estado de
0:21Minas Gerais. Nós falamos da loteria
0:25como uma autarquia que vem evoluindo ao
0:28longo dos anos. são mais de 100 anos,
0:29né? E a gente trouxe o tema de como tem
0:33sido eh evoluído e tratado esse ponto de
0:36jogo responsável ao longo dos anos. Se
0:39você não assistiu, vale a pena assistir.
0:41Tá no nosso canal do YouTube, nosso
0:43primeiro episódio. A link está na nossa
0:46build do Instagram, no trem das 11 da
0:48raspadinha. Vale muito a pena assistir.
0:51Bom, nesse episódio nós vamos falar hoje
0:54sobre eh Setembro Amarelo, a importância
0:59da psicologia nesse tema de jogo
1:02responsável. Nós trouxemos aqui uma
1:04convidada super especial. A Ana vai
1:06apresentá-la pra gente. Boa tarde, Ana.
1:09>> Boa tarde, Rafa. Boa tarde, Paula, nossa
1:11convidada de hoje. Gente, primeiro eu
1:14queria repetir mais uma vez jogo
1:16entretenimento, né? E por ser
1:18entretenimento, a grande maioria das
1:20pessoas lida muito bem com isso. Tá todo
1:23mundo aproveitando como qualquer outra
1:27atividade de lazer, mas infelizmente a
1:29gente sabe que isso não é a realidade de
1:31100% das pessoas. Então a gente tá aqui
1:35com a Paula, ela é, eu vou ler aqui
1:38agora, gente, para eu não me perder,
1:39porque é grande, tá? Eh, Dra. Paula
1:43Dias, psicóloga bacharel em direito,
1:46doutor e mestre em psicologia pela UFMG,
1:49atualmente é pós-doutorando em
1:51psicologia também pela UFMG e professora
1:54e coordenadora do curso de psicologia da
1:56Universidade Fumec aqui em Belo
1:58Horizonte, pesquisadora de cultura
2:00digital, psicopatologia
2:02e ludopatia. O que que a gente pretende
2:05com esse nosso programa de hoje, gente?
2:07a gente vai entender riscos, eh,
2:10entender como que a gente pode
2:11direcionar de forma eficiente, eh, o
2:14tema do jogo responsável e as pessoas
2:16que de alguma forma t alguma
2:18dificuldade, um problema com o jogo,
2:20suas famílias e tudo mais. Vamos lá,
2:23Rafa.
2:23>> Vamos lá. Primeiramente, muito
2:25bem-vinda. Obrigado por aceitar o nosso
2:27convite.
2:28Conta pra gente sobre a sua trajetória,
2:30o que levou você a pesquisar sobre
2:32lodopatia, o que significa a dolopatia,
2:35porque eu acho que hoje muitas pessoas
2:37ainda não têm conhecimento dessa palavra
2:39exatamente como ela é. E é isso. Muito
2:42obrigada pela presença.
2:44>> Bom, tudo bem, gente? Boa tarde.
2:46Primeiramente eu queria agradecer o
2:48convite, né, para estar aqui com vocês,
2:50compartilhando um pouquinho do que eu
2:51venho estudando, mas também construindo,
2:53né? Eu acho que isso é uma temática, o
2:55jogo responsável, a própria ideia de
2:56ludopat é algo que a gente vai
2:58construir, né? Um pouco isso que eu me
3:00proponho nessa pesquisa. Então, como a
3:02Ana me apresentou, eu sou psicóloga, né,
3:04e trabalho com a psicologia. Eh, e
3:07atualmente no pós-doutorado, eu comecei
3:10recentemente a estudar justamente isso
3:14que é o vício, né, ou compulsão ou é em
3:18em jogos de uma maneira geral, eh, que a
3:22gente chama, né, ficou comumente chamado
3:25até pela Organização Mundial de Saúde
3:26como ludopatia. Então, o meu percurso,
3:29ele é um percurso acadêmico. Eu venho da
3:31academia, venho, né, da universidade
3:35e o início desse estudo, ele surge por
3:38uma curiosidade, né? A gente que tá na
3:40na universidade, a gente a gente fica
3:42atento com o que tá acontecendo no mundo
3:44e na sociedade. E algumas perguntas,
3:47toda pesquisa, ela surge uma pergunta,
3:49né? A gente sempre que ele vai fazer uma
3:50pesquisa acadêmica, a gente surge como
3:52pergunta e não como uma resposta. Se a
3:54gente já tem a resposta, a gente não
3:55precisa de fazer o caminho de pesquisa.
3:57E a pergunta da pesquisa, ela ela vem
4:00justamente para tentar entender eh qual
4:03que é o ponto e o eixo que faz com que
4:05um sujeito, como você mesma disse, possa
4:08fazer uso de um jogo com lazer,
4:11entretenimento, com responsabilidade,
4:13entendendo seus limites, fazendo um uso
4:15que possa gerar prazer de fato. E qual
4:17que é a diferença de um uso daquele
4:19jogador que ele se coloca, eh, e às
4:22vezes não sabe por quê, em situações que
4:24geram sofrimento, que gera risco, que
4:26gera endividamento, né? Como você disse,
4:28a maioria dos jogadores, eles fazem um
4:31uso dos jogos de uma maneira geral, de
4:33uma maneira responsável, moderada, mas
4:36existe sim uma pequena parcela que faz
4:38uso um uso eh que gera o sofrimento
4:41psíquico, né? Então, o objetivo é tentar
4:44entender as condicionantes, os efeitos
4:47também desse tipo de de uso. E aí o meu
4:50eixo é o eixo da psicologia, né? A gente
4:52poderia fazer uma análise disso a partir
4:54de vários pontos, antropológicos,
4:56sociológicos, econômicos, legais, né?
4:59Mas o foco da minha pesquisa é a
5:02psicologia. E aí você trouxe o setembro
5:03amarelo, né? Que é um mês que a gente de
5:06fato fica atento, né? Um mês de
5:08divulgação da saúde mental, da
5:09importância de cuidado em saúde mental.
5:12Eh, e nesse sentido acho que essa
5:14conversa ela é muito relevante, né? Eu
5:16acho que a gente ainda engatinha muito
5:20nesse diálogo. Acho que a gente da
5:22psicologia fica também um pouco ausente,
5:23um pouco de fora, às vezes muito entre a
5:25gente e participando um pouco dos
5:27debates públicos, dos debates que que
5:30acabam tocando um ponto que a gente
5:31estuda, né? Então eu eu acredito muito
5:34que a gente tem que sair da
5:35universidade, a gente tem que estar
5:37junto com com quem tá debatendo, quem tá
5:39conversando nessa ideia de produzir um
5:42conhecimento, né, e não de impor um
5:44conhecimento. É isso que a gente vai
5:46apostar aí nesses espaços como esses e
5:48também no espaço da da academia. E é
5:51muito legal, Paulo, a gente poder ter
5:53essa troca mesmo, né? Porque a gente
5:55complementa e e aumenta a qualidade do
5:58nosso saber e do que a gente passa
6:00também pro outro. E aí eu fico me
6:03perguntando, muitas vezes, eu gosto, né,
6:05como profissional do direito,
6:06trabalhando na loteria, de dizer o tempo
6:09todo que o jogo ele vai ser como você é
6:13um jogo de futebol, ele vai ser como
6:14você é um show, sair para ir no bar,
6:16tomar uma cerveja, né? Então a gente
6:18compara os jogos de azar, as apostas
6:22muito com qualquer outro lazer. Mas aí
6:25quando a gente olha pro outro lado, pro
6:28vício, a gente também pode dizer que o
6:30vício em jogo, a compulsão com o jogo é
6:32igual a qualquer outro vício. É uma
6:34excelente pergunta. E aí pra gente
6:37responder sua pergunta, a gente pode
6:39começar pela pergunta que você tinha
6:40feito pra gente tentar entender o que
6:43que é a ludopatia, porque ela é uma
6:45modalidade de comportamento compulsivo
6:48e e os comportamentos compulsivos eles
6:50seguem uma mesma linha, uma mesma
6:51lógica, né? Que é um pouco isso que eu
6:53vou explicar.
6:55Eh, ludopatia também pode ser chamada de
6:57transtorno de jogo ou jogo patológico.
7:00Também são outras formas de de
7:01terminologias, né, que podem ser usadas,
7:04que se distinguem inclusive de uma outra
7:06terminologia que é do jogo problemático.
7:08O jogo problemático é o sujeito que ele
7:09faz um uso do jogo que não é legal para
7:11ele, mas ele não seja, não chega a ser
7:13compulsivo. Quando a gente fala de
7:15ludopatia, né, ou jogo patológico, a
7:18gente tá falando de um sujeito que ele é
7:19compulsivo. É, o que que é uma
7:21compulsão? como toda e qualquer
7:23compulsão, o sujeito, o indivíduo, ele
7:26não gostaria de fazer o ato e ele não
7:28consegue se freiar, ele não consegue não
7:30fazer. Então, a gente não pode dizer,
7:32por exemplo, que um jogador que gasta
7:34muito dinheiro, ele é um jogador
7:36compulsivo. Não necessariamente. Ele
7:38pode, se ele tiver o dinheiro, né, e ele
7:40quiser gastar, ele gasta o dinheiro dele
7:42como ele quiser. Não necessariamente tem
7:43a ver com a quantidade de dinheiro, não
7:45necessariamente tem a ver com a
7:47quantidade de tempo que esse sujeito
7:48fica, porque também o tempo ele pode ser
7:51uma determinante, mas ele não é a única.
7:53Então, uma um conjunto que que que eu
7:55tenho visto assim, que às vezes a gente
7:56pega um um dos elementos da compulsão e
7:59articula isso como compulsão e não é, é
8:01um conjunto, então tem uma dificuldade
8:03ou uma impossibilidade do sujeito se
8:05freiar, né, nesse nesse nesse uso, nesse
8:08no jogo. Eh, então vai na na direção
8:11oposta ao que ele deseja. Ele não quer
8:13julgar, mas ele não consegue não jogar.
8:16É a mesma coisa a compulsão alimentar.
8:17Se for pensar, compulção alimentar não é
8:19assim. a pessoa não quer comer, mas ela
8:20não consegue não comer, ela gostaria de
8:22não comer, né? E aí outros vícios e
8:25compulsões, como por exemplo, eh, hoje
8:27muito frequente também na consultório, a
8:29gente vê eh que, por exemplo, compulsão
8:32por pornografia, o sujeito ele não quer
8:34e ele não consegue não fazer. Então isso
8:37se estende pro ambiente de trabalho
8:38muitas vezes e isso torna-se então um
8:41uso eh que gera sofrimento. Então eh
8:46quando a gente fala do termo ludopatia,
8:48nós estamos falando de um uso que gera o
8:50sofrimento psíquico para esse sujeito.
8:52Então tá vendo que não tem a ver com
8:53necessariamente tempo ou quantidade de
8:55dinheiro gasta,
8:56>> né? Tem uma ação que ele não consegue
8:58freiar e e talvez por isso seja tão
9:01difícil também, né? seja pro operador,
9:04pro próprio psicólogo, pro estado, de
9:07medir quando que esse jogador passou de
9:10um jogador comum, né, um jogador médio
9:14para um jogador problemático, para um
9:16jogador patológico.
9:18>> Isso, isso aí,
9:19>> né, que
9:20>> muito. E existe fatores que a gente
9:22consegue identificar que a pessoa tá tá
9:25viciada, existe uma a gente consegue
9:29medir, é difícil. Esse ponto, ele é um
9:32ponto muito interessante essa pergunta,
9:33porque quando a gente fala de saúde
9:35mental, eh, eu falo que a psicologia, el
9:38é uma, ela é uma ciência que ela fica
9:39meio que diferente das outras, porque a
9:41gente, eu falo com meus alunos que a
9:43gente estuda a gente mesmo, né? Então,
9:44assim, a gente, eh, a psicologia lomamos
9:47ela não é 100% matematizada, né? tem uma
9:50parte dela que ela é um pouco abstrata e
9:52ela é singular também. Então, eh, essa a
9:56pergunta de que quais são os indícios
9:58que a gente pode ter para conseguir
9:59identificar esse jogador, né? O
10:02principal dele vai ser o próprio jogador
10:05ao dizer que ele não consegue não fazer.
10:08Porque quando você olha de fora, não
10:09necessariamente você tem a dimensão
10:11exata do que que se passa para aquele
10:14sujeito, né? Mas a família, ou seja,
10:18quem tá em volta percebe. Então, a
10:20família às vezes é um elemento
10:22identificador do uso, né, do do da
10:24lutopatia, do uso compulsivo, do vício.
10:27Eh, e o próprio sujeito quando ele se
10:29identifica, quando ele identifica em si
10:31essa essa característica. Mas tem
10:33algumas pessoas que não conseguem eh
10:36elas não admitem, elas não conseguem
10:38admitir para si mesmas que o que elas
10:40não conseguem se freiar. Então elas
10:42estão no limite entre o o uso do jogo
10:46que seja saudável e um tá bem ali no
10:49limítrofe, né, entre o saudável e o
10:51patológico. Mas eu eu a gente consegue
10:54ver isso muito singularmente, né,
10:56escutando essas histórias, escutando o
10:59contexto, é muito porque que que tem
11:01sido feito. vejo, né, assim, um pouco do
11:03que eu tenho acompanhado. Como eu disse
11:04para vocês, a gente tá na na
11:06universidade, mas tentando estar atento
11:08ao que tá acontecendo na sociedade, né,
11:11os espaços de discussão e os espaços em
11:14que esse tipo de de conversa acontece.
11:17E
11:19eh eu eu vejo uma certa banalização
11:23dessa ideia da ludopatia, sabe assim, eh
11:26até esse termo, né, o ludopata, né, que
11:29tem uma conotação pejorativa, né, a
11:32gente tava até conversando, parece o
11:33psicopata, né? Então acho que a gente
11:36tem que ter muito cuidado. E uma outra
11:38coisa que eu tenho reforçado e falado
11:39muito, isso é um diagnóstico.
11:42E diagnóstico ele é dado por
11:44profissionais de saúde mental, né? No
11:46caso, ah, a gente não pode, eu não posso
11:49dar um diagnóstico de um problema
11:50cardíaco, sendo que eu posso até achar
11:52que é uma arritmia, alguma coisa, mas
11:54quem vai dar conta de fazer esse
11:56diagnóstico é o profissional, né, de
11:57saúde. Então eu gosto de reforçar isso
12:01para mostrar o quanto que isso isso é
12:03importante a gente estar atento, senão a
12:04gente cai na banalização, no
12:06estereótipo, né, em algo que vai um
12:08pouco contra o tratamento, né, contra as
12:11possibilidades que a gente pode ter de
12:13apoio, de suporte para esse, como você
12:15disse, que a minoria, né, a maioria das
12:17pessoas vem fazer um um uso do jogo como
12:19lazer, como entretenimento, desse tipo
12:21de jogo, como todos os outros jogos, né?
12:23Entretenimento tem desde sempre, né? O
12:26homem, o sujeito, ele precisa disso, né?
12:28A vida já é difícil demais. Então, a
12:30gente vai encontrando
12:32eh na nossa vida aquilo que faz sentido
12:35pra gente dar sentido pra vida, né? Eu
12:36falo que a vida não tem um sentido a
12:40priori, a gente atribui sentido pra
12:41vida. A gente cria o que nós estamos
12:43fazendo aqui, né? O que cada um ao
12:45encontrar na vida profissional formamos
12:48família, temos filhos para quê? Para ir
12:50atribuindo sentido paraa nossa
12:51existência. E nesse contexto a gente
12:53também precisa de ações de lazer que
12:56envolvem eh investimento pecuniário,
12:58investimento de dinheiro, vários
13:00diversos, não só esse, né? Então a gente
13:02também tem que tomar cuidado para não
13:04colocar esse tipo de entretenimento como
13:06bode expiatório, né? E entender que é
13:09uma via de entretenimento, mas que
13:12dependendo do uso, ele pode ser uma via
13:14de sofrimento psíquico para algumas
13:16pessoas que têm já alguma prédisposição.
13:19Acho que isso é importante.
13:20>> Essa era minha pergunta. A próxima
13:21pergunta é qualquer outro tipo de vício,
13:23a gente sempre fala que tem uma porta de
13:25entrada, né? Geralmente pessoas que usam
13:28qualquer tipo de droga e fala que o
13:31álcool é é uma porta de entrada. O vício
13:34para jogos, você acha que tem algum as
13:36pessoas têm uma predisposição, as
13:38pessoas que já são viciadas em outro
13:40tipo de seja de jogos de eh uso de
13:45drogas ilícitas. Você acha que essa
13:47pessoa ela já tem uma predisposição a
13:50desenvolver esse tipo de vício em jogos?
13:53Porque antes as pessoas estavam muito em
13:55cassino, bebiam muito, então já estava
13:57ali naquele ambiente, né? Jogo do bicho,
14:00por exemplo, sempre tem no lugar onde
14:01tem muitas pessoas bebendo. Você acha
14:04que existe uma porta de entrada para
14:06esse tipo de vício ou a pessoa ela só tá
14:09tentando usar aquele meio como uma forma
14:10de ganhar dinheiro e acaba entrando
14:13nesse nesse vício? é as duas coisas. Eh,
14:17olha só, o, em geral uma um
14:20comportamento compulsivo, tudo que é da
14:22ordem do excesso, que a gente eh
14:26como é que eu vou poder explicar de
14:27forma simples? Tudo que a gente coloca
14:28num certo excesso na nossa vida, vem
14:30para tamponar alguma coisa em geral da
14:33ordem de uma angústia. A gente tá
14:34angustiado com alguma coisa, a gente
14:36tampona aquilo, tem gente que faz isso,
14:38é o rollica, é uma compulsão por
14:39trabalho, a gente tampona essa angústia
14:41com alguma coisa. E por que que vira
14:43compulsão? vira compulsão porque eu
14:45tampo algo que tá me fazendo mal-estar,
14:48tá, tá gerando mal-estar e não resolve.
14:50Porque o problema da angústia, do que
14:52nos angustia, por exemplo, não é o jogo.
14:55Mas eu ponho o jogo para tampar, aí não
14:58resolvo o meu problema originário e eu
15:01volto a ficar angustiado de novo. Aí eu
15:02jogo de aí
15:03>> e aí você cria outro problema.
15:05>> Você cria outro problema. Então isso vai
15:07virando um ciclo. Esse é a lógica da
15:09compulsão, né? Eu estou angustiada, eu
15:11como. Mas a minha falta não é de comida,
15:14né? A minha falta é de outra coisa, né?
15:16É. E aí eu como de novo. E aí vai
15:18virando o ciclo vicioso. Tem pesquisas
15:21que mostram, né, que eh esse os
15:23comportamentos eh de compulsivos em
15:26relação a jogos tem junto com ele,
15:29grande maioria outros que que são
15:32chamados de comorbidades. Então entra
15:34junto, por exemplo, índice de depressão,
15:37índice de ansiedade, do ponto de vista
15:39da saúde mental, né? Em geral não é uma
15:41coisa só solta sozinha. Esse sujeito tem
15:44só o vício em jogos. Eu acho que isso é
15:46importante dizer, né? Já tem um
15:48sofrimento psíquico anterior ou o
15:51sujeito faz desse uso ali aquilo que
15:54gera sofrimento para ele na tent, olha
15:56como é paradoxal, na tentativa de sair
15:58do sofrimento, de algum tipo de
16:00sofrimento, né? Normalmente é esse tipo
16:02de dinâmica que é a dinâmica do uso
16:05compulsivo. Então a gente não pode
16:07atribuir apenas ao jogo. É muito
16:09simples. O jogo gera, né, a compulsão, o
16:12jogo gera o vício. É muito mais embaixo,
16:16né? A gente tem que trazer, é uma
16:17questão multifatorial. São vários
16:20fatores envolvidos. Aí agora a gente tem
16:23um elemento que contribui, que é a
16:25grande divulgação disso. Então isso
16:27acaba somando a a lógica das compulsões.
16:30Por quê? Porque é um tipo de
16:31entretenimento em alta na nossa
16:33sociedade.
16:35>> Na palma da mão, principalmente os
16:37digitais, né?
16:37>> Não precisa sair de casa para você ter
16:40acesso.
16:40>> É, eu gosto muito de dar um exemplo, por
16:42exemplo, né, os bingos, por exemplo,
16:43fecha a porta, né, tchau, você vai ter
16:45que ir embora pra sua casa, né, algum
16:47outro tipo de quando você tá com, eu
16:49falo que o objeto da compulsão na palma
16:51da sua mão, ele vai aconcer no banheiro,
16:53ele vai aconcer pro trabalho, ele vai,
16:54tem gente que leva até pro banho, né?
16:56Então, a cultura digital, eh, lá no
16:59pós-doutorado, eu tenho trabalhado muito
17:01a lógica das compulsões e adições de uma
17:03maneira geral, mas o paradigma
17:06que a gente tem estudado lá, o paradigma
17:08de mal-estar contemporâneo, de mal-estar
17:10psíquico contemporâneo, é o paradigma
17:11das adições, compulsões e vícios. Porque
17:14toda a lógica social, todo o contexto de
17:17vida do cultura digital contribui para
17:19um comportamento do excesso. Quantas
17:21horas por dia cada um de nós passa no
17:23telefone, né, nas redes sociais? Então
17:25assim, já a gente tem a gente já tá
17:28sempre preenchido de tudo. A gente é
17:30preenchido de informações, de estímulos,
17:32de ofertas, né, o tempo inteiro. Então
17:34isso isso é uma via facilitadora para um
17:37comportamento compulsivo. A cultura é
17:40quais avós e avós de quem tá nos
17:43assistindo tem relatos de comportamentos
17:45compulsivos. Agora olhem as a nossa
17:48volta, né? Então, é uma dimensão muito
17:51da lógica do que a gente, o
17:54Biunchunghan, que é um autor coreano eh
17:57que estuda contemporaneidade, né? Um um
17:59filósofo coreano que ele ele ele chama
18:01de psicopolítica, que é essa lógica que
18:05a gente fica um pouco alienado dela, né?
18:07Tem até um livro interessante dele que
18:09chamou Enxame Digital, que ele fala que
18:11a informação, as informações elas chegam
18:13pra gente como um enxame. Eu penso bem
18:15numa enxame de abelhas que vem aquilo
18:18como uma massa que a gente não consegue
18:20ver mais as as abelhinhas ali. A gente
18:22só consegue ver aquela massa. E nesse
18:24sentido a gente se aliena naquilo e
18:25quando a gente vê a gente tá imerso numa
18:28cultura do excesso, sem saber como que a
18:31gente caiu lá. E e agora eu fiquei
18:34pensando aqui enquanto você tava
18:35falando, Paula, como que como que é
18:38isso, né? Porque às vezes o jogo ele vai
18:41est inserido em algo que já é
18:43extremamente viciante e anciogênico, né?
18:46Porque no telefone você tem tudo. Você
18:49tem ali está se comunicando com as
18:50pessoas, você mesmo tem a impressão,
18:52poxa, eu tenho que responder ela rápido,
18:54ela me mandou, ela tá me esperando uma
18:56resposta e eu tô lá no meu Instagram
18:59vendo a vida maravilhosa de todo mundo,
19:01mas a minha não tá tão boa assim. Então
19:04tem todas aquelas coisas, aí você pega e
19:05coloca o jogo dentro desse mesmo
19:07ambiente, né? Então ele já é e já é uma
19:12ansiedade por si só, né? E aí, Paula,
19:15quando você, né, ao tratar ali, né, de
19:19pessoas que estão lidando, seja com jogo
19:21problemático ou com jogo patológico, o
19:23que que você enxerga como as principais
19:26consequências psicológicas e emocionais,
19:29tanto para aquela pessoa quanto, né, pro
19:31círculo dela ali, pra família, pros
19:34amigos?
19:35>> Uhum.
19:36Um um grande problema desse desse uso
19:40que a gente tá colocando que seria um
19:42uso problemático ou patológico seria o
19:44isolamento, né? O isolamento é um
19:46elemento importante no que tange a saúde
19:48mental, porque a falta de laço social,
19:51isolamento, hoje em dia a gente usa
19:53muito um termo até para falar dos da
19:54juventude, que são as juventudes de
19:56quarto, né? que são as juventudes que
19:58elas vivem ali dentro do quarto, elas
19:59não saem para se relacionar, jovens
20:01adultos que nunca tiveram um
20:03relacionamento amoroso porque, né, vivem
20:05ali dentro das quatro paredes atrás da
20:07telas. Então, eh também principalmente
20:10pela cultura digital, um elemento que
20:11conduz ao isolamento. E o isolamento é
20:13um elemento de risco para outras para o
20:16desenvolvimento de outras coisas, como
20:17ansiedade, eh depressão, né, e
20:21sofrimento psíquico. De alguma forma a
20:23gente faz laço social, não é à toa, né?
20:25a gente convive eh eh em grupo, a gente
20:28vive em comunidade desde desde muitos
20:30anos na história por uma função
20:32protetora da gente, né? A gente precisa
20:34uns dos outros. Então o isolamento é um
20:37elemento eh que que a gente deve
20:40considerar nesse tipo de de uso, né? Que
20:42o sujeito ele fica ali ele com o uso e
20:45prescinde, né? A gente fala assim,
20:47prescinde do resto. Eh, e esse esse é um
20:51primeiro ponto, né? E o outro que que eu
20:53acho que é um ponto que a gente deve
20:54levar em consideração, que é essa
20:57questão do do sofrimento
21:00que o sujeito entra, mas que começa a
21:01envolver a família, né, que começa a
21:03envolver e os relacionamentos,
21:06relacionamentos amorosos, família,
21:08trabalho, e aí a gente vai crescendo,
21:10né? Então aí quando o sujeito vê, ele já
21:12se perdeu, ele se perdeu completamente
21:14do da essência dele, ele se perdeu,
21:16perde enquanto se perde enquanto
21:18identidade, né? Quem sou eu, né? Porque
21:20a gente vai se eh a nossa identidade do
21:23quem sou eu vai se criando desde que a
21:25gente é infância com base em tudo que a
21:27gente vive, né? Relacionamentos,
21:29família, escola, onde a gente tá
21:31passando. Então o sujeito fica ali em si
21:34mesmo, a gente fala assim, né, ele com
21:35ele mesmo, ele vai se perdendo enquanto
21:37identidade. E isso também é uma questão
21:39bem problemática.
21:41Eh, e o outro ponto que enquanto risco,
21:44né, que eh algumas modalidades de
21:47entretenimento, boa parte delas e os
21:49jogos também tem a questão do
21:51investimento no investimento gasto
21:53financeiro. E algumas pessoas embolam,
21:56se embolam aí e realmente gera
21:58endividamento e aí podem gerar, pode
22:00gerar, né, questões mais
22:04complexas. Eh, a gente tem alguns dados
22:07da de uma revista eh americana eh
22:10científica eh da Lancer, que que mostra
22:13que a grande maioria desses casos que
22:15são mais problemáticos patológicos são
22:17entre os jovens, né, entre 18 e 25 anos
22:19ali. Então é um momento que a gente fala
22:21que um sujeito ainda em amadurecimento,
22:23apesar de ser maior de idade, né, ainda
22:25em amadurecimento. Então é um público
22:26que a gente tem que tá mais atento, né,
22:28e que merece mais suporte nesse sentido
22:30do acompanhamento, né, e do suporte
22:32mesmo, que acho que todos, né, precisam
22:35se envolver, comunidade, família,
22:38escola, enfim, escolas em geral,
22:40universidades, né, eh, comunidade de uma
22:43maneira geral, até porque o jovem ele
22:46ele não se formou ainda enquanto
22:49indivíduo e dificilmente ele também tá
22:52estabilizado financeiramente, né,
22:54enquanto profissional.
22:56e tudo mais. Então ele tá mais
22:58vulnerável mesmo,
23:00>> né? E e a gente tava até conversando
23:03também antes do do programa, né, Paula,
23:05sobre a importância ainda maior disso
23:07dentro das comunidades carentes, né?
23:10Porque aí se você quiser falar um
23:12pouquinho sobre sobre esse ponto, eu
23:14achei importantíssimo essa questão de
23:17como que as comunidades, as populações
23:19carentes, elas estão ainda mais
23:21vulneráveis, vulneráveis frente a essa
23:24essa questão do jogo problemático, né?
23:26>> Isso é realmente. E e aí depois eu que
23:29eu a gente fala assim, estudos mostram,
23:31mas depois eu gostaria de disponibilizar
23:33esses estudos, né? Porque a gente fala
23:35estudos uma coisa ampla, mas vale a pena
23:37divulgar.
23:38Mas eh de fato tem uma
23:42uma o esse uso problemático, né, o
23:46compulsivo que gera o endividamento, ele
23:49é maior na população de baixa renda, né?
23:52E isso é algo que deve ser considerado.
23:54E aí quais são os quais seriam os
23:56fatores, né? A gente tem hipóteses, né?
23:59Por exemplo, promessas de
24:00enriquecimento, né? Para aquele que que
24:02não tem Não, eu vou só mais um pouquinho
24:04aqui porque quem sabe a próxima é a
24:06minha vez, né? A gente fala também muito
24:08sobre o tem um autor que fala que a
24:10gente vive a cultura do narcisismo, né?
24:12Que não tem a ver com mães narcisistas,
24:14que hoje tá na moda, não, mas assim, é
24:15isso que a gente é muito eu comigo
24:16mesmo, né? Isso é cultural eh do do
24:19individualismo. Então, eh, essa ideia
24:23dessa cultura do narcisismo, né? O eh
24:27que tem um autor chamado Leste que fala
24:29sobre isso, que é a minha hora vai
24:32chegar, né? O eu ele tá ali o tempo
24:35inteiro sendo fomentado por uma lógica
24:37cultural. A que fala: "Não, a minha hora
24:39vai chegar, a minha hora vai chegar, o
24:40eu, né? Eu vou inflando aí esse eu nessa
24:42expectativa, numa fantasia de
24:44recompensa, inclusive que pode ser real
24:48e é, mas também tem pessoas que criam
24:50fantasias até inimagináveis a respeito
24:52do e aí é muito singular, mas eu esse
24:55ponto do do nível socioeconômico acho
24:59que é um ponto importante, inclusive
25:01para pensar em ações de sensibilização,
25:03né, de como chegar conhecimento, como
25:05chegar eh ações que de fato atinjam o
25:10público que precisa eh ser olhado, né,
25:14que precisa ser olhado nesse sentido. Se
25:16tem um uso que tá sendo problemático, de
25:19que forma que é nem todo mundo tem
25:21acesso à terapia, nem todo mundo tem
25:22acesso à forma de tratamento, né, a
25:25gente sabe os problemas que a gente tem
25:27da saúde pública, né? Então é um
25:30desafio, né? Eu acho que esse é o
25:31desafio para o campo de uma maneira
25:34geral, né? E hoje, quais são os recursos
25:38disponíveis para quem tem visto em jogos
25:41que a gente tem hoje? Quais são,
25:43falando, né, de tratamento, quais são os
25:45recursos disponíveis que a gente tem
25:46hoje? Ótimo. Eh, como a gente tem tem
25:51sido falado muito sobre eh jogo
25:53responsável, né, e a dimensão, é claro
25:56que eh eh esse assunto,
25:59eu falo que o jogo responsável é um
26:01assunto velho e novo, né? Ele é antigo,
26:03ele é novo também. Ele é novo a partir
26:04do ponto de vista que ele tem sido
26:06tratado e discutido. E aí a dimensão, só
26:09para responder sua pergunta, a dimensão
26:10que me interessa mais do jogo, porque o
26:12jogo responsável tem amplas facetas, né?
26:15E uma delas é a dimensão da saúde
26:16mental, que é aquela que eu estudo, que
26:18me interessa. E aí você perguntou da do
26:20tratamento, né, de como é que então como
26:22lidar, né, com esses jogadores que fazem
26:26o uso problemático ou patológico do jogo
26:29e que a gente, ainda que não seja a sua
26:32maioria, existem, né? a gente não pode
26:34se considerar que eles existem. Eh, em
26:36psicologia a gente trabalha com o que a
26:38gente chama de singularidade, né? Eh, é
26:41muito difícil a gente propor uma ação
26:42que ela seja comum para todos, porque
26:44cada um vai ter uma história, cada um
26:45vai ter uma determinação, cada um vai
26:47ter uma família, cada um vai ter um uma
26:49estrutura, cada um vai ter um uso X
26:51desse desse tipo de de jogo, enfim.
26:54Então, o que a gente fala da da própria
26:56lógica de terapia ou do acompanhamento
26:57psicológico, ele considera esse sujeito
27:01como um todo, né? vai escutar cada um à
27:04sua maneira, pensando nas possibilidades
27:06que sejam favoráveis para essa pessoa. É
27:09muito difícil a gente pensar em ações
27:10universais. Todo mundo que tem isso faz
27:12isso, tá, né? Não, eh, eu brinco, falo
27:14muito em sala de aula, assim, devemos
27:16evitar eh respostas simples para
27:17questões complexas. E a gente tem que
27:20tomar muito cuidado nesse sentido da
27:22divulgação da ludopatia, do jogo
27:24responsável, pra gente não criar
27:25respostas simplistas para questões
27:27complexas. Toda vez que a gente conversa
27:29sobre isso, a gente vê o quão complexo é
27:31isso, né? Então, sim, eh, o
27:34acompanhamento psicológico, eu aposto
27:36muito, né, nessa via, alguns casos
27:39precisa de acompanhamento psiquiátrico
27:40também, dependendo do grau, né, dessa
27:43dessa compulsão, ele vai precisar também
27:45desse acompanhamento. E acho também que
27:48isso eh ultrapassa o atendimento ou
27:51acompanhamento do jogador, né? Muitas
27:53vezes a gente precisa de dar o suporte
27:55familiar também, né? Então, eu tenho
27:57iniciativas de grupos de apoio
27:59familiares, eh, que que ajuda a família,
28:02como manejar, como, né, de que forma que
28:04eu posso ajudar. Às vezes as famílias se
28:06preocupam, mas elas não sabem como
28:07fazem, né? Porque realmente é difícil
28:10manejar esses esse tipo de situação.
28:12Então eu vejo para essas três vias, né?
28:14o suporte ali familiar, o suporte
28:15individual e e em alguns casos mais
28:18graves o suporte psiquiátrico aí talvez
28:21seja importante. E e você acha, Paula,
28:24que, né, pensando na na família da
28:26pessoa que tá lidando com esses
28:27problemas, né, a além de dar eh
28:31estratégias, né, para ela conseguir
28:33lidar, para, né, ficar menos difícil,
28:37você acha que que o comportamento, né,
28:40compulsivo, problemático do jogador, ele
28:42consegue afetar a própria saúde mental
28:45das pessoas que estão ali em volta?
28:47Pode,
28:48>> pode, porque a gente
28:52convive quando a gente, a gente tá na
28:55família, a gente passa muito tempo, né,
28:58ali com a família e a gente vai sendo
29:00impactado. Vocês já perceberam isso?
29:02Quando algum membro da família, por
29:03exemplo, tá adoecido, o resto tem
29:05impactos diversos. Agora, quais
29:07impactos, não sei, mas que tem, tem, né?
29:09É muito difícil um membro da família tá
29:11em sofrimento e o resto todo permanecer
29:14como se nada tivesse acontecido, né?
29:15Então é um tipo de coisa que afeta
29:17mesmo, pode afetar a família do ponto de
29:19vista tanto do do eh psicológico, vamos
29:21dizer assim, psíquico, com quanto do da
29:23questão financeira, né? Às vezes o uma
29:26questão financeira de um impacta todo o
29:28sistema familiar, né? Tem até uma área
29:30da psicologia que estuda muito a família
29:32como um sistema, né? né? E a
29:33desorganização de um ali mexe com toda a
29:36lógica de funcionamento ali da
29:39do do eixo coletivo. Então é importante
29:42mesmo.
29:43>> Você como psicóloga e pesquisadora, o
29:45que que você considera essencial hoje
29:48pra gente ter um ambiente, vamos dizer,
29:50saudável, de jogo responsável no Brasil?
29:52Que que você acha que falta? Qual a
29:54estruturação? O que que pode ser feito
29:56que ainda não tá acontecendo? Hoje tá se
29:58falando muito em jogo responsável,
30:00principalmente por conta dos últimos
30:01acontecimentos.
30:03Eh, o que você vê como eh psicóloga e
30:05pesquisadora que falta e que é essencial
30:08para esse meio de jogo responsável no
30:11Brasil? Olha, eu
30:14tenho acompanhado, né, um pouco mais
30:16algumas coisas mais de perto, outras
30:18mais de longe, mas eu acho que primeiro
30:20ponto eh para de fato a gente conseguir
30:23eh chegar numa
30:27num efeito de jogo responsável, de fato,
30:29primeiro a gente tem que eu falo numa
30:32coisa até anterior a tratamento qualquer
30:34coisa desse tipo, a gente tem que
30:36considerar a saúde mental como o eixo do
30:38jogo responsável e que eh ele precisa de
30:42esse eixo ele precisa ser levado a
30:44sério. Eu acho que para mais do que
30:46fazer cumprir alguma determinação, a
30:48gente tem que pensar estratégias
30:50construídas com os profissionais de
30:51saúde
30:52para levar isso adiante. Assim, de fato,
30:55um jogo, um jogo responsável, um jogo
30:58que leva em consideração o fato de que
30:59tem pessoas que não vão dar conta de
31:01fazer um jogo responsável. Não adianta
31:02vai ter isso, não. Não tem como. E eu
31:05ver e a forma como eu vejo de fazer com
31:07que isso aconteça é ter ofertas para
31:10essas pessoas que não vão ser todas, mas
31:12para essas pessoas que são a sua minoria
31:14para que elas possam ter um apoio, né? E
31:17uma outra coisa, eu acho que a gente
31:18precisa desestigmatizar o famoso
31:21ludopata, né? Porque enquanto a gente
31:23ficar estigmatizando e colocando desse
31:26jeito que a gente que eu vejo que tá
31:28sendo feito como a gente estava dizendo,
31:31né? Quase como psicopata, a gente não
31:34vai conseguir trazer, porque não adianta
31:36eu impor pro sujeito um tratamento se
31:38ele não, né, atendimento psicológico, se
31:40a pessoa não tiver disposta, não
31:41adianta, não tem nem como ninguém
31:43obrigar, né? Então eu acho que o
31:44discurso e a conscientização é muito
31:47importante para que o sujeito consiga
31:48reconhecer ele próprio, por exemplo, que
31:50o jogo dele não tá sendo legal e a gente
31:52só consegue fazer isso com conhecimento,
31:53com a informação. E também acho que o o
31:57todo o mercado da indústria estar atento
31:59sobre na competência de cada um o que
32:01que nos cabe para favorecer ou fomentar
32:03as ações, sejam ações já existentes, né,
32:06no nas cidades, né, eh, enfim, nos
32:09serviços de saúde, nas universidades,
32:11parcerias, né, a gente sabe que tem
32:13parcerias muito interessantes, por
32:14exemplo, de operadoras com
32:15universidades, universidade que eu faço
32:17parte, tem uma parceria, eh, ou mesmo
32:20com serviço de saúde que possam
32:21articular aí e ofertar para esse jogador
32:24o apo apoio. Eu acho que sim, a gente
32:26consegue cercar um pouco mais para que a
32:28gente de fato promova o jogo
32:30responsável. E ele sai apenas das
32:31palavras, né? Porque pelas palavras a
32:33gente pode dizer tudo, mas o ato e a
32:35ação de fato acho que é bem mais
32:37difícil.
32:38>> Mas eu acho que é uma aposta, né?
32:39>> É uma aposta e é o mais importante, né?
32:41Por isso que que a gente tem que correr
32:43atrás.
32:44>> É. E eu acho que é possível, né? Eu acho
32:46que a gente eh eh a gente vai começar a
32:49entender, eu acho que a pesquisa também
32:52tem essa via de entender que o cuidado
32:54em saúde mental ele não vai contra o
32:58mercado, na verdade ele vai tá
33:00articulado com o mercado. A gente, nós
33:02temos, nós somos parceiros, né? Eu acho
33:04que quando a gente entender isso, eh,
33:06acho que nós vamos colher os frutos
33:08tanto pro mercado, pra indústria dos
33:10jogos, né, quanto pro cuidado em saúde
33:12mental, porque a gente entende que é da
33:14ordem da parceria e não do antagonismo,
33:17né?
33:17>> É, eu agora, né, ai o direito falando em
33:20mim como você também, né, do direito de
33:23alguma forma é aquela coisa um pouco da
33:25da
33:27justiça aristotélica, né, de tratar o
33:30igual como igual e o desigual como
33:32desigual. Porque se a gente tem a pessoa
33:34com problema com o jogo ali como
33:35minoria, mas a gente tem que tratar da
33:37minoria, porque a minoria que está
33:39lidando com o problema de fato, né?
33:41Então a gente vai dar ali, ó, joga, seja
33:45feliz, eh, tenha seu momento, né? você
33:48você se divertir para quem dá conta e
33:51essa pessoa talvez ela precise de muito
33:54menos cuidado, mas uma parcela muito
33:56menor vai ser para onde a gente tem que
33:57olhar.
33:58>> Isso. Exato. E a gente tem como fazer
34:00isso de uma maneira que seja ética, de
34:03uma maneira que seja em parceria, né? De
34:06uma maneira que a gente caminhe juntos
34:08pensando nesse jogador que tá em
34:09sofrimento, né? É possível, eu acho.
34:11Inclusive, que ele possa julgar com
34:13saúde, né? a gente aposta isso, que ele
34:16possa de fato julgar com saúde.
34:18>> Isso
34:19>> é isso aí. Muito bom o nosso bate-papo.
34:21Queria de novo agradecer em nome da
34:23Mineira da Sorte a sua presença aqui.
34:26Eh, foi muito enriquecedor, trouxe
34:28muitas questões que a gente tinha
34:30dúvida, né, Ana?
34:33E é isso. A gente agradece você e a
34:36gente quer que você mande pra gente,
34:38sim, todos os documentos que você tem
34:40pra gente divulgar, os livros que você
34:41mencionou vai est disponível pra gente
34:44colocar para pessoal que tá assistindo a
34:46gente. Muito obrigada pela participação.
34:49>> Eu agradeço pela oportunidade. Eu acho
34:51que esses diálogos eles são sempre
34:52importantes, né, para pra gente, eu falo
34:55muito disso, de sair um pouco da
34:57universidade, a gente tá conversando com
34:58quem, né, tá tá interessado. Estou à
35:00disposição também e disponibiliza esse
35:03material depois também para você.
35:04>> Obrigada.
35:05>> Obrigada, Paula.
35:17Muito boa,