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0:03Olá pessoal boa tarde boa tarde a todos
0:08boa tarde a todas
0:10é muito bom estarmos aqui com mais uma
0:14atividade para nós homenagearmos a
0:18grande escritora Maria Firmina dos Reis
0:22nesta nesta exposição cultural que
0:26estamos promovendo exposição chamada
0:28Maria Firmina dos Reis a mente é
0:32impossível aprisionar ninguém pode
0:35aprisionar então nós estamos aqui para
0:39reverenciar essa grande escritora
0:42esquecida no cânone da literatura
0:45brasileira Maria Firmina dos Reis é a
0:48primeira escritora a publicar um romance
0:52no Brasil o romance Úrsula de estilo
0:56romântico a obra traz uma grande crítica
0:59à escravidão e a opressão as mulheres
1:04a temática abolicionista de Maria
1:07Firmina antecipa a obra daquele que é
1:11considerado o poeta dos escravos Castro
1:14Alves
1:17ah portanto que se reparar a injustiça
1:21contra o nome da autora e toda sua obra
1:27então nós estamos aqui com mais uma
1:30atividade hoje já tivemos o nosso clube
1:32de leitura lendo e debatendo o conto a
1:37Escrava E Agora Nós temos uma palestra
1:40com uma pesquisadora da autora e de sua
1:45obra A professora Mainara Galvão
1:51Mainara vai falar para nós um pouquinho
1:53do romance Úrsula e o abolicionismo que
1:56contém que consta na sua obra então eu
2:00já antecipadamente já quero deixar aqui
2:04o meu agradecimento
2:06a essa grande pesquisadora que vem aqui
2:10compartilhar conosco um pouquinho da sua
2:13pesquisa um pouquinho do conhecimento
2:16que ela tem sobre autora Maria Firmina
2:19professora Mainara seja muito bem-vinda
2:23aqui no Instituto Federal Fluminense
2:26Campos Itaperuna nós já antecipadamente
2:30já deixamos aqui os nossos
2:33agradecimentos meus meus agradecimentos
2:36e de nossos alunos e de nossas alunas
2:43não estamos te ouvindo Mainara
2:57pronto isso agora eu vou ter que
3:01compartilhar tela de novo aí
3:10Oi Vocês conseguem ver
3:14a sua Ah tá chegando a sua tela tá
3:16chegando agora sim
3:19também
3:22agora sim eu agradeço esse convite da
3:26professora de Zelda quando ela falou eu
3:29já aceitei porque eu gosto muito tem até
3:34um professor meu que diz que para nós né
3:37nos pesquisadores não é bom que a gente
3:39se aproxime muito do nosso objeto de
3:42estudo de pesquisa mas no caso da Maria
3:45Firmina do Chase é difícil porque ela
3:48foi uma pessoa inspiradora então toda
3:51oportunidade que eu tenho para falar
3:52para divulgar um pouco do que eu conheço
3:56do que eu pesquiso sobre eu fico
3:59imensamente feliz por essa oportunidade
4:01está aqui no instituto federal
4:05Campos Itaperuna falar para os alunos e
4:09os alunos é muito bom é muito feliz pelo
4:13convite
4:17você pode ficar à vontade a palavra
4:20agora é sua e vamos beber aqui da fonte
4:24estamos aqui ansiosos sedentos para
4:27beber de toda a fonte aí que você traz
4:29para nós é hoje né temática vai se
4:34desdobrar em torno dos aspectos
4:37abolicionistas na obra mas como a
4:40Giselda falou se a gente quiser falar
4:42sobre a situação da mulher né numa
4:44sociedade ainda muito patriarcal a gente
4:46também poderia porque quando a Maria
4:49Firmina pública sua obra a situação do
4:51Brasil é de crise né de mudanças então
4:57como eu comecei e eu ressalto está que é
5:01muito importante porque eu só fui ter
5:04contato com a Maria Firmina na minha
5:06pós-graduação quando eu fui fazer minha
5:08especialização no Pedro Pedro II então
5:11eu começo aí minha trajetória
5:13pesquisando entendendo
5:15Quais foram os percalços quais foram os
5:19mecanismos como ela fez ser possível é a
5:23publicação do seu livro porque era o
5:25momento que as mulheres não estavam
5:26publicando então eu parto daí minhas
5:29investigações E continuo no mestrado
5:32essas Investigações
5:36então né inicialmente a pergunta é quem
5:39foi a Maria Fernanda dos Reis esse ano a
5:42gente vê que ela está vivendo ela
5:45Ressurge no momento de ouro a gente pode
5:48dizer porque a trajetória da Maria
5:51Firmina é marcada por esquecimentos por
5:54apagamentos lacunas então a gente
5:58revisita essa obra no momento muito
6:01favorável no aniversário no seu
6:03Centenário
6:05tema da Felipe né então a gente vê uma
6:08ascensão uma relevância para entender
6:10Quem foi a Maria feminina dos Reis mas a
6:13sua trajetória né
6:15se a gente for contextualizar é uma
6:18trajetória marcada por apagamentos então
6:21a Maria Firmina ela foi uma escritora
6:24maranhense considerada a primeira
6:26romancista brasileira nasceu 11 de Março
6:28e passou boa parte da sua vida na cidade
6:31de Guimarães então a Maria Firmina né
6:34Ela é filha de uma mulher alforriada e
6:36de um homem branco um falecimento da sua
6:40mãe ela vai morar com uma prima e é vai
6:44ser fundamental por mais que a Maria
6:46Firmina C foi uma autor autodidata é
6:49fundamental porque a parte quando ela
6:51vai morar com essa prima ela vai ter
6:54muitos acesso
6:57culturais então a Maria Firmina foi uma
7:00das primeiras professoras do Brasil
7:02fundou uma escola mista então vejam que
7:04ela tava preocupada com a situação
7:08da escolaridade das mulheres por exemplo
7:10porque não é que as mulheres não tinham
7:12educação as que tinham eram as mulheres
7:15vindas de famílias da elite brasileira
7:18não eram todas Então ela já tava tendo
7:22essa situação e mesmo as mulheres
7:24vindas da Elite que tinham acesso a essa
7:28educação era uma educação precarizada se
7:32compararmos com as educações né dos
7:34homens então a Maria firme ela tava
7:36atenta essas questões Então ela afundou
7:39uma das primeiras escolas mistas né foi
7:43poetisa Escreveu charada e foi também
7:46colaboradora de jornais maranhenses foi
7:49musicista ela escreveu letras de músicas
7:51Então ela foi muito facetada na sua vida
7:55ela
7:57eu foi uma artista de
8:00vários talentos então ela não se
8:03restringiu ao campo
8:05de romances não ela público uma novela
8:08também culpeva que é uma novela
8:10indianista Então percebam como a
8:12trajetória da Maria Firmina é marcada
8:14por
8:18lugares que ainda não estavam
8:20disponíveis a gente estava falando de
8:22momento que a literatura era
8:24majoritariamente masculina eram os
8:27filhos da Elite os filhos que iam
8:29estudar fora do país
8:31voltavam bebiam de fontes europeias
8:34voltavam e escreviam a literatura
8:37brasileira
8:41a temática abolicionista na obra de
8:44Maria Firmina dos Reis do primeiro
8:47romance publicado pelo autor e também a
8:49obra de maior relevância
8:51pois pela primeira vez dentro da
8:53literatura brasileira os personagens
8:55negros têm voz experiências externas ao
8:58Brasil
8:59quando eu digo isso né é preciso frisar
9:03que a gente está falando de um momento
9:05que a literatura
9:06brasileira né Sobretudo o romantismo ele
9:10foi um suporte central da construção da
9:13identidade do Brasil mas porque porque o
9:15Brasil estava passando por um momento de
9:17transição colônia Brasil Independência o
9:21Brasil encontra Independência ele
9:23precisava se firmar então na geografia
9:26na história na Sociologia a gente
9:28precisava entender qual era a nossa
9:31história então
9:32vocês já devem ter ouvido falar já devem
9:36ter estudado Óbvio uma obra canônica que
9:38é o Guarani do José de que é considerada
9:40uma obra de nacionalidade obra de
9:44nacionalidade que vai retratar esse
9:46Brasil então uma que é do mesmo momento
9:49né século 19 então a Maria Firmina Ela é
9:53desse momento
9:55Mas ela tá atenta a uma questão que
10:00nenhum autor estava que é a situação do
10:02negro e das mulheres e meados do século
10:0519 o Brasil era ainda estava sendo um
10:08país escravocrata era uma discussão sim
10:11então muitos autores eram questionados
10:14só que muitos preferiram
10:17silenciar né porque
10:20não sei não posso nem julgar o motivo né
10:23Eu só sei que muito preferiram não é
10:26adentrar sobre a questão das mulheres e
10:29dos negros e a Maria Firmina faz isso
10:31quando ela dá voz subjetividade em série
10:34então ela vai problematizar a situação
10:36dos escravizados no país só aí eu acho
10:41que ela só escrevesse Úrsula já seria
10:44uma obra extremamente inovadora porque
10:46nenhum autor o fez antes então
10:50é um momento que tava sendo investido
10:54nessa representação do país tropical
10:56Então muitos escritores vão preferir é
11:00valorizar o país através do que ele tem
11:03de melhor né então valorizando a
11:05natureza e ignorando a situação do negro
11:09e das mulheres então
11:10a obra da Maria Firmina ela vai ser
11:13disruptiva nesse aspecto disruptiva
11:16porque ela vai ser uma escritora
11:18dissidente mas dissidente no sentido de
11:21não vai compactuar com esse enredo ela
11:23vai ser extremamente crítica Então ela é
11:28insere o personagem negro repleto de
11:31valores ancestrais na obra nós estamos
11:33dois personagens que vieram de África
11:35para o Brasil Então ela tá ampliando as
11:39repertório em meados do século 19
11:43escritores e leitores né
11:48antes de eu falar do primeiro personagem
11:51Eu gostaria de falar que logo após a
11:56publicação de Úrsula a gente tem alguns
12:00jornais que a obra porque Como Ela
12:02escrevia em jornal que era uma prática
12:04que muitos autores faziam inclusive o
12:06José de Alencar também fazia Machado de
12:09Assis enfim muitos escritores faziam
12:11porque o jornal era uma ferramenta era
12:13um veículo o livro era muito caro Então
12:16muitos romances eram publicados em
12:19formatos de folhetinhos como o peba que
12:21ela também publica em formato de
12:22folhetinhos quero uma forma de tornar
12:25mais acessível e não só isso tem uma
12:28questão também que eu acho fundamental
12:29que é
12:3130% da população naquela época era
12:35alfabetizada então a tradição oral da
12:38Leitura para um grupo de pessoas também
12:40era bastante comum então
12:42tinha esses aspectos logo após a
12:46publicação de Úrsula a Maria Firmina ela
12:48ela recebe
12:50muitas resenhas críticas favoráveis
12:53então a verdadeira marmota
12:57os maranhenses tem um jornal tem vários
13:02jornais que divulgam a obra e muito bem
13:05elogiada muito bem aclamada então a
13:08Maria Firmina teve uma recepção muito
13:10boa então ela não publicou e ficou
13:13esquecida não Úrsula teve um relativo
13:15sucesso
13:18mas que ainda assim esse relativo
13:20sucesso não foi suficiente para que ela
13:23entrasse no nosso cânone Brasileiro né
13:26então ela não é uma autora canônica é
13:29para quem não sabe canônicos são os
13:31clássicos e por isso ela não está na
13:33nossa historiografia Então se a gente
13:36fizer um mapeamento da nossa
13:38historiografia nas principais
13:40historiografias né sobre a nossa
13:43história da nossa formação da literatura
13:45Mara Fernanda não não estará lá
13:49Então isso é uma grande problemática né
13:52para pesquisa porque quando a gente não
13:53tem uma autora
13:55sendo divulgada a gente vai ter uma
13:58lacuna não só no campo da pesquisa né
14:01é bem o Túlio ele é o primeiro
14:04personagem negro que aparece no enredo
14:07né e ele é o grande parâmetro moral do
14:10enredo porque ele salva a vida do
14:12Tancredo que é o mocinho da narrativa
14:15é interessante porque Logo no início não
14:18sei se você já tiveram a chance de ler
14:20vou dar um spoiler aqui grande
14:22quando a o Túlio encontra o Tancredo
14:26machucado caído que ele tava a cavalo
14:28ele cai o Tancredo se questiona eu devo
14:32ou não devo salvar a vida desse homem
14:34branco porque o homem branco
14:36representava naquele contexto de
14:39opressão de uma sociedade cravocrata é
14:41medo é dor não sei talvez ele possa
14:44achar que fui eu que o machuquei mas o
14:47Túlio Ele é uma pessoa Nobre ele tem um
14:51coração bom a Marina ela engendra essas
14:54características e o Túlio acaba por
14:58salvar a vida do Tancredo e tem
15:02eu acho quando a Maria Firmina tem uma
15:04passagem do livro que quando o Tancredo
15:08vai comprar a alforria do Túlio ele diz
15:11assim Aceita meu amigo esse pequeno
15:13presente
15:16a gente está falando de uma sociedade
15:17escravocrata o Tancredo ele quer comprar
15:20a liberdade Do Túlio eu não consigo
15:22enxergar como um pequeno presente e mais
15:26uma questão a ser levantada a compulsão
15:28privilegiada do Tancredo Porque a partir
15:31do momento que ele consegue comprar o
15:33Folia do Túlio ele muda o percurso da
15:37vida da personagem então a Maria firmena
15:40em série esses essa tonalidade né o
15:43narrador desse enredo Vai ser todo
15:45posicionado então é muito interessante
15:48né
15:50a gente perceber então o Túlio é o
15:54grande parâmetro moral do enredo Ele é
15:56um homem bom e ele é descrito não como
15:59um escravizado não ele é descrito como
16:02um homem
16:08bom a Suzana ela é uma personagem de
16:12histórica
16:14ela surge no romance né Ela é uma
16:18sobrevivente da travessia marítima Então
16:21ela foi casada era mãe e tudo foi
16:24perdida com a chegada dos europeus dia
16:27histórica porque a gente diz né esse
16:29termo porque é a separação quando um
16:32povo Ele é separado mas não
16:35espontaneamente que foi o caso da
16:37escravização né os europeus foram lá em
16:40África
16:41sequestraram aquele povo trouxeram para
16:44cá e escravizaram e quando e o Capítulo
16:499
16:51é acredito que seja o capítulo é
16:53fundamental para nossa análise Porque a
16:56partir daí que a Maria Firmina ganha a
16:57relevância dela Porque até então Úrsula
17:00é um romance
17:02como um romance qualquer até a chegada
17:07da Suzana que é a personagem que vai
17:10redirecionar todo o campo de estudo todo
17:13campo de análise então assim tem
17:15pesquisas tem teses apenas sobre a
17:19Suzana porque é uma personagem muito
17:22complexa Então ela parte da narrativa da
17:25memória então é o discurso da primeira
17:27pessoa né sua experiência
17:31ela foi mãe ela cria em moda o caráter
17:33do Túlio isso é muito importante o Túlio
17:36já nasce no Brasil tudo já nasce no
17:39Brasil
17:40a Suzana criatura do Túlio ela não é mãe
17:43né de sangue mas ela é quem cria o Túlio
17:45o Túlio ele é o parâmetro moral mas quem
17:48cria em molde desse parâmetro é a Suzana
17:51Então ela tem muita relevância né E ela
17:55enfatiza no seu discurso
17:59o processo de terror que ela passou nos
18:02porões
18:03dos navios ela e eu
18:07não sei se alguém que teve a
18:10oportunidade de ler mas eu pelo menos
18:11quando li eu tive essa sensação de
18:14ansiedade porque ela tá presa no navio e
18:17ela não sabe exatamente o que ela tá
18:20fazendo ali e todo esse horror que ela
18:23passa até a chegada para o Brasil
18:26e no livro ela ela coloca tudo me
18:30tomaram Os Bárbaros
18:33quando a Maria firmena cria uma
18:35personagem
18:36com discurso que coloca tudo me tomaram
18:39Os Bárbaros ela tá invertendo essa
18:42lógica colonial de existência que ditava
18:45que o Selvagem o exótico e os bárbaros
18:48eram os povos indígenas e negros e
18:51quando ela faz isso ela inverte a lógica
18:53dizendo não não sou eu que tô sendo
18:56escravizada são eles os europeus que
18:59vieram aqui me sequestraram eles são
19:01bárbaros quando a Maria Firmina faz isso
19:03ela faz o Manifesto abolicionista né
19:08Então ela tá criando e no Brasil gente
19:12já estava se a gente consegue
19:15entender que no Brasil as questões do
19:19abolicionismo então o Brasil vivia em
19:22crise por essa situação muitos autores
19:23eram questionados então a gente nem de
19:26uma tradição
19:28de autores
19:30que são filhos de famílias escravocratas
19:32autores que são monarquistas autores que
19:36votaram a contra o ventre livre Então a
19:40gente percebe que a literatura é
19:42política elas vão estar de algum modo
19:45vão andar juntos juntas né E quando o
19:49autor escolhe não a isso eu não vou
19:51falar a situação do negro eu não vou
19:52falar isso é uma escolha também política
19:54então a Maria Firmina Ela escreve e ela
19:57vai e ela sabe e mais para frente vocês
20:00vão ver que ela sabia que ela seria
20:03apagada por esse posicionamento que ela
20:05adota ela adota um posicionamento
20:07político né quando ela faz todo
20:11esse discurso
20:14do sequestro da Suzano então estudando
20:17ela é uma personagem fundamental
20:25e é interessante porque a Maria Firmina
20:28ela não cria seus personagens muito bem
20:31definidos porque o homem branco não tá
20:34muito bem definido como sendo 100% mal
20:37apenas porque a gente tem um Tancredo
20:39que é um homem bom
20:42e os personagens negros eles também são
20:44totalmente
20:45distintos diferente de Então tem um
20:48Antero que é o último personagem que vai
20:50aparecer já no finalzinho do livro né E
20:54quando eu tava pesquisando eu não iria
20:57colocar o Antero na minha pesquisa
20:59porque eu não tinha muito
21:02campo então quando eu fui ler quando eu
21:05fui pesquisar não achei muitas coisas
21:06sobre o Antero só que aí lendo de novo
21:09eu falei não vou colocar o Antero também
21:11porque o Antero também é um personagem
21:13dia histórico ele também vende África
21:15para o Brasil só que ele não vai ser o
21:18parâmetro moral como Túlio a Suzana
21:20Suzana ela tem passagem no livro né que
21:24ela consegue ela tem a oportunidade de
21:28fugir do cativeiro
21:30não fugir da casa grande e tal só que
21:33ela não escolhe ela diz não eu não vou
21:36fugir eu não fiz nada de errado então
21:39ela é um parâmetro moral e ela diz eu
21:42fugir para que se aqui eu não vou não há
21:46como viver não há forma de ser
21:49feliz ter vida aqui para mim é que não é
21:52o meu lugar e quando a Suzana percebam
21:55que no início da
21:57do curso né quando eu tava falando eu eu
22:01disse que eu digo que a literatura ela
22:04vai ser um suporte nessa construção
22:07dessa identidade Então muitos autores
22:09vão escolher é defender o Brasil por
22:12meio desse país tropical e quando a
22:16Maria Firmina cria personagens que não
22:18vão reconhecer o Brasil como um lugar
22:20favorável muito pelo contrário apenas
22:22como um lugar que destruiu pessoas de
22:27vida que sequestrou que escravizou
22:30ela tá mexendo em feridas e mazelas que
22:34a sociedade estava que a grande Elite
22:37não sabia como lidar então a Maria
22:40Firmina ela faz esse Manifesto ela faz
22:42as posicionamento para dizer olha só
22:47isso tá acontecendo e o que a gente faz
22:49a partir dessa situação e a Maria
22:52Firmina ela e a Suzana é a personagem
22:55que melhor Vai representar ela vai
22:58ampliar esse repertório cognitivo E se o
23:01discurso era que o discurso para
23:04escravização era que eram pessoas
23:07selvagens a Maria Firmina é apresenta
23:10uma personagem personagem que foi casada
23:13que teve filho filha que trabalhava e
23:17que foi destituída então Ou seja a gente
23:19tem uma civilização Eles vieram com os
23:22valores civilizatórios e não eram eles
23:25que eram os selvagens muito pelo
23:27contrário Os Bárbaros são eles como a
23:29Suzana coloca então é o posicionamento
23:32político né
23:33e o Antero ao contrário da Suzane do
23:37Túlio ele vai ser um personagem que é
23:39viciado em bebida alcoólica então ele
23:42critica sua condição de escravizado por
23:45meio da falta de meio para conseguir
23:47sustentar seu vício e não só isso quando
23:50ele traz a questão aspecto da bebida ele
23:54diz nos meus tempos na minha terra no
23:57meu país a gente tomava vinho de palma
24:00para festejar para alegria aqui no
24:04Brasil Ele bebe como uma forma de
24:07esquecer de alguma maneira né sua
24:10condição escravizado e ele ainda diz o
24:13que eu bebo o que eu bebia na minha
24:15terra e mil vezes melhor do que a
24:16cachaça de vocês então além de inverter
24:18essa lógica da colonialidade Ele ainda
24:21diz na minha terra é melhor do que essa
24:24cachaça aí que vocês bebem então Antero
24:26ele é muito crítico então ele não tá ali
24:28com essa situação tem uma passagem que o
24:31Túlio fala nossa pai o que mal que você
24:34cultiva e o Antero vai dizer mau hábito
24:37eu eu não faço mal a ninguém eu só tô
24:40aqui então é muito importante a gente
24:44percebe que ela através de uma
24:46criticidade ela vai abrindo caminhos
24:48explorando lugares né e discursos que
24:52não estavam disponível para a gente pode
24:55até ser um pouco complicado deslocar
24:57esse olhar ou não né deslocar esse olhar
25:00porque ela tava escrevendo meados do
25:02século 19 então vejam uma autora que tá
25:05escrevendo meados do século 19 seus
25:08posicionamentos é político Então esse
25:13silenciamento que a gente consegue
25:14elaborar é que houve pela crítica
25:17durante muito tempo não houve um cuidado
25:20não houve uma preocupação explorar
25:23esse trabalho da Maria Firmina dos reis
25:26porque o Úrsula é um livro que vai
25:29problematizar
25:30a situação do negro e da mulher então
25:34durante muito tempo livro ficou apagado
25:38aproximadamente o livro ficou 111 anos é
25:42apagado então assim é bastante tempo
25:44então foi uma lacuna que a gente tem nos
25:48estudos sobre a Maria Firmina dos Reis
25:54bem aqui é uma passagem do livro que é o
25:57Fernando que é o tio da Úrsula vou ler
26:00aqui para vocês infeliz Donzela porque a
26:02Fatalidade viu ela esse homem de vontade
26:04ferra que era seu tio e que quem será
26:07Amado esse homem que jamais havia amado
26:10em sua vida porque escolheu para a
26:12vítima do seu amor Caprichoso a ela que
26:15o aborrecia
26:17a ela a quem ele tornara Órfã antes de
26:20poder avaliar a dor da orfandade a ela
26:23que amava a outrem cujo nome devia
26:25conhecer porque mais de uma vez o vira
26:28no tronco da árvore em laçado como de
26:31urso a ela que toda sua alma toda sua
26:34vida pertencia agora esse jovem
26:37Cavaleiro esse jovem Cavaleiro é o
26:39Tancredo A Úrsula é protagonista tá
26:43gente mas na minha pesquisa A Úrsula
26:46acaba ficando em segundo plano porque
26:48ela é do primeiro eixo então
26:50o segundo eixo que é o Capítulo 9 é onde
26:53eu vou explorar esse lugares e o jovem
26:56Cavaleiro aqui é o Tancredo então o
26:59Tancredo se apaixona pela Úrsula Úrsula
27:02embora branca ela é mãe elas não viviam
27:06em situação de luxo ela era órfão Então
27:09ela tinha escravizado só que ela não
27:12tinha comparado com o padrão de vida das
27:15pessoas brancas naquela época
27:17não tinha uma condição financeira boa
27:20então o tio ele vai estar representando
27:24a maldade esse patriarcado não há
27:27ímpetos ele quer matar todo mundo e a
27:30gente vê Vou dar mais um spoiler não vai
27:33ter final feliz na obra A maioria dos
27:36personagens vão morrer ele vai matar
27:38então ele não consegue ver e ele almeja
27:41casar com a sobrinha com a Úrsula então
27:44ele tá representando esse patriarcado e
27:47ele quer oprimir todos os personagens
27:49que ele conseguir e não só isso ele tá
27:53representando poder só que é um poder
27:55desregulado é um poder que ninguém na
27:59sociedade vai poder interromper porque
28:02ele é a pessoa mais poderosa nesse
28:05enredo percebam que o Túlio vai
28:07escravizado a Suzana escravizada o
28:10Antero escravizado A Úrsula é branca Mas
28:14é uma mulher e que não tem muita voz não
28:17e a mãe também então que precisa de
28:20certa forma desse tio
28:22o Tancredo que é um mocinho ele também
28:25se vê a mercê do Pai então percebam que
28:27os homens né esse patriarcado desses
28:30senhores esse modelismo vai estar
28:32presente na obra Então ela também vai
28:35criar essa esse discurso né então é um
28:40personagem cruel ela não definiu o homem
28:44branco como mal ou bom a gente tem duas
28:47figuras o Tancredo que é bom e o
28:50Fernando que ele é extremamente Cruel
28:52ele vai matar a maioria das pessoas os
28:55personagens
29:00o Prólogo do livro também é muito
29:03importante porque quando a gente
29:06pesquisa outros prólogos de outras
29:08autoras o que a gente está falando de um
29:12momento que o círculo letrado era
29:14baseado por homens da Elite né as
29:18mulheres para adentrar nesse espaço Elas
29:21fingiam fingiam Não elas arquitetavam
29:24uma falsa modéstia muitos prólogos
29:27muitas autoras da época se vocês forem
29:30ler vocês vão perceber que há uma falsa
29:33modesta modéstia porque porque era uma
29:37forma que elas conseguiam para ser
29:39publicada então a Maria firme ela coloca
29:42mesquinho e humilde livro é esse que vai
29:45dar presente apresenta o leitor sei que
29:47passará entre o indiferentismo Glacial
29:50de uns e o riso morfador de outros e
29:53ainda assim do aluno
29:55não a vaidade de adquirir nome que me
29:58segue nem o amor próprio próprio de
30:00autor sei que pouco Vale este romance
30:03porque escrito por uma mulher e mulher
30:05brasileira de educação acanhada e sem o
30:08trato de conservação dos homens
30:10ilustrados que aconselham que discutem
30:13que corrigem como a instrução misérrima
30:17apenas aconselhando a língua de seu país
30:19e pouco lida o seu Cabedal intelectual é
30:23quase nulo não é verdade que ela foi
30:25professora Então ela era uma mulher
30:29que foi pioneira ela foi a primeira
30:31professora
30:32concursada os 22 anos então percebam que
30:36esse prólogo é É um mecanismo que muitas
30:39escritoras faziam para adentrar e quando
30:41ela usa o verbo sei
30:44aqui ó sei que passará ela sabe que o
30:48livro
30:49pudesse passar pelo pelo pela exclusão
30:53ela trata de questões que nenhum autor
30:57estava disposto a se comprometer na
30:58época só que aí ela continua que sirva
31:01sei que pouco vai neste romance
31:05E ela diz futuramente que sirva de coisa
31:07melhor para outra então quando ela faz
31:10esse movimento ela se lança ela projeta
31:12sua escrita para um futuro porque ela
31:15sabe que para o momento talvez aquela
31:18recepção terem aquela recepção do livro
31:21teriam muitos embates Então ela lança
31:23quando ela faz esse movimento né com os
31:26verbos a gente consegue perceber que ela
31:28projeta Para o Futuro
31:34É bem a Maria feminina dos Reis é
31:36Pioneira da literatura produzida por
31:38mulheres negras no romance brasileiro é
31:41também percussora da literatura
31:42Abolicionista a partir da sua obra de
31:45paradigmas eu não sou ativos pela autora
31:47É possível estabelecer novas
31:50perspectivas dentro da literatura
31:52brasileira partindo das contribuições e
31:55originalidades anunciativas em seu
31:58romance a Maria Firmina do jeito que a
32:01gente sabe dela né pelo nascimento de
32:06Morais né E pelo Horácio de Almeida é
32:11que ela morreu pobre e cega sua obra
32:14ficou esquecida até
32:151962 quando o historiador de Almeida
32:19colocou a escritora em evidência
32:20recentemente
32:22as pesquisas sobre a vida se
32:24intensificaram e aos poucos a escritora
32:27vai sendo integrada ao cânone literário
32:30brasileiro então percebam que a vida
32:33dela não é
32:34por essa ponta por um prestígio ela
32:38morreu esquecida né então agora ela vem
32:41fazendo ela ficou tão
32:44apagada porque não há uma imagem da
32:47Maria Firmina o mais próximo que a gente
32:49pode chegar essa imagem que vocês estão
32:52vendo aqui que é uma estátua no Maranhão
32:54em São Luís que é do busto da Maria
32:57Firmina né então pai dela era Branco a
33:00mãe era uma mulher alforriada
33:04Então isso é o mais próximo que a gente
33:06chega da Maria Firmino porque não há
33:08registros né e é uma pena porque quando
33:11a gente não tem registros né de uma
33:15autora que foi tão importante não só
33:17para as letras mas como intelectual uma
33:20das primeiras intelectuais
33:23professoras fundou a gente percebe que a
33:26vida dela foi marcada foi uma trajetória
33:29de
33:30ser ativa de questionar de problematizar
33:33a situação daqueles que estavam sendo
33:37oprimidos e é muito é muito importante
33:40para a história que hoje a gente esteja
33:43redirecionando nosso olhar para Maria
33:45Firmina
33:48aqui gente a nomeação é dela para
33:53professora
33:54esse documento está disponível né pela
33:58Assembleia providencial do Maranhão
33:59outubro de 1847 então é um documento
34:04muito importante então a gente percebe
34:07que ainda assim a lacunas que a gente
34:09precisa explorar a data do aniversário
34:12dela também é a gente tinha que era 11
34:17de outubro só que recentemente a gente
34:18Descobriu que era 11 de Março então
34:21percebam que a biografia dela tá sendo
34:26revisitada e redefinida também
34:30foram muitos anos de de apagamentos
34:34então é preciso esse trabalho
34:39a mente essa ninguém pode escravizar né
34:42Eu acho que é uma frase muito importante
34:45e aqui a imagem que eu falei do busto
34:49e ressaltando o que eu falei é um
34:52privilégio a gente tá aqui hoje
34:54discutindo sobre a Maria feminina dos
34:56reis porque assim como ela muitos outros
34:59autores também ficaram
35:01apagados da nossa historiografia não
35:05tenho devido reconhecimento eu posso
35:07estar Luiz Gama que era um autor que
35:10também publicava abolicionista que foi
35:13vendido pelo pai dele ele o autor negro
35:16foi vendido pelo pai Branco dele é o
35:19Lima Barreto também um grande escritor
35:21que também teve
35:23não tem seu devido reconhecimento então
35:25a gente percebe que quando a Maria
35:28Firmina escreve ela tá abrindo um
35:31caminho anunciativo não só para as
35:34mulheres mas sobretudo por esse
35:36movimento de escrita de mulheres negras
35:37no Brasil né então a gente vê a
35:40importância da Maria Firmina para a
35:42gente definir esse campo de estudo
35:46é isso
35:49[Música]
35:53Obrigada Mainara
35:57você enriqueceu muito o nosso evento
36:01nosso conhecimento
36:03eu gostaria de fazer aqui né eu me
36:07esqueci eu peço perdão por isso de ter
36:09anunciado você então a Mainara gente
36:14possui graduação em letras língua
36:17portuguesa pela UERJ né Mainara
36:20Universidade do Estado do Rio de Janeiro
36:23atualmente custa pós-graduação e
36:26educação das relações étnico-raciais
36:28integra também o grupo de estudos
36:32literatura de autoria Negra participou
36:35também do projeto de extensão letra
36:38jovem e hoje cursa mestrado é Mestrando
36:42em estudos literários também pela UERJ
36:46então é muito obrigada e gostaria só de
36:50dar mais um aviso aqui para quem está
36:53aqui nos acompanhando
36:55que para vocês receberem certificado
36:58deste momento dessa palestra Vocês
37:01precisam se inscrever no portal de
37:04eventos tá se inscrever no evento e na
37:10palestra específica e depois nós vamos
37:13passar a lista de presenças Tá bom então
37:18fica combinado assim
37:20fazer inscrição no evento na palestra e
37:24também depois assinar a lista de
37:27presença
37:28foi muito enriquecedora Mainara as suas
37:32palavras o que você trouxe aqui para nós
37:36E aí eu gostaria de perguntar aos nossos
37:39alunos as nossas alunas se vocês têm
37:42alguma pergunta gostariam de perguntar
37:45alguma coisa
37:47aproveitar esse conhecimento Isabela
37:50Isabela Pode vir cá e a Mainara fica te
37:55conhecendo também a Isabela maestri
37:58Ferrares Nossa aluna do segundo ano do
38:01curso Integrado de química
38:06eu faço parte de um projeto que chama
38:10submissas palavras de mulheres o resgate
38:11da literatura de autoria feminina e as
38:14exposição foi organizada pelo projeto E
38:18aí uma coisa que eu percebo é que que
38:21você chegou a comentar da imagem da
38:22Maria Firmina as poucas imagens que ela
38:25tem a gente descobriu recentemente que
38:29algumas delas Na verdade nem eram ela
38:33teve esse problema né muitas postagens
38:36que a gente tava fazendo a gente teve
38:37que mudar Aí eu queria que você falasse
38:39pouco mais sobre isso da imagem dela
38:41como até mesmo a imagem o nome todas as
38:45coisas delas são desconhecidas
38:47[Música]
38:49é a última pergunta excelente Porque de
38:53fato até pouco tempo a gente tinha a
38:58imagem que era associada da Maria
39:00Firmina a uma professora do Rio Grande
39:03do Sul Uma Professora Branca né que era
39:07associada a imagem da Maria Firmina
39:08então é uma discussão
39:11no campo da pesquisa que eu
39:15embranquecimento dos autores inclusive o
39:18Machado de Assis foi um autor que teve
39:20essa tentativa de embranquecimento né
39:24então a imagem do Machado de Assis que é
39:28o maior escritor da nossa literatura ele
39:30teve essa imagem
39:32de embranquecimento que é
39:36complexo porque a Maria Firmina ela é
39:40fruto de um relacionamento
39:45Então a gente tem esses nuances então
39:48não teria como ela ser uma pessoa
39:51branca Então ela seria ali parda morena
39:54negra
39:56então isso acontece as tentativas de
39:59embranquecimento como se
40:01deslegitimar como se as Produções Só
40:04pudessem ser vinda fruto de pessoas
40:06brancas e não é assim gente tem o Lima
40:09Barreto a gente tem uns Gama a gente tem
40:12um Machado de Assis a gente até Maria
40:13Fernanda dos Reis mais recente a
40:16Conceição Evaristo a gente tem
40:18a Carolina Maria de Jesus que também é
40:21uma autora que é muito criticada por não
40:24ter essa tal da estética Mas é uma
40:27Carolina Maria de Jesus quando ela
40:30escreve Diário de Uma favelada ela tá
40:32colocando também questões que é a
40:36sociedade prefere ocultar então a gente
40:39percebe que esse movimento de
40:41embranquecimento não foi não aconteceu
40:43só com a Maria feminina dos Reis
40:45aconteceu inclusive com machado dos
40:48maiores escritores então percebam alguém
40:50que tem essa Fortuna crítica construída
40:53que é o Machado de Assis
40:56é a Maria Firmina que a memória a
41:00fortuna crítica dela tá sendo ainda
41:02construída e revisitada e cada hora vai
41:06mudando então fica muito difícil então o
41:09mais próximo que a gente pode chegar
41:11hoje é daquela imagem do busto do
41:13Maranhão como eu
41:15tava no slide
41:20em relação a essa pergunta nós até
41:23achamos aqui Mainara
41:25me esqueci agora qual grupo de pesquisa
41:27mas tem um grupo de pesquisa também até
41:30disponibilizou umas imagens umas umas
41:34fotografias né a partir de
41:37descrição
41:39de características físicas na Maria
41:42firmena disponibilizou algumas imagens
41:44né que aproximam um pouco da feição né
41:49da própria
41:52autorais
41:54muito interessante
41:56muito bacana nós até usamos Aquelas
41:59imagens
42:00Acho que até também por conta da do
42:03silenciamento do apagamento não sei se é
42:06mais nada concorda Por conta desse
42:08apagamento que houve né foi uma autora
42:12invisibilizada então não se tem registro
42:15não se tem né tantas fontes de pesquisa
42:18acredito que também seja
42:20por esse motivo também né então com
42:23certeza sim com certeza porque
42:25é como eu falei no início eu só fui
42:29conhecer eu ouvi falar da Maria Firmina
42:31na pós-graduação então aqui vocês que
42:35estudam no IFF né estão tendo acesso bem
42:38antes de mim porque na minha graduação
42:39Eu também não
42:41nunca tinha ouvido falar da Maria
42:43Firmina Então esse processo de
42:46silenciamento de pagamento é difícil
42:49construir até a imagem quem foi a Maria
42:52Firmina né representar essa imagem em
42:55papel
42:57beleza Alguém gostaria de fazer mais
43:00alguma pergunta
43:06Mainara nós temos um projeto aqui
43:08Inclusive essa exposição
43:11que tem atividades até amanhã hein gente
43:14amanhã nós temos uma roda de conversa no
43:17horário do intervalo da tarde tá bom com
43:21o tema feminismo negro parceria com nebi
43:25até amanhã hein esse evento Então
43:28Mainara é uma ação deste projeto em
43:33submissas palavras de mulheres que nós
43:36temos aqui no Campos e o objetivo desse
43:39projeto é justamente resgatar essas
43:42autoras
43:43essas escrituras resgatá-las conhecer as
43:47suas obras e discutir né algumas
43:50questões
43:51problemáticas no estabelecimento do
43:54cânone literário então eu gostaria de
43:59fazer uma pergunta
44:02você disse aqui que Maria Firmina dos
44:05Reis né E nós sabemos disso também que
44:08ela ficou mais de 100 anos
44:11né esquecida
44:14de uns tempos para cá que nós temos aí
44:17pesquisadores como a própria né
44:20pesquisadora Mainara pesquisadores
44:25estudando a obra de Maria Firmina nós
44:29temos
44:30universidades que já começam a cobrar
44:35a obra da Maria Firmino nos seus
44:38vestibulares nós temos por exemplo neste
44:42ano a flip a mais tradicional e talvez
44:46né conhecida festa literária aqui do
44:49Brasil vai prestar uma homenagem a
44:53escritora Maria Firmina neste ano se
44:56comemora o Bicentenário da autora então
44:59a gente começa a perceber que a Maria
45:03firmena começa a ocupar os lugares
45:08que vão legitimar lá como como escritora
45:16né porque uma universidade uma festa
45:19literária uma tradicional festa
45:21literária mais importante que essa
45:23literária são espaços né que legitimam
45:27aquele autor e o Canon
45:31então a Maria Firmina está começando né
45:35a ocupar esses espaços penetrar nesses
45:38espaços no espaço acadêmico E aí eu
45:42gostaria de fazer uma pergunta Mainara
45:43sobre né o trabalho que deve ser feito
45:47para se resgatar não só o nome de Maria
45:52Firmina mas de tantas outras autoras
45:56Albertina aberta Emília Freitas não é
46:02Júlia Lopes também já já um pouco
46:06conhecida alta de Souza Juca Machado
46:10tantas outras grandes escritoras
46:13mulheres que formaram pensamento né
46:16acadêmico literário brasileiro fala um
46:19pouquinho desse trabalho da necessidade
46:21desse trabalho da importância até para
46:24dar um gás também que é o nosso projeto
46:26né para que a gente tenha gás e força de
46:30continuar
46:31bem essa discussão na academia é uma
46:35discussão que algumas pessoas
46:38até levantam Nossa mas vocês Então vão
46:43acabar com cano e vão formar um novo
46:45cano ali não A questão não é formal o
46:48novo cano e se for não é excluir o José
46:52de Alencar o machado muito pelo
46:54contrário é ampliar esse cânone porque
46:58são autoras que dentro dessas instâncias
47:02legitimadoras e aí a gente tem os
47:05críticos os professores os acadêmicos né
47:09eles estão legitimando esses eventos
47:11esses grupos de Pesquisas eles estão
47:14investigando Então a gente tem essas
47:16instâncias legitimadoras que estão ali
47:19para falar olha isso aqui ficou de fora
47:21de fato Então não é destruir o cânone
47:24que é uma falsa ideia que muitas pessoas
47:28inclusive acadêmicos têm não é é acabar
47:32com com cana e criar um novo cânone não
47:35é ampliar esse cano para a gente ter
47:38perceber Como é o panorama quem foram os
47:42autores que publicam no Brasil né então
47:46é muito importante o trabalho de resgate
47:48que vocês fazem com as mulheres porque a
47:54escrita feminina tava muito associada a
47:56uma literatura de perfumaria Então se a
47:59gente pegar a Úrsula a gente vê que não
48:01tem essa de literatura que Perfumaria
48:04muito pelo contrário porque a literatura
48:06de perfumaria era as mulheres da Elite
48:10né Elas era até bem visto então a mulher
48:13poderia até publicar mas tinha que ser
48:15dentro dessa desse molde dessa
48:17literatura de perfumaria que também tem
48:21o seu valor agora o problema é quando a
48:24mulher só pode publicar dentro desse
48:27gênero que a colocam né então quando a
48:30gente pega uma obra
48:31e vai questionar todos os valores dessa
48:34recente
48:36dessa recente nação brasileira né
48:39estamos falando de meados do século XIX
48:42a gente está ampliando essa discussão A
48:45Maria Firmina tá fazendo um manifesta
48:47ela é uma autora anti-cravista ela é uma
48:51autora abolicionista então é muito
48:54importante esse trabalho que a gente faz
48:57então
48:59amanhã eu também vou participar de um
49:02projeto
49:02no Pedro Segundo que também eles têm um
49:05grupo de pesquisa de autoria feminina
49:08que a cordado para o meu orientador da
49:11minha especialização então é muito
49:12importante que os colégios federais que
49:17as Universidades estejam fazendo esse
49:20trabalho de investigação porque é a
49:24parte da pesquisa que a gente vai criar
49:27um Norte um Panorama e a gente vive um
49:29momento que
49:31pesquisa infelizmente é vem sendo
49:35silenciada Então se silenciamento é uma
49:39palavra que vai marcar a escrita de
49:42muitas mulheres de 8 cientistas como
49:45você mesmo falou então a gente também
49:48vive esse momento então a questão que me
49:51parece é continuar investigando
49:52pesquisando e criar essas possibilidades
49:56como essas posição para a gente ampliar
49:59esse repertório
50:02tá joia Obrigada alguém quer comentar
50:05fazer algum comentário alguma pergunta
50:10então Mainara só para a gente finalizar
50:12então eu gostaria sim se você puder
50:15ainda tiver um tempinho de comentar
50:18sobre a atualidade da obra de Maria
50:23Firmina porque tem passagens que eu
50:26sempre comento com os alunos e hoje
50:28mesmo eu comentei parece assim que Maria
50:30Firmino está aqui hoje presente abriu a
50:34janela olhou para a realidade e
50:37apresentou uma realidade de hoje embora
50:40o texto tenha sido escrito né lá no
50:44século 19 dessa atualidade da obra dela
50:53que ela coloca as questões
50:57debatidas
50:59eu tava quando a gente fala do Cano dos
51:02clássicos né vai ter uma linha de
51:04pesquisa que vai validar aqui Um
51:06clássico só vai poder ser imortalizado
51:09se ele dialogar com tempo e outros vão
51:12dialogar falando não Um clássico é um
51:15clássico Independente se ele já logo ou
51:17não com o tempo então a gente e a
51:20escrita da Maria Firmina né Úrsula tem
51:22esses dois lugares porque nós embora
51:26nosso país não seja
51:29escravocrata ele ainda é um país que tem
51:31é que tem resquício de escravocratas né
51:34então ela vai dialogar com o tempo nessa
51:38nessa questão mas eu tava pensando hoje
51:40né antes de vir aqui falar com vocês é
51:44sobre essa questão porque nossa se a
51:46Maria Firmina tivesse viva que tem esse
51:49ditado é Fulano estaria se revirando no
51:53túmulo porque é infelizmente a gente vê
51:56que é atual por algumas questões que
51:59ainda não são muito boas que ainda são
52:01resquícios
52:03de uma mazela que a gente trouxe
52:06enquanto o país colonizado né é um
52:09resquício que a gente tem mas e como é
52:14importante eu acho que todo mundo
52:16deveria ter acesso a Maria firminal
52:18Úrsula para entender um pouco da nossa
52:21formação né e não só como país tropical
52:26não a gente entender como foi criada
52:29elaborada essa comunidade imaginada
52:32comunidade imaginada
52:34no sentido de que uma elite que ia para
52:38fora vinha escrever essa literatura
52:40escrevia essa história então é uma
52:42história escrita feita por pouco poucas
52:45pessoas a gente está falando de um
52:48momento que as pessoas a que as pessoas
52:50não eram alfabetizadas não iam à escola
52:52então é uma pequena Elite que escreve
52:55contas essa comunidade imaginária que
52:59vai elaborar então é infelizmente
53:01algumas questões da Maria firme ainda é
53:04muito presente né questão do
53:06silenciamento é opressão a situação da
53:08mulher na nossa sociedade não é das mais
53:12favoráveis né a gente vive duas questões
53:14que é a questão da necropolítica né que
53:17eu epistemicídio das pessoas negras e o
53:21feminicídio que são as mulheres né a
53:25morte das mulheres então a gente vê que
53:27é uma obra que tem a capacidade de
53:30Educar toda uma população de ampliar
53:32esse repertório né então maravilha ela é
53:36fundamental Então todo valor que ela tá
53:39sendo tá tendo hoje
53:42Deve sim ser legitimado né Tem até um
53:45professor meu que brinca que fala se eu
53:48fosse escritor não gostaria de ter o meu
53:50reconhecimento após a minha morte que
53:52foi o que aconteceu com a Maria Firmina
53:54de Geisy durante vida ela não teve a
53:57relevância que ela merecia só que a
54:00gente está tentando
54:02dar essa relevância tardiamente mas
54:05ainda assim é preciso
54:09Com certeza preciso necessário então
54:12mais uma vez nós agradecemos você né
54:16você compartilhar conosco acredito que
54:20os nossos alunos nossas alunas aqui
54:22aprenderam um pouquinho mais sobre a
54:25Maria firmena Tomara que tenham sido
54:27instigados a ler mais um pouquinho das
54:31obras né dos textos de Maria firmena e
54:34esse momento é para isso para despertar
54:37em vocês né a leitora a escritora
54:42e Despertar a leitura em vocês então
54:45assim muito obrigada eu gostaria se
54:48fosse possível que vocês viessem aqui
54:50para a gente tirar uma foto aqui junto
54:53com a com a Mainara porque fisicamente
54:56ela está distante mas ela está conectada
55:00aqui né com o nosso trabalho
55:02então eu gostaria se fosse possível
55:06eu só queria te perguntar se alguém
55:10assistindo online para eu poder
55:13poder
55:18passar a lista de presença Abrir a lista
55:21de presença Tá bom então Agradeço também
55:23a quem está nos acompanhando online e
55:27vou abrir aqui agora o formulário da
55:30lista de presença tá Para que vocês
55:32possam receber o certificado quem está
55:35online também precisa
55:38também se inscrever no evento
55:43portal de
55:51eventos.if.edu.br/bycentenário de Maria
55:52Firmina dos Reis entrem
55:55se inscrevam no evento e na atividade na
56:00palestra quem vai tirar uma selfie aqui
56:03para gente aqui vamos
56:05juntar aqui
57:39Alô Mainara dá um sorriso aqui bem que
57:43você não tá vendo a gente mas nós
57:44estamos vendo você espera só um
57:46pouquinho que eu vou chegar lá
57:47[Música]
58:09muito obrigada Mainara depois a gente
58:13conversa lá tá bom mais uma vez o nome
58:17do IF em nome da nossa academia de
58:19letras em nome da equipe do projeto em
58:22submissas palavras de mulheres acompanhe
58:25lá nas nossas redes gente no Instagram e
58:28submissas palavras para vocês
58:31acompanharem o nosso trabalho Muitíssimo
58:34obrigada
58:35Obrigada e eu parabenizo também vocês
58:39por esse projeto
58:42tá joia Muito obrigado muito importante
58:48[Música]